Resenha: Angels of the Apocalypse – Avalon

Breve histórico: metal opera fundada pelo guitarrista finlandês Timo Tolkki (ex-Stratovarius, ex-Revolution Renaissence, ex-Symfonia), o Avalon conseguiu reunir em seu primeiro álbum The Land of New Hope (resenhado neste blog) alguns dos exponentes do metal mundial, entre eles Tony Kakko, Sharon den Adel e Jens Johansson. Com calorosa recepção por parte dos fãs e inevitáveis comparações com outra metal opera lançada na mesma época (The Mystery of Time, do Avantasia, resenhada neste blog), Timo teve um estímulo a mais para produzir o segundo dos três álbuns que comporão o projeto.

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Menos de um ano depois de lançar o primeiro álbum de sua trilogia, Timo Tolkki já estava na Grécia para buscar inspiração para o sucessor de The Land of New Hope. A viagem deve ter surtido efeito, pois aquilo que havia dado errado no disco anterior foi corrigido aqui, resultando em um trabalho melhor e mais relevante. Mas ainda há uns pontos a acertar.

O time instrumental é bastante econômico e consiste em uma espécie de reunião do Stratovarius pré-Jens Johansson e Jörg Michael: Tuomo Lassila e Antti Ikonen, respectivamente o baterista e o tecladista que ficaram na banda até o Fourth Dimension (1995), finalmente voltam a trabalhar com Timo, que assume também o baixo e um pouco dos teclados.

Para os vocais, foram convidados sete talentos (um a mais que o álbum anterior): David DeFeis (Virgin Steele), Floor Jansen (Nightwish, ReVamp), Fabio Lione (Rhapsody of Fire, Angra), Caterina Nix, Elize Ryd (Amaranthe), Simone Simons (Epica) e Zachary Stevens (ex-Savatage, Circle II Circle). Destes, apenas Elize Ryd já havia cantado na primeira parte da trilogia.

O resultado? Um álbum mais inspirado, mais pesado e mais marcante. Vale lembrar que o disco anterior trouxe vários convidados com talento demais e espaço de menos. Além disso, os riffs e solos de Timo pareciam sem sal. Aqui, o finlandês mostra um pouco mais de criatividade.

Da épica “Jerusalem is Falling”, precedida pela breve abertura a cappella “Song for Eden”, até o sereno encerramento instrumental “Garden of Eden”, com teclados à la Tuomas Holopainen, Angels of the Apocalypse vai apresentando uma faixa mais sombria e pesada que a outra – tudo dentro das intenções de Timo, que havia prometido um trabalho mais puxado para esse lado que o antecessor. Pudera, estamos na parte da saga em que a Terra é destruída. Lembrando que a trilogia está sendo lançada “de trás para frente”, ou seja, o primeiro álbum conta a última parte da história, na qual os personagens partem em busca de um novo lar.

Essa mudança de clima veio na forma de riffs graves, vocais agressivos ou melancólicos, letras apocalípticas e todo um clima criado com ajuda das orquestrações de Nicolas Jeudy. E o fã perceberá isso, seja nas faixas rápidas “The Paradise Lost” e “Stargate Atlantis” (ainda que nenhuma chegue perto de “To the Edge of the World”, do álbum anterior), nas épicas e grandiosas “Jerusalem is Falling” e a longa faixa-título, nas baladas “You’ll Bleed Forever” e “High Above Me” (ponto alto das vocalistas femininas), ou nos casos mais específicos: “Neon Sirens”, com a participação de Zachary e um clima de heavy metal tradicional; ou “Rise of the 4th Reich”, com rasgadíssimos, quase escarrados vocais de David ousadamente divididos por um trecho do discurso que George W. Bush, então presidente dos Estados Unidos, proferiu após os atentados de 11 de setembro.

Perfeito, contudo, este disco está longe de ser. Os riffs e solos de guitarra estão melhores, mas ainda não chegam perto do que era Timo à frente do Stratovarius. Tuomo fez um trabalho acima das expectativas para alguém com uma carreira inconstante no metal, mas Antti acabou ficando com um papel secundário, considerando que não foi ele o orquestrador no disco. Quanto aos vocalistas, cada um ganhou espaço justo, com cinco dos sete cantando ao menos uma faixa inteira sozinhos. As exceções são Elyze, que teve espaço de sobra em The Land of New Hope, e Caterina, que apenas fez backing vocais em “Stargate Atlantis”.

Uma pergunta fica no ar ao se terminar uma audição de Angels of the Apocalypse: que fim levou aquele concurso que Timo promoveria para selecionar guitarristas e tecladistas para solar com ele em uma das faixas? Parece ter sido abandonado, uma vez que, aparentemente, ninguém além de Timo sola no disco. Nada muito surpreendente para quem já é conhecido por mudar de ideia bruscamente. Além disso, estranhamente, já faz mais de um mês que ele não atualiza sua página oficial no Facebook, tampouco a página do Avalon. É justamente às vésperas do lançamento de um novo trabalho que os músicos mais se ocupam em usar suas redes sociais, em nome do marketing.

Nota = 7,5. Um trabalho melhor que o anterior, com erros corrigidos, mas falta algo. Falta um script mais acertado (com só uma das dez faixas com vocais trazendo mais de um vocalista cantando, o álbum é uma sucessão de monólogos). Faltam mais instrumentistas convidados, para dar charme às faixas. Falta uma produção que destaque melhor a guitarra do criador deste projeto. Até o momento, o Avalon é só mais uma metal opera, facilmente ofuscável pelos Avantasias e Ayreons da vida.

Abaixo, o vídeo de “Design the Century”:

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Resenha: Avalon faz estreia razoável com “The Land of New Hope”, mas precisa aprender com erros

Breve histórico: Com um time de primeira categoria, Avalon é uma metal opera e a mais nova empreitada de Timo Tolkki, guitarrista finlandês famoso pelos trabalhos com o Stratovarius, Revolution Renaissance e Symfonia (cujo único álbum foi resenhado neste blog).

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

O anúncio do projeto Avalon por parte de Timo gerou reações adversas. Muitos ficaram empolgados com a novidade, especialmente após verem a lista de músicos convidados, que só inclui nomes de peso: os vocalistas Elize Ryd (Amaranthe), Rob Rock (Impellitteri), Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob, Star One), Michael Kiske (ex-Helloween, Unisonic), Sharon den Adel (Within Temptation) e Tony Kakko (Sonata Arctica, Northern Kings); os tecladistas Jens Johansson (Stratovarius), Mikko Härkin (ex-Sonata Artcica, Cain’s Offering, ex-Symfonia) e Derek Sherinian (ex-Dream Theater, ex-Black Country Communion); e o baterista Alex Horlzwarth (Rhapsody of Fire). Timo ficou a cargo das guitarras, do baixo e da produção.

Outros fãs foram mais frios. Alguns ironizaram as similaridades com Avantasia, metal opera mais antiga que Avalon na qual Timo já trabalhou. Na verdade, o próprio Tobias Sammet, mentor do Avantasia, recebeu as notícias com sarcasmo: “Uau, alguém é extraordinariamente criativo aqui: o nome, os convidados, o tempo… Que coincidência engraçada, não é?!” Mais tarde, ele diminuiu o tom e afirmou: “Houve um monte de metal operas por aí, e eu tenho que lidar com isso. […] Eu desejo sorte a ele [Timo Tolkki]“. Outra preocupação dos fãs foi com a instabilidade mental do próprio Timo. Ele é conhecido por tomar decisões radicais e depois voltar atrás nelas. Enfim, este projeto, ele prometeu e cumpriu.

O álbum de estreia, The Land of New Hope, traz uma história pós-apocalíptica. Em 2055, a Terra é um local inóspito após ter sido devastada por terremotos, incêndios e tsunamis. Um pequeno grupo de sobreviventes parte, então, em busca de uma terra sagrada conhecida como “A Terra da Nova Esperança”. Na jornada, são guiados por uma vidente que os adverte que apenas os de coração puro podem passar pelo guardião que protege a entrada do local. É um enredo bastante clichê, é verdade. As letras também não têm lá uma dose generosa de originalidade. Algumas, aliás, lembram muito os trechos mais apocalípticos e dramáticos do álbum 01011001, do Ayreon, outra notória metal opera.

Musicalmente falando, o disco tem grandes momentos, mas nem tudo deu certo. Se for analisado isoladamente (isto é, como um disco comum), é um bom trabalho. Mas não é um disco comum. É um álbum de Timo Tolkki e dez músicos de qualidade e reconhecimento inquestionáveis. Logo, espera-se bastante coisa deles, e o julgamento deve ser rígido.

Comecemos pelo mentor: Timo Tolkki parece ofuscado pelos próprios convidados. Na metade das faixas, os riffs não são marcantes como costumavam ser, e a guitarra parece até um pouco distante, mal sustentando as faixas. Na outra metade, temos o Timo “de verdade”, com riffs que automaticamente fazem sua cabeça balançar, e os solos inconfundíveis do músico. Mas por que não temos isso em todas?

Dos outros quatro instrumentistas, três são tecladistas consagrados: Derek Sherinian, Jens Johansson e Mikko Härkin. O resultado, portanto, foi estupendo, certo? Errado. Estou até agora procurando os três no disco – só fui encontrar dois deles no meio da oitava faixa, “To the Edge of the Earth”, onde há um breve momento “cale a boca, resenhista!”, em que Jens, Derek e Timo solam um em seguida do outro, criando o ponto mais empolgante do disco. Mas ficou por isso mesmo a performance deles. Em termos de teclas, tudo o que se ouve no resto do disco, basicamente, são orquestrações, riffs simples de piano e sons sintéticos para dar um clima aqui e ali. São coisas que o próprio Timo poderia fazer sozinho, já que ele também é tecladista. O mentor do projeto não usou nem 10% do talento deste trio de lendas das teclas. Uma pena.

Quanto aos vocalistas, o trio Bob Rock, Russell Allen e Elize Ryd canta na maior parte das músicas e acaba tendo mais destaque do que os outros, portanto. Russell, como sempre, faz um bom trabalho e mostra por que tantos projetos querem a sua voz. Mas não dá para dizer que este é o melhor trabalho de sua carreira. A maioria dos discos do Symphony X, do Star One ou do Adrenaline Mob traz um Russell Allen mais inspirado e diverso. Rob teve mais oportunidade de mostrar seu talento, pois ganhou o dobro de faixas que Russell, inclusive duas nas quais ele canta sozinho. Dos vocalistas masculinos, foi o que melhor se saiu.

Elize Ryd é a cara mais nova do grupo, mas acabou roubando a cena. Dá para dizer que foi a melhor voz do disco. Seu cantar é forte e penetra fundo nos ouvidos, mas ela também sabe ser mais serena e moderada. Um de seus pontos altos foi “Shine” – pudera, aqui ela divide os vocais com Sharon den Adel, uma das maiores vocalistas do metal atualmente, que faz aqui sua única participação. Enquanto Elize se esgoela um pouquinho, Sharon mantém um tom mais sereno nos poucos versos que cantou, e a mistura deu certo – mas se uma cantora tão qualificada e versátil como a Sharon cantasse sozinha e desse jeito, seria mais um exemplo do que não se fazer com um convidado.

Tony Kakko deixa sua marca em uma única faixa, “We Will Find a Way”, que é uma das melhores do álbum, diga-se de passagem. É nela que Timo mostra um pouco mais de vontade na hora de fazer riffs. Já Michael Kiske, cantou apenas em uma faixa. Uma injustiça, já que ele merece sempre ter destaque em qualquer metal opera (não por um acaso, ele canta em todos os discos de estúdio do Avantasia, em boa parte das faixas). Ao menos, ele ganhou só para si a faixa mais longa, que serve de encerramento e leva o nome do álbum. Fez um bom trabalho, mas no mais recente disco do Avantasia ele demonstrou mais emoção.

Com exceção da abertura “Avalanche Anthem”, o começo de The Land of New Hope é sonolento. Melhora no meio com “We Will Find a Way”, “Shine” e “To the Edge of the Earth” e fecha com uma faixa boa, “The Land of New Hope”, mas não dá para se falar em chave de ouro aqui.

Nota = 6,5. Que fique bem claro: o disco vale a pena ser comprado, ouvido, guardado. Mas Timo Tolkki cometeu um erro aqui: alguns convidados sobraram. De que adianta chamar uma vocalista do nível de Sharon den Adel para ela cantar míseros seis versos sem muita emoção? E os tecladistas, que foram diluídos em um líquido quase sem sabor? Como Timo informou que The Land of New Hope seria parte de uma trilogia (a parte final, para ser preciso), então podemos esperar dois futuros discos nos quais estas deficiências talvez tenham sido superadas – isto é, se ele não tomar mais uma decisão abrupta e cancelar isto também. De Timo Tolkki, é preciso esperar qualquer coisa – eu falo sério.

Abaixo, a faixa “To the Edge of the Earth”: