Resenha: The Source – Ayreon

Reprodução da capa do álbum (© Mascot Label Group)


Já virou tradição: a cada dois ou três anos, o gênio e multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen lança alguma coisa que conquistará os fãs e levará a crítica a rasgar elogios. Em 2017, não foi diferente.

Com The Source, ele retoma seu principal projeto, Ayreon, e nos leva bilhões de anos no passado, no planeta Alpha da Galáxia Andrômeda, onde o controle sobre o mundo é dado a máquinas na esperança de que elas resolvam os problemas ecológicos que o afligem. Para salvar o globo, elas determinam que basta eliminar a humanidade. Um grupo de dez alphas mais um computador leal à humanidade é selecionado para abandonar o corpo celeste decadente e garantir a sobrevivência da raça noutro lugar. O destino encontrado é um mundo aquático orbitando Sirah (mais conhecida como Alfa Andrômeda). A continuação da história? Basta ouvir o antepenúltimo lançamento do supergrupo, 01011001. Este disco marca o início de toda a grande história que Arjen nos conta há mais de 20 anos.

Como de praxe, um time de primeira foi convidado a participar. Dois reaparecem pela segunda vez consecutiva: Tommy Karevik (Kamelot, Seventh Wonder) e Michael Mills (Toehider), que já haviam deixado sua marca em The Theory of Everything (resenhado neste blog). Ambos interpretam os papeis d’O Líder de Oposição e o computador TH-1. A maioria dos outros cantores retorna de álbuns anteriores do projeto, algo inédito para o Ayreon, uma vez que Arjen prefere sempre trabalhar com sangue novo: James LaBrie (Dream Theater) como O Historiador, Simone Simons (Epica) como A Conselheira, Tobias Sammet (Edguy, Avantasia) como O Capitão, Hansi Kürsch (Blind Guardian) como O Astrônomo, Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob) como O Presidente e Floor Jansen (Nightwish, ex-After Forever, ex-ReVamp) como A Bióloga. As novidades ficam por conta de Tommy Rogers (Between the Buried and Me) como O Químico, Nils K. Rue (Pagan’s Mind) como O Profeta, Michael Eriksen (Circus Maximus) como O Diplomata e Zaher Zorgati (Myrath) como O Pregador. Nos solos, só novidades (e só feras): Mark Kelly (Marillion) num solo de teclado e Paul Gilbert (Mr. Big, Racer X), Guthrie Govan (The Aristocrats, ex-Asia) e Marcel Coenen (Sun Caged) em solos de guitarra.

Com tudo isso em mãos, o holandês entregou mais uma obra-prima do metal progressivo. Prometeu que o trabalho seria mais voltado para as guitarras e cumpriu. Se em The Theory of Everything os teclados estavam OVER 9000!! (não reclamo), em The Source os sons eletrônicos deram mais espaço às seis cordas. Há um foco evidente em riffs e solos, com os teclados acompanhando tudo na forma de órgãos e mellotrons. O peso é tanto que deixa o álbum próximo ao Star One, projeto de Arjen com riffs notadamente mais agressivos.

Como no lançamento anterior, as várias faixas (17 no total) foram divididas em quatro partes. A diferença é que, embora as canções emendem umas nas outras dentro de cada parte, você pode ouvir cada uma isoladamente numa boa. Em The Theory of Everything, isso ficaria estranho, pois cada parte é feita de dezenas de interlúdios e faixas curtas.

Mas enfim, sem mais delongas, falemos da música em si. The Source abre com a estupenda “The Day That the World Breaks Down”. Apesar de, com 12 minutos e meio, ser a mais longa, é um bom resumo da proposta musical do lançamento por conter passagens de diferentes climas e velocidades e estrelar todos os vocalistas, menos Zaher.

A melancólica “Sea of Machines” tem um refrão que nos remete à ótima “Closer to the Stars”, do Star One (paralelos com esse supergrupo, como sugerido acima, podem ser traçados várias vezes ao longo do álbum, como veremos no decorrer desta resenha). Nela, o Profeta prevê elementos do futuro que figuraram nas histórias anteriores do projeto: um mundo “sob as ondas” (“Beneath the Waves”), um “cometa” (“Ride the Comet”) e um castelo (Into the Electric Castle).

Depois da acelerada “Everybody Dies”, que ganhou um lyric video, temos um ponto alto, que também ganhou um lyric video: “Star of Sirrah”. Com referências à “eternidade líquida” (“Liquid Eternity”) de 01011001, traz o primeiro solo de um convidado: Paul Gilbert, que faz um brilhante trabalho na segunda metade desta peça matadora. Esta é uma das que mais chega perto do Star One – com efeito, o riff principal parece tirar inspiração de “Earth That Was”.

E falando em “that was”… na quinta faixa, “All That Was”, afloram os temperos folk, como acontecia em “River of Time”, do 01011001. Seu clima melancólico é acentuado pela harmonização dos vocais de Simone e Floor. “Run! Apocalypse! Run!” soa menos cataclísmica do que seu título sugere, mas a velocidade é condizente. Depois dela, mais um momento de melancolia em “Condemned to Live”, o encerramento do disco 1, em que os personagens lidam com o sentimento de culpa por fugirem do planeta enquanto todo o resto – incluindo seus entes queridos – fica para morrer.

O disco 2 abre tão bem quanto o anterior, com uma tríade de faixas fortes: “Aquatic Race”; “The Dream Dissolves”, que traz os solos inspirados de Mark Kelly e Marcel Coenen; e “Deathcry of a Race”, uma faixa muito especial, pois traz a brevíssima, porém belíssima participação de Zaher Zorgati. Depois delas, a igualmente boa “Into the Ocean”, que referencia mais o rock progressivo clássico sem perder o peso.

A boa “Bay of Dreams” nos leva à ótima “Planet Y Is Alive!”, cujo início, de novo, faz chupim de Star One, desta vez da arrebatadora “Down the Rabbit Hole”. Nela, temos um delicado solo de Guthrie Govan preenchendo um inesperado momento leve na segunda metade. A morna “The Source Will Flow” é o momento mais leve do disco, sem nadica de nada de guitarras, mas com uma passagem cantada por James que nos remete à parte cantada por David Gilmour no clássico “Comfortably Numb”, do Pink Floyd.

Chegamos à reta final com a ótima e positiva “Journey to Forever”, citando o “mundo sem muros” em que eles querem viver – e que é referenciado também em “Beneath the Waves” e no final de “The Sixth Extinction”, do 01011001. Ela emenda numa espécie de encerramento duplo: “The “Human Compulsion”, que reprisa o riff do terceiro quarto de “Sea of Machines” e, mantendo uma tradição dos encerramentos dos álbuns do Ayreon, coloca todos os personagens para cantarem brevemente suas considerações finais; e o encerramento de fato, a ameaçadora “March of the Machines”, que conclui com o gancho perfeito para 01011001: “the age of shadows will begin”.

Gostaria de dedicar espaço a algumas performances que merecem comentários a parte. A começar por Tobias Sammet, que, por um acaso, lidera o Avantasia, a metal opera mais famosa e bem sucedida da história. Que ele é um baita vocalista, ninguém duvida, mas o ambiente diferenciado do Ayreon lhe permitiu explorar aspectos pouco conhecidos de sua agradável voz.

O australiano Michael Mills é outro que merece aplausos. Ele já havia mandado muito bem em The Theory of Everything – quem não se arrepia com “The Parting”? -, mas é aqui que ele realmente mostrou toda a sua versatilidade vocal. E aproveito mais este texto para renovar minha recomendação para sua banda principal, Toehider, que trabalha com uma grande gama de subgêneros do rock e do metal.

As majestosas Floor Jansesn e Simone Simons, infelizmente as únicas mulheres, oferecem um lado vocal indispensável para uma metal opera com direito a dueto soprano em “Deathcry of a Race”. Por fim, elogio novamente o tunisiano Zaher Zorgati. Como podem tão poucos segundos marcarem tanto? Para quem não sabe, os versos dele significam “Ele disse ‘que se faça a luz’; e a luz se fez” em árabe.

Pra não dizerem que eu só babei ovo no texto – desculpem-me, mas é Arjen Anthony Lucassen – fica aqui uma observação. O excesso de passagens que dialogam com Star One empolgam, mas percebo uma certa autorreciclagem de riffs que me remete ao In Paradisum (resenhado neste blog), do supergrupo Symfonia, encabeçado por Timo Tolkki, que teve fria recepção da crítica justamente por isto.

Nota = 5/5. Nesta vida, só temos duas certezas: a morte, e que Arjen colocará algo bom no mercado. The Source é uma aula de metal progressivo pesado, direto e voltado para a ficção científica e mais uma joia desta fábrica de obras-primas. A não ser que tenhamos o melhor ano da história do gênero, não leve a sério nenhuma lista de melhores lançamentos progressivos de 2017 que não inclua este discaço.

Abaixo, o vídeo da faixa “The Day That the World Breaks Down”:

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Resenha: The Diary – The Gentle Storm

Breve histórico: The Gentle Storm é um projeto fundado em 2014 pelo multi-instrumentista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon, Star One, Guilt Machine, Ambeon, Stream of Passion) e a cantora Anneke van Giersbergen (The Gathering), ambos holandeses. Com uma proposta diferenciada no universo de Arjen, o lançamento de estreia da dupla, The Diary, consiste em um álbum duplo, com cada metade contendo exatamente a mesma lista de faixas, mas em versões diferentes. O primeiro álbum, o álbum “gentle” (“suave”), traz as faixas em versões acústicas e folk. Já o outro álbum, o “storm” (“tempestade”), traz as mesmas faixas em uma roupagem do mais pesado metal.

Reprodução da capa do álbum (© Inside Out Music)

Reprodução da capa do álbum (© Inside Out Music)

A ideia de trabalhar uma mesma faixa em versões contrastantes não é, claro, a descoberta da pólvora. Quem jogou Banjo Kazooie deve se lembrar da fase Click Clock Wood, que tinha quatro ambientes (cada um dedicado a uma estação do ano) e uma mesma música cujo clima variava de acordo com a época escolhida. A própria Gruntilda’s Lair, caverna que dá acesso às fases do jogo, apresentava um mesmo tema que variava quando o jogador se aproximava da entrada de alguma fase.

Enfim, o conceito trazido por Arjen e Anneke aqui, mesmo que não seja inédito, é bem-vindo e ganha pontos pela tentativa de adotar uma dinâmica nova. Há duas maneiras de se apreciar este álbum: ouvindo as faixas na ordem em que são apresentadas (o que significa ouvir o CD “Gentle” inteiro, e depois o “Storm”), ou então ouvir as faixas em sequência, mas alternando suas duas versões (versão “gentle” e “storm” da primeira faixa, versão “gentle” e “storm” da segunda, e por aí vai).

Ouvi-lo da primeira forma pode virar uma experiência tediosa no álbum “Gentle”, que vai ficando sonolento na segunda metade, especialmente se você está acostumado com os álbuns predominantemente pesados de Arjen. Já a segunda forma permite entender melhor o contraste entre cada versão.

A primeira preocupação em um projeto de Arjen com um só vocalista (posto que ele geralmente contrata vários) é se a voz dará conta do recado. Neste caso, é uma pergunta desnecessária, primeiramente porque Anneke tem uma voz belíssima, que entra direto na alma. E também porque as melodias são pegajosas e engrandecidas pelo uso de backing vocals da própria Anneke, e você pode se pegar cantarolando uma música que acabou de conhecer.

Embora elementos orquestrais não sejam novidade na música de Arjen Anthony Lucassen, é neste álbum que ele chega mais perto do que se poderia chamar de metal sinfônico, com direito a coral e tudo. Nada próximo de um Nightwish, claro, mas ainda assim os poucos instrumentistas eruditos quase valeram por uma orquestra inteira.

Menos diversificado que aquilo que Arjen costuma produzir, The Diary ainda consegue ter muitos pontos altos. A versão tempestade de “Shores of India” é talvez a melhor do disco. Sua versão “gentle” também não deixa nada a desejar, com sua introdução conquistando o posto de momento mais exótico do álbum e provavelmente de toda a carreira de Arjen. O encerramento “Epilogue: The Final Entry” repete o contagiante regrão de “The Moment”, em ambas as versões. A versão “gentle” de “Brightest Light” começa com uma cativante linha de contrabaixo, transformada em um épico riff de guitarra na versão “Storm”. A parte mais divertida da audição do álbum é justamente comparar as versões, e ficar se perguntando qual foi composta primeiro, se aquele riff foi pensado como folk e depois “metalizado” ou vice-versa.

Nota = 8. Por mais que Arjen seja um músico do tipo “tudo que toca, vira ouro”, não se pode negar que lançar um álbum com uma formação relativamente enxuta pode ter custado a grandiosidade que se viu, por exemplo, em The Theory of Everything, do Ayreon (resenhado neste blog). Mas, ei, quando foi que ele prometeu o álbum dos álbuns? A voz de Anneke é deliciosa de se ouvir, e os riffs de Arjen, já bem característicos, não falharão em empolgar os velhos fãs. E o abuso sem precedentes de elementos exóticos é muito bem-vindo. O que mais se pode pedir de um disco de estreia de dois músicos consagrados?

Abaixo, os lyric vídeos de “Endless Sea”, em suas duas versões:

Resenha: Arjen se supera novamente com “The Theory of Everything”, do Ayreon

Breve histórico: O Ayreon é o principal projeto do multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen. Há quase 20 anos na ativa, o trabalho ganhou notoriedade por já ter envolvido mais de 60 convidados diferentes (a maioria vocalistas) em sua discografia. Isso ajudou a fazer do Ayreon a maior rock/metal opera que já existiu.

Reprodução da capa do álbum (© InsideOut Music)

Reprodução da capa do álbum (© InsideOut Music)

O anúncio de The Theory of Everything levou os fãs à euforia especialmente porque alguns suspeitavam que o Ayreon estava acabado. O mentor do projeto afirmou em uma entrevista a Carl Begai que talvez dez anos poderiam se passar até ele compor um novo álbum para o projeto. Três anos depois, afirmou ao Metal Shock Finland que o Ayreon estava ficando financeiramente inviável. Ainda no mesmo ano, disse ao Road to Metal que, se os fãs não comprassem seus discos, ele pararia de fazê-los, afinal, eles são a única renda para o projeto, que, devido à quantidade de convidados, não tem como se apresentar ao vivo.

Enfim, o músico decidiu seguir em frente, e com a mesma fórmula: chamou um time de peso para colaborar com ele. A lista inclui, por exemplo, o trio Rick Wakeman, Keith Emmerson e Jordan Rudess, os três maiores tecladistas da atualidade. Para qualquer fã de rock progressivo, só eles já valeriam o disco inteiro. Mas não para por aí: Steve Hackett, do Genesis, também deu as caras. Troy Donockley, agora um membro oficial do Nightwish, contribuiu com seus instrumentos exóticos. Nos vocais, nomes como Marco Hietala (também do Nightwish), Cristina Scabbia (Lacuna Coil) e John Wetton (Asia, UK, ex-King Crimson, ex-Family, ex-Roxy Music), entre outros. É um time mais enxuto que os dos álbuns anteriores, mas não fica por baixo em termos de qualidade.

O álbum é composto por apenas quatro faixas, mas todas têm mais de 20 minutos. Por isso, foram divididas em 42 faixas menores para que pudessem caber nos dois discos. É verdade que quase todos os discos do Ayreon são conceituais, mas, normalmente, as faixas podiam ser apreciadas isoladamente, pois simplesmente marcavam momentos distintos da história de cada disco. Em The Theory of Everything, contudo, as faixas menores emendam uma nas outras de tal maneira que é impossível escutá-las como trabalhos separados. Assim sendo, esta resenha partirá do princípio de que se trata de um disco de quatro faixas, e não 42.

O álbum possui aquele som característico do Ayreon, com os típicos riffs pesados de Arjen harmonizados com cordas, flautas, órgãos Hammond e teclados progressivos. As quatro faixas, estruturalmente, seguem a mesma fórmula: diálogos entre os personagens separados por interlúdios instrumentais, alguns curtos e simples, outros mais longos e complexos. E há espaço para absolutamente todos os tipos de sons com os quais Arjen já está acostumado a lidar: passagens pesadas, sinfônicas, eletrônicas, progressivas, exóticas, belas, serenas, tensas, místicas e sinistras.

Aliás, o que chama a atenção ao longo do álbum é justamente esta variação constante de ritmos e climas. Passagens rápidas, pesadas e cruas cessam abruptamente para dar lugar a várias camadas de teclados atmosféricos enfeitados com vocais e solos leves na guitarra. A divisão das 42 faixas foi feita de maneira a respeitar estas mudanças de dinâmica.

O fã talvez sentirá falta de refrãos. Como um “Faroeste Caboclo”, as quatro faixas não possuem, digamos, momentos principais. Alguns riffs, contudo, são recorrentes: o riff de uma nota só (Ré) no baixo, que é ouvido no início de “Singularity” e no início e encerramento de “Unification”; e o riff principal da faixa-título, que foi dividida em três e tocada duas vezes em “Singularity” e uma vez em “Unification”.

Vale notar que Arjen nunca abusou tanto dos teclados. São vários os momentos no álbum em que riffs progressivos, psicodélicos e futuristas são apresentados aos fãs. Ao mesmo tempo, o músico arranha sua guitarra em alguns momentos com violência nunca antes vista no Ayreon, apenas no Star One, caracteristicamente mais agressivo que o principal projeto. O que é curioso, já que ele havia prometido um disco menos pesado que 01011001.

A história do álbum, como sempre, é fantasiosa e intrigante. O Prodígio (interpretado por Tommy) é um aluno brilhante que impressiona a seu Professor (JB) e causa inveja em seu Rival (Marco), que se considera o verdadeiro gênio. Ambos também disputam a atenção de uma Garota (Sara Squadrani). O Pai (Michael Mills) e a Mãe (Cristina) se preocupam com o filho e o levam ao Psiquiatra (John Wetton), para que este o ajude a se adaptar ao mundo, nem que para isso ele tenha que usá-lo como cobaia para uma nova droga que desenvolveu.

Nota = 9,5. É difícil apontar pontos altos no disco porque ele é inteiro um ponto forte. Arjen, um dos poucos músicos vivos que este que vos escreve se atreve a chamar de gênio, equilibrou muito bem o seu lado progressivo com o lado heavy metal, e, com a ajuda de todos os seus ilustres convidados, lançou talvez uma das maiores obras de metal progressivo até hoje.

Abaixo, um pedaço da faixa “Phase I: Singularity”, incluindo as partes 1 e 2 do trecho “The Theory of Everything”: