Resenha: Into the Rain – Radio Front

Reprodução da capa do álbum (© Radio Front)

Diretamente da zona norte carioca, vem um promissor quinteto de grunge/rock alternativo de nome Radio Front. Na bagagem, o vocalista deles, Felipe Nova, traz uma viagem de estudos para Hollywood. Com esta experiência, ele se juntou a Bruno Moreira (guitarra), Victor Larcher (guitarra), Marcelo Moreira (baixo) e Leonardo Bourseau (bateria).

A estreia deles, Into the Rain, foi em 2018, e se deu na forma de um CD com 12 faixas cujo som se apoia nos nomes mais clássicos do grunge/pós-grunge, incluindo Soundgarden, Nickelback (sim, aquela que todos amam odiar), Stone Temple Pilots, Pearl Jam, etc.

Essas influências já se fazem sentir logo na cativante abertura “My Body”, e praticamente não há momentos no álbum que fujam muito desta vibe.

As exceções são a introdução da faixa-título (lançada como uma canção independente no disco), embora momentos serenos assim não sejam lá tão raros no gênero; a tribal e acústica “Black Soldier”; e a acelerada “In My Room”, que troca o grunge pelo punk e foi espertamente deixada para encerrar a obra, de forma a não termos um elemento estranho no meio das faixas.

Outros destaques incluem “Cut My Wings” e “Gravity”, dois excelentes testemunhos da qualidade do som dos caras. A segunda tem uma espécie de interlúdio punk bem alinhado com “In My Room”. E para os fãs de baladas, temos a emotiva “Heartburn”.

Navegando entre diversas facetas do grunge e do rock alternativo em geral, o Radio Front se estabeleceu já de cara como um nome promissor e firme do rock nacional, ainda que cantado em inglês.

Nota = 4/5

Abaixo, o clipe de “Into the Rain”:

* A resenha foi escrita após sugestão da assessoria de imprensa da banda.

Resenha: Reflexicon – Reflexicon

Reprodução da capa do álbum

Quando vi esta nova banda numa lista de lançamentos recentes rotulada como “metal progressivo”, não tardei em correr atrás de ouvir seu álbum de estreia autointitulado. Mas logo nos primeiros acordes, percebi que houvera um engano na categorização da música deles. Só que há surpresas que vêm para o bem…

O Reflexicon não faz nada assim, digamos, surpreendente ou extraordinário, mas misturam de maneira pouco vista elementos de muitos gêneros não tão distantes uns dos outros, ficando ali naquelas tênues linhas que separam grunge, hard rock e stoner. E sim, temos alguns toques progressivos.

Mas o rótulo de “metal progressivo” não deixa de ser estranho. É fato que esses estadunidenses de Chicago fazem canções dinâmicas e com durações não-ortodoxas. Mas se for assim, vamos ter que atribuir o rótulo “progressivo” a nomes tão diversos quanto Legião Urbana, Aerosmith, Nando Reis e Iron Maiden.

O único momento próximo disso seria a faixa de encerramento “Nightmare”, com pouco mais de nove minutos e um número razoável de variações para justificar um comprimento desses. Quero dizer, a música em questão chegou a este tamanho de maneira lógica; em nenhum momento pareceu-me que a banda estava se obrigando a fazer algo longo.

A força do quinteto está especialmente em sua ala instrumental. São riffs abrasivos nas seis cordas de Jerry Buczko e Paul Kratky, uma bateria pulsante nas baquetas de John Ashe e um baixo proeminente nos dedos de Bill Dixon.

O vocal que não deixa os companheiros na mão é a voz arranhada de Fred Morg. Ele faz parecer que Sammy Hagar virou o vocalista do Sons of Apollo ou do Nickelback – dois exemplos de grupos que soam diferentes mas cujos fãs podem encontrar algo para gostar aqui.

Esta cozinha visceral e a voz acima de qualquer suspeita que compõem o som do Reflexicon são basicamente o motivo pelo qual eu indicaria esta banda a qualquer pessoa interessada em alguma novidade do rock moderno.

Nota = 4/5

Abaixo, o lyric video de “Grasp at the Sky”:

Resenha: Stolen Byrds – Stolen Byrds

Breve histórico: Stolen Byrds é um quinteto paranaense de rock de Maringá que surgiu nesta década e vem fazendo considerável sucesso em seu estado natal com seu rock anglófono diverso e de qualidade acima da média nacional.

Reprodução da capa do álbum (© Stolen Byrds)

Reprodução da capa do álbum (© Stolen Byrds)

Após um bem recebido álbum de estreia, Gypsy Solution, os paranaenses do Stolen Byrds voltam a acenar para o mundo com 13 faixas de fino rock cantadas em inglês, passando definitivamente pelo teste da continuidade, também conhecido como “tinha mais de onde veio o primeiro”. A marca de Stolen Byrds é a ousadia e a diversidade de influências. Se o primeiro lançamento era mais focado em hard rock, este rompe barreiras e abraça mais elementos, incluindo stoner, grunge, alternativo e heavy metal.

Há música para todos os gostos. “Come Undone”, “Save Your Heart”, “Face the Light”, “Sons of Babylon” e “You Gotta Believe” integram o grupo mais predominante, com uma mistura dos elementos supracitados. “Artemis” e “Beggin’ for You” ainda trazem uns temperos country, com direito a um longo solo de gaita por João Fortes na segunda. E o que dizer de “Move On”? Parece ter sido escrita por alguém numa garagem de classe média no subúrbio de Seattle no início dos anos 1990 em conexão sense8ística com um motoqueiro numa estrada do sudoeste estadunidense nos anos 1970.

“Shiva” é um trabalho primeiramente acústico, e depois marcado por um longo solo de guitarra, numa roupagem leve e madura digna de um Eagles. Outra canção com essa instrumentação mais leve é “Requiem”, que sequer traz percussão.

A reta final do álbum é marcada por faixas mais peculiares, a começar pela campeã neste quesito: “Travelling to the Sun”, a maior do disco. Começa progressiva, desemboca no grunge e sua segunda metade é marcada por um longo solo de saxofone à la Steve Mackay (por Claudio Caldeira) e um discurso do orador, escritor e humanista indiano Jiddu Krishnamurti, proferido em 1970 na Universidade Estadual de San Diego, nos EUA.

Em seguida, vêm as já citadas “Requiem” e “You Gotta Believe” e então “Rain Time”, uma balada grunge com destaque para a performance do vocalista Edwardes Neto. E fechando de vez a lista de faixas, “Make Until the Day”, um trabalho de tom mais alegre e esperançoso com vocais de apoio meio gospel ao fundo, providos por Patrícia Borges e Fernanda Persona.

Alguns poderiam considerar a mudança na sonoridade como “radical”, mas os Stolen Byrds escolheram a hora certa para mudar. Antes mudar agora do que mais tarde, quando o som está cimentado e a comunidade de fãs já está com os ouvidos afiados para certo tipo de música. Se é que podemos falar em “mudança”, é claro. Pode ser que os maringaenses simplesmente tenham objetivado abrir seu leque de influências e mostrar tudo com o que podem experimentar antes de possivelmente decidirem por um direcionamento final.

Nota = 8. Rock sério, maduro, profissional e com a qualidade acima da média. Só o fato de terem um vocalista verdadeiramente bom e com um inglês não-macarrônico já os coloca à frente de muitas bandas novas brasileiras, mas é claro que isso não é tudo. Têm o mais importante, que é talento para compor e executar.

Abaixo, o álbum completo no canal oficial da banda: