Post para abrir 2022

Seguindo uma fórmula aplicada a textos anteriores, escrevo aqui para abrir a temporada 2022 de posts no Sinfonia de Ideias. Confira os artistas que deverão lançar novidades neste ano (cuja maioria será evidentemente resenhada aqui), uma lista de sugestões de artistas novos descobertos no ano que passou e otras cositas más…

“Meu marido tem dois empregos”
Esta é a frase que minha esposa diria, tivesse eu uma. 2021 foi um dos meus melhores anos, profissionalmente falando. Além do contrato que eu havia conquistado com a TOTALprep, eu conciliei um segundo contrato com o Instituto Mindset. Não bastasse isso, ainda fiz meus primeiros trabalhos como facilitador e como tradutor simultâneo. Nunca postei tanto no LinkedIn, hehe.

Fim do canal “Quer ser resenhado?”
É com muita tristeza que eu anuncio que, a partir de 2022, o canal “Quer ser resenhado?” está fechado, por tempo indeterminado. Por meio dele, bandas, artistas solo e assessorias de imprensa podiam entrar em contato comigo para enviar material para resenhas. O motivo é simples: falta de tempo. Como acabei de dizer, agora eu tenho dois empregos e conciliá-los com os estudos e ainda o blog por quase todo o ano passado foi uma tarefa insana que não pretendo repetir em 2022. As assessorias que já têm meu contato podem continuar me enviando seus releases – digamos que é um “direito adquirido”, rs -, mas eu realmente não garanto quanto tempo vai demorar para eu fazer uma resenha (se for fazê-la, de fato).

Álbuns de 2022
Bandas e artistas com possibilidades de lançar material novo em 2021 incluem Timo Tolkki, Casa das Máquinas, Miya Folick, Metallica, X Japan (#euacredito), Nando Reis, Tierramystica, Avantasia, Stratovarius, Red Hot Chili Peppers, Star One, Pattern-Seeking Animals, D’Virgilio, Morse & Jennings, Bloodywood, Reckless Love, Equilibrium, Aurora, Steve Vai, Picanha de Chernobyl, entre outros. Lembrando que, evidentemente, outros artistas poderão anunciar nos próximos meses discos a serem lançados ainda em 2022, e também qualquer um dos citados acima pode postergar o lançamento de seus próximos trabalhos – especialmente por conta do impacto da pandemia na indústria musical.

Dicas de bandas/artistas novos
Aqui vão indicações de bandas e artistas novos que descobri em 2021. Alguns nem são tão novos assim, mas serão novidade para boa parte de quem me lê por serem relativamente desconhecidos. Embuti no nome de cada um deles(as) um link para um vídeo no YouTube contendo um clipe ou uma música do(a) artista, para que você possa experimentá-lo(a).

  • Octavision – projeto de metal progressivo majoritariamente instrumental do guitarrista armênio Hovak Alaverdyan. Seu disco de estreia, que chegou no finalzinho de 2020, traz participações de gente do naipe de Jeff Scott Soto, além de um time de músicos de apoio do mais alto calibre e alguns elementos folclóricos para coroar.
  • Medjay – mais uma (!) banda brasileira de metal oriental, estes rapazes se juntam ao Kattah, o Heretic e o Vikram para formar o inusitado “quarteto fantástico” do gênero no país.
  • Heretic – falando neles… estes têm uma discografia bem mais extensa que os outros três grupos e são essencialmente instrumentais. Divirta-se!
  • Karnak – na onda dos grupos brasileiros de metal oriental, registrarei também este já longevo conjunto de “world music”. Não são tão pesados (rock, no máximo), mas incorporam elementos de música do mundo todo numa mistura que merece seus ouvidos.
  • Marco Garau’s Magic Opera – agora quase todo mundo tem uma metal opera para chamar de sua. Esta aqui, diretamente da Itália, agradará fãs de Rhapsody of Fire e afins.
  • Powerwolf – este grupo alemão lançou um dos melhores discos de power metal de 2021 e enriqueceu muito sua não tão pequena discografia.
  • Hevilan – mais um grupo ajudando a elevar o nível do metal nacional, o Hevilan faz power metal com toques de thrash e, eventualmente, sinfônico. Preciso dizer algo mais?
  • Ayron Jones – este cara se define como “Michael Jackson tocando guitarra como Jimi Hendrix no Nirvana”. Ouça Child of the State, sua estreia por uma grande gravadora, e comprove.
  • Etherius – já temos vários grupos de metal progressivo instrumental, mas… cabe mais um, né? Especialmente se for bom como este.
  • Scardust – promissor grupo israelense de metal sinfônico.
  • Chaosbay – promissor grupo alemão de electronicore progressivo.
  • Pyramid Theorem – ótimo grupo canadense de metal progressivo, com três discos na bagagem.
  • Siba – este novo nome da MPB está conquistando a crítica, talvez conquiste você também.
  • Yossi Sassi (& The Oriental Rock Orchestra) – fora do Orphaned Land, o guitarrista lidera um projeto com seu nome que recentemente adotou também a extensão “The Oriental Rock Orchestra”. E nada poderia defini-los melhor: o grupo é uma usina de grandes peças de rock com elementos do Oriente Médio. Absolutamente imperdível.
  • Ignited – o Judas Priest brasileiro (embora hoje estejam sediados na Suécia).
  • Black Pumas – descobri este empolgante grupo de soul/rock indicado ao Grammy na cerimônia de posse do novo presidente dos EUA, Joe Biden.
  • DGM – eles nasceram como mais um grupo de power metal, mas foram lentamente “progredindo” seu som e hoje eu os considero o Symphony X italiano. Não por um acaso, a música linkada tem a participação de Russell Allen.
  • Nektar – grupo teuto-britânico meio esquecido dos tempos áureos do rock progressivo.
  • Fantástico Caramelo – quem me conhece sabe que não suporto indie, mas esta banda catarinense me conquistou. Quem sabe você também não se apaixona?
  • Marius Danielsen’s Legend of Valley Doom – mais uma metal opera, esta da Noruega e cheia de convidados pra lá de especiais dando as caras em seus até agora três discos.
  • Ágora – não conheço banda mexicana melhor de power metal progressivo.

Ao som de Prognoise.

Resenha: The Darkside of Human Nature – Dinnamarque

ilustração de uma cidade devastada com a figura da justiça entre um mar de caveiras e um bairro desolado. O logo da banda aparece no topo, ao centro, e o nome do disco vem no rodapé, também ao centro

Reprodução da capa do álbum (© ONErpm, arte por Rafael Dinnamarque)

Em 2020, celebramos o disco de estreia do quarteto mineiro de heavy metal Dinnamarque (liderado pelo vocalista e baixista Rafael Dinnamarque), que veio após quase 20 anos de estrada do grupo. Como que para compensar toda essa espera, 2021 nem acabou e a banda ataca novamente.

E põe ataque nisso! The Darkside of Human Nature, segundo lançamento dos rapazes, vem com tanta força que até assusta. Não que a estreia One Spirit of a Thousand Faces fosse ruim – muito pelo contrário, como indiquei na minha resenha a respeito, que você confere aqui -, mas este álbum aqui deu um salto em qualidade a ambição que raramente se vê na cena independente do metal nacional.

Se o trabalho anterior era simplesmente heavy metal tradicional com toques de power metal, agora o grupo assume este último como rótulo e ainda investe em orquestrações, teclados mais participativos e riffs mais dinâmicos.

A abertura épica e autointitulada dá o tom dessa empreitada, mas até faixas mais breves como “In the Water”, “Sacrifice” e “Rise of Fools” não deixam os elementos sinfônicos de lado.

Quer algo mais cru? A matadora “House of Madmen” não tem quase nada além de voz, guitarra, baixo e bateria. Quer um respiro? “Chains of Misery” é o mais próximo de uma balada que a obra tem. Quer uma surpresa? “El Matador” chega com um imprevisível clima… hispânico! Com trombetas, guitarra flamenca, castanholas e tudo. Eu não sei o que os caras estavam pensando quando resolveram fazer isso, mas foram muito felizes.

Se o disco de estreia fazia do Dinnamarque um nome “promissor”, The Darkside of Human Nature os consolida como destaque nacional e já impõe um nível bem alto a ser atingido no próximo lançamento.

Avaliação: 5/5.

Abaixo, a faixa “Out of Control”:

Resenha: Until the Sun Rise Again – Trend Kill Ghosts

mulher loira vista de costas e de vestido verde olhando para um horizonte de colinas em cima de uma pedra. Abaixo dela, várias mãos fantasmagóricas podem ser vistas. O logo da banda aparece no topo, centralizado, e o nome do disco vem no rodapé, também centralizado

Reprodução da capa do álbum (© Trend Kill Ghosts)

Potência emergente do power metal nacional, o quarteto paulista Trend Kill Ghosts lançou em 2021 seu segundo disco de estúdio, Until the Sun Rise Again, e reafirmou sua força como nome a se ficar de olho daqui para frente.

Com produção mais polida (eles mesmos admitem que fizeram “grande investimento” no trabalho), a banda mergulha mais fundo nas orquestrações e na adoção dos teclados (embora aparentemente nenhum membro assuma responsabilidade pelo instrumento), forçando os limites entre o power metal melódico e o metal sinfônico.

O calibre grosso dos caras continua certeiro, especialmente em “Rebellion”, faixa rápida que segue a mil por hora quase o tempo todo; e “Prisoners of Our Minds”, com vocais que deixariam Rob Halford com um sorriso no rosto e um solo de guitarra que causaria o mesmo efeito em Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween), mas… epa! É ele, o próprio, quem o executa!

Falando nisso, como na estreia Kill Your Ghosts (2019), o grupo novamente nos traz algumas parcerias de peso. Além do guitarrista alemão supracitado, temos também a espanhola Elisa C. Martin (Dark Moor, Dreamaker, Fairyland) em “When the Sunrise Again” e a nossa brasileira Marina La Torraca (Phantom Elite, Exit Eden, Avantasia) em “Poisoned Soul”. Ambas emprestam

A grande surpresa é “Puzzle Piece”, uma verdadeira homenagem aos anos 1980 em que o som abdica do power metal em favor de um hard rock que parece desencaixado do resto da obra, mas nem por isso ruim.

Boa pedida para fãs de power metal em seus vários desdobramentos, Until the Sun Rise Again será lançado em formato físico em janeiro e vale cada centavo do seu investimento.

Avaliação: 4/5.

Abaixo, o clipe de “Pupppets of Faith”:

* A resenha foi escrita por sugestão da assessoria de imprensa da banda.