Resenha: Second Nature – Flying Colors

Breve histórico: Juntando quatro nomes consagrados do rock e um vocalista/guitarrista relativamente desconhecido mas que fez jus à oportunidade concedida, Flying Colors é um dos supergrupos fundados por Mike Portnoy após sua saída do Dream Theater em 2010. O som do quinteto apresenta uma mistura de influências de rock progressivo, hard rock, pop rock e alguns aromas de heavy metal.

Reprodução da capa do álbum (© Mascot Label Group)

Reprodução da capa do álbum (© Mascot Label Group)

Após arrancar elogios da crítica especializada com seu disco de estreia, autointitulado (e resenhado neste blog), o Flying Colors conseguiu, aos trancos e barrancos, lançar seu segundo álbum, Second Nature. Aos trancos e barrancos porque as sessões de gravação foram intercaladas com as agitadas agendas dos integrantes. Alguns ensaios chegaram a ser realizados por videoconferência. Se fosse uma banda amadora, o resultado poderia ser um disco visivelmente feito nas coxas. Mas como se tratam de cinco profissionais, sendo quatro com vasta experiência, o resultado foi positivo.

Mike Portnoy, Neal Morse, Steve Morse (sem parentesco), Dave LaRue e Casey McPherson são os componentes deste supergrupo que desde o início já havia colocado a crítica aos seus pés. O que eles têm a nos dizer com Second Nature? Em primeiro lugar, eles acabam com qualquer dúvida sobre a capacidade dos envolvidos em apresentar um trabalho melhor que o anterior.

Não que o som tenha sofrido uma grande mudança, mas o amadurecimento é evidente. Se em Flying Colors a banda explorava suas incontáveis influências faixa a faixa, já gozando de uma química musical dificilmente estabelecida tão rápido, em Second Nature ela parece ter achado um denominador comum. Não uma estrutura a ser reproduzida em todas as faixas, mas um ponto referencial em volta do qual as músicas serão desenvolvidas.

Cada riff do álbum tem um tempero especial. O folk da abertura de “One Love Forever”, o momento Bruce Springsteen na segunda metade de “Cosmic Fusion”, as lembranças de The Winery Dogs em “Bombs Away”, e por aí vai.

Um disco daqueles que já nasce candidato a top 10 de 2014, que agradará aos fãs da maioria das vertentes do bom e velho rock e que faz jus ao poderio dos envolvidos.

Nota = 9,0. No primeiro trabalho, a banda tinha tempo, mas não tinha ainda uma identidade certa. Neste segundo disco, eles tinham identidade, mas não tiveram tempo. Imagine o que será do terceiro trabalho se os dois fatores casarem.

Abaixo, o video de “Mask Machine”:

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Resenha: Flying Colors tem qualidade para ser uma banda “séria”

Breve histórico: Flying Colors é um supergrupo de rock recém-nascido, formado por Mike Portnoy na bateria e nos vocais, Dave LaRue no baixo, Casey McPherson nos vocais, guitarra e teclados, Neal Morse nos teclados e vocais e Steve Morse na guitarra. Um time, no mínimo, de muito peso. Diferente da linha mais pesada do Adrenaline Mob (outra banda que Mike ajudou a formar após sua saída do Dream Theater e cujo álbum de estreia foi resenhado neste blog), o Flying Colors traz uma sonoridade mais leve e semelhante ao som progressivo do rock dos anos 70.

Reprodução da capa do álbum (© Radiant Records)

Quando surge um novo supergrupo, a expectativa gerada entre os fãs e os críticos é grande: é mais uma banda onde cada integrante demonstra suas habilidades indiscriminadamente sem um propósito claro, ou um conjunto no qual a “química” realmente aconteceu? Definitivamente, o Flying Colors se enquadra na segunda categoria.

Não que o álbum de estreia do grupo, autointitulado, trate-se de uma obra prima do rock contemporâneo, longe disso. Mas é provavelmente um dos trabalhos mais bem feitos dos integrantes que formam o grupo. Cada um deles parece estar tocando bem à vontade, como se a banda já existisse há anos e os membros fossem companheiros de longa data. No caso de Mike & Neal e Steve & Dave, isso não deixa de ser verdade, já que eles trabalharam juntos no Transatlantic e no Dixie Dregs, respectivamente.

Não cabe aqui fazer comparações com os projetos antigos ou paralelos dos membros da banda. O que é possível se afirmar com segurança é que cada músico está muito bem fazendo o que faz. Mike não está distribuindo pancadas arrepiantes em sua bateria como fazia no Dream Theater, mas a suavização que trouxe às suas linhas caíram como uma luva no grupo. Dave e Steve trouxeram riffs bem interessantes no baixo e na guitarra, que transportam o ouvinte automaticamente para algumas décadas atrás, quando o rock estava no seu auge. Neal completa a sonoridade com seus arranjos únicos, além dos vocais, feitos por ele e por Casey, um músico praticamente desconhecido se comparado aos outros quatro, mas nem por isso menos capaz. Se ele precisava de um momento para alavancar sua carreira, este momento chegou, e ele soube aproveitá-lo.

É difícil descrever o que o quinteto produziu com Flying Colors, mas basta dizer que é um trabalho impecável. Há espaço para músicas leves (“Blue Ocean”, “Better Than Walking Away”), pesadas (“Shoulda, Coulda, Woulda”, “All Falls Down”) e melódicas (“Kayla”, “Everything Changes”). Mas em nenhum momento o álbum parece perder a conexão que existe entre suas faixas, o que faz da sua sonoridade algo diverso, e, ao mesmo tempo, constante. Todos os elementos acabam convergindo em uma mistura na faixa épica “Infinite Fire”, de 12 minutos, que fecha a obra.

Nota = 8,5. Ótimo começo para uma banda nova, o que se deve, é claro, à vasta experiência de cada um dos músicos envolvidos, apesar de isto não ser garantia para um bom álbum. Se as agendas dos músicos assim os permitirem, o Flying Colors tem grandes chances de render uma banda “séria”, que produza mais álbuns e turnês, em vez de empacar no primeiro ou segundo disco, como acontece com muitos supergrupos.

O Flying Colors ainda não tem vídeos promocionais nem registros de performances ao vivo, mas você pode conferir algumas cenas das gravações do álbum com algumas faixas ao fundo: