Wikimedia e ufologia na Campus Party Brasil 2013: Conhecimento livre e os agroglifos em SC

O Sinfonia de Ideias esteve presente na última edição da Campus Party Brasil, no Anhembi Parque, em São Paulo. Como muitos sabem, eu, o autor deste blog, sou voluntário do Movimento Wikimedia Brasil, que participou do evento pela segunda vez, motivando minha ida até lá.

Confesso que a Campus Party é um ambiente estranho. Milhares de pessoas pagando 300 reais (preço para quem quis acampar) e carregando monitores de 40 polegadas e CPUs gigantes nas costas, para que possam passar o dia todo jogando World of Warcraft e outros games populares entre os nerds/geeks. Nunca vi a tal da “solidão coletiva” ficar tão escancarada.

Pois bem, Wikimedia. Eu e mais alguns voluntários nos organizamos para comparecer ao evento e tornar a entidade mais conhecida. Conseguimos encaixar duas palestras na programação: uma sobre cultura livre e outra sobre educação, sendo os dois temas tratados em paralelo com a Wikipédia, o mais conhecido projeto da Wikimedia. As apresentações das duas palestras podem ser baixadas gratuitamente aqui e aqui.

Procura-se este banner.

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Fizemos alguns panfletos e colamos pelas bancadas para divulgar os ideais do movimento – pena que metade deles, antes mesmo de ser espalhada, foi furtada. Furtaram até o banner que havíamos pendurado para sinalizar nossa localização no evento, que ocorreu num espaço assustadoramente grande. Se não furtavam nem os eletrônicos, por que furtariam papel? Vivendo e aprendendo.

Não conseguimos muita exposição na mídia, mas meus colegas chegaram a conceder entrevistas para o blog de divulgação da Campus Party (confira aqui) e para a EBC (confira aqui).

Ao longo do ano, os voluntários do movimento ainda pretendem organizar ou participar de outros eventos. Fique ligado!

Agroglifos

A.J. Gevaerd dando sua palestra na Campus Party.

A.J. Gevaerd dando sua palestra na Campus Party.

Agroglifos, também conhecidos como círculos ingleses, ou Crop Circles. São aquelas formações geralmente complexas e gigantescas que surgem em plantações no mundo afora. O fenômeno começou nos anos 70 na Inglaterra, nos arredores de Stonehenge, mas já foi registrado nos EUA, Alemanha, Coreia do Sul e Japão.

Na Campus Party, eles foram o tema de uma palestra de A.J. Gevaerd, editor da Revista UFO, a primeira e única revista brasileira a tratar exclusivamente do tema e uma das principais do mundo, e da qual eu sou tradutor ocasional.

A apresentação falou da história dos desenhos, suas características, por que não é loucura acreditar que sejam obras de seres extraterrestres e mostrou a chegada do fenômeno ao Brasil.

Há muita polêmica em torno dos agroglifos. Uns acham que é tudo armação, outros atribuem seu surgimento a fenômenos atmosféricos raros e outros acham que são resultado de manifestações divinas ou espirituais.

De fato, muitos desses desenhos são farsas. Mas acreditar que todos o sejam é, no mínimo, ingenuidade. Alguns desenhos simplesmente não poderiam ter sido feitos por uma ou duas pessoas ao cabo de algumas horas. São perfeitos e grandes demais. Hoje, mesmo com maquinário avançado, feixes de laser e aparelhos GPS, seria trabalhoso montar um desses. Quem dirá 30 anos trás, quando estas tecnologias só estavam ao alcance de militares.

Acreditar que eles tenham sido feitos por inteligências extraterrestres é mais do que uma simples opção de crença. Especialmente porque esses fenômenos muitas vezes são acompanhados de outras manifestações, tais como: inquietação nos animais; interferências em carros, celulares e outros equipamentos eletrônicos; e relatos de avistamentos de luzes estranhas nos céus acima das plantações.

Infelizmente, muitos meios de comunicação aceitam preguiçosamente a versão de que os desenhos são uma farsa de dois velhinhos britânicos. Não se dão ao trabalho nem de questionar a versão “oficial”.

O Brasil, país de destaque no cenário ufológico mundial devido à sua alta taxa de avistamentos e seu respeitável número de casos de abduções, não poderia ficar de fora da rota dos “desenhistas”. Só que os desenhos só chegaram aqui em 2008, mais precisamente na cidade de Ipuaçu, Santa Catarina. Ali, surgiu o primeiro círculo brasileiro de que se tem notícia. Era uma formação relativamente simples, mas digna de muita atenção.

Desde então, curiosamente, os círculos têm reaparecido lá, anualmente, sempre no mês de outubro. Quem sabe a cidade não aproveita para explorar o turismo em cima disso? É o que os ingleses já fazem com os seus círculos. Ou quem sabe isso não chama a atenção dos pesquisadores brasileiros? Durante sua palestra, Gevaerd lamentou que nenhuma universidade catarinense ou de outro estado tenha se dado ao trabalho de enviar um profissional ao local a fim de investigar o fenômeno. Um preconceito do qual a ufologia sofre no mundo inteiro, infelizmente.

É ÓBVIO que esta figura geometricamente precisa de 240 metros de diâmetro composta por mais de 400 círculos perfeitos foi feita por uma pessoa com um pedaço de pau e uma corda. Eu mesmo faço isso todos os dias no meu quintal, é tipo um hobby.

É ÓBVIO que esta figura geometricamente precisa de 240 metros de diâmetro composta por mais de 400 círculos perfeitos foi feita por uma pessoa com um pedaço de pau e uma corda. Eu mesmo faço isso todos os dias no meu quintal, é tipo um hobby.

Post para abrir 2013

Já faz um bom tempo que o Sinfonia de Ideias não dá sinal de vida – quase dois meses. É que o maestro andou ocupado, e os assuntos escassearam. Para não dizer que eu ainda não tenho do que falar mesmo depois de uns 50 dias inativo, farei aqui um pequeno resumo do que podemos esperar para 2013; assuntos que, potencialmente, renderão posts no blog.

Álbuns de 2013

O assunto principal deste blog é música, certo? Sendo assim, comecemos por ele então: Que resenhas os sinfoneiros podem esperar ver aqui? Bom, fazendo uma lista rápida, de cabeça, teremos em 2013 os novos álbuns de: Helloween, Stratovarius, Bon Jovi, Tierramystica, Haken, van Canto, Avantasia, e, talvez, Dream Theater, Ayreon e Motorocker. O do Helloween será lançado nesta semana, e a minha resenha já está em produção – deve ser publicada logo menos. Fique de olho!

Wikivoyage

O Wikivoyage é um dos novos filhote da Wikimedia Foundation (o outro é o Wikidata). Neste projeto, o objetivo é criar artigos de viés turístico sobre lugares do mundo todo (desde um continente inteiro até uma rua ou um parque). Como praticamente não é necessário citar fontes, muito menos manter um tom neutro na escrita (é um guia de viagens, oras), então eu recomendo o projeto para quem quiser começar a se aventurar no mundo da Wikimedia – afinal, a linguagem e a edição dele são muito menos burocráticas que as da Wikipédia. Já existem versões do projeto em inglês, em português e em sete outras línguas.

Falando em Wikimedia… o Movimento Wikimedia Brasil estará presente na Campus Party Brasil 2013, que acontecerá de 28 de janeiro a 3 de fevereiro, no Anhembi Parque, em São Paulo. Eu sou um dos possíveis voluntários que comparecerão ao evento, o que poderá resultar em um bom post para o próximo mês. Aguardem!

Golpe na PUC

O futuro na PUC segue incerto e o clima político está quente. Cada lado da guerra está usando todas as suas armas jurídicas. Eu estou cozinhando um post sobre o assunto desde o ano passado – se o primeiro semestre render mais alguma coisa, eu o solto. Se o clima esfriar, o que eu duvido muito que aconteça, eu deixo o texto na lixeira e vocês jamais saberão o que eu pensava exatamente do golpe, da greve e das suas consequências. Bwahaha.

Eu ainda não sei como serão minhas aulas neste ano, mas sei que pelo menos a produção do meu suado TCC está garantida. O tema dele já está decidido, mas vou aguardar antes de anunciar publicamente.

Plano diretor de Cotia

Se você acha que a eferverscência política na minha vida irá se limitar à PUC, está enganado(a). O meu bairro chegou a um momento decisivo. Até junho deste ano, a prefeitura de Cotia deve votar o novo Plano Diretor da cidade, que pode permitir a construção de prédios com mais de quatro andares – algo proibido hoje. Ou melhor, quase. Tudo é facilmente burlável – no caso, basta comprar um terreno que esteja em declive para baixo do nível da rua. Pela lei, não são considerados os andares subsolos, o que possibilita a construção de prédios com, digamos, oito andares: dois ou três acima da rua, que são os “que valem”, e mais cinco ou seis “subsolos” – para todos os efeitos, é um prédio.

A situação é crítica e as consequências serão graves, por isso, peço a todos que moram em Cotia e arredores que deem atenção especial ao assunto, que será coberto em todas as mídias da região, incluindo no Granja News, onde eu trabalho hoje, e neste blog.

“Mas Victor, peraê, você não mora em Carapicuíba?” – Sim, moro. Mas e daí? O que acontecer em Cotia me afetará diretamente – o trânsito infernal será apenas o mais óbvio dos exemplos. Por isso mesmo que eu disse: “[…] peço a todos que moram em Cotia e arredores que deem atenção especial ao assunto.”

Ok, confesso, eu fiz um post recentemente…
…só que eu fiz apenas para o Whiplash. É uma lista com dez paródias do “Weird Al” Yankovic. Havia poucas menções a ele no site, e como ele já brincou muito com rock e metal, eu achei digno fazer o texto. Clique aqui para conferir!

Dicas de bandas novas
Abri a lista com música, e com música a fecharei Aliás, fecharei a lista com outra lista. Em 2012, como sempre, descobri novas bandas. Bem, algumas não são tão novas assim. Algumas são até bem velhas. Mas enfim, descobri. E listo-as abaixo para quem quiser uma oportunidade de também descobrir algo novo (e bom). Eu ia colocar um vídeo para cada uma, mas aí o post ia ficar gigantesco, difícil de ler e lento para carregar, então, embuti um link para o YouTube em cada uma das bandas/artistas.

  • Dreamtale (power metal clichezão)
  • Trick or Treat (power metal fortemente influenciado por Helloween – começaram como uma banda cover deles, afinal)
  • Adrenaline Mob (heavy/groove metal, com Mike Portnoy na bateria, Russell Allen nos vocais e Mike Orlando nas guitarras)
  • Flying Colors (O mesmo Portnoy na bateria/vocais, Neal Morse nos teclados/vocais, Casey McPherson nos vocais/guitarra, Steve Morse na guitarra/violão e Dave LaRue no baixo. Precisa dizer mais alguma coisa?)
  • Motorocker (hard/blues rock, começaram como banda cover do AC/DC, mas agora lançam músicas originais com excelentes letras. Produto nacional! \o)
  • Calle 13 (hip-hop/reggaeton/música latina/música urbana. Na verdade, eu já havia descoberto essa banda em 2008, mas só ano passado resolvi ir atrás de outras músicas deste grupo de Porto Rico, e não me arrependi nem um pouco. Letras inteligentes, críticas e politizadas, aliadas a sons ecléticos e modernos)
  • Dezperadoz (country metal. A melhor banda que conheço do gênero, fazendo uma maravilhosa mistura de sons do velho oeste com o peso do heavy)
  • Haken (metal progressivo. Um ótimo grupo, com músicas criativas e divertidos interlúdios com clima jazz)
  • Theocracy (power/white metal. Eu sou ateu e curti esta banda cristã. Fica a dica da qualidade dos caras)
  • Sinbreed (power metal, também na vibe do Helloween – de fato, o vocalista lembra muito o Andi Deris)
  • The Kordz (metal/rock oriental. Banda nova que adiciona toques do oriente médio ao seu som relativamente leve para uma banda de metal)
  • Farzad Golpayegani (metal progressivo/oriental feito por um guitarrista iraniano que faz músicas instrumentais. Merece aplausos não só pelo som, mas pela iniciativa de fazê-lo em um país tão intolerante com sons ocidentais)
  • Terra Celta (folk/celtic rock com letras inteligentes e divertidas aliadas ao clima irlandês trazido pelos instrumentos exóticos. Mais um produto nacional! \o)
  • Beyond the Bridge (metal progressivo/sinfônico. Achei meio sem sal a princípio, mas, ouvindo melhor, percebi que não se tratava de uma banda qualquer)
  • Fresno (É isso mesmo que você leu. O álbum mais recente deles, Infinito, foi o que finalmente me mostrou que eles não são mais uma banda emo. Na verdade, a instrumentação do disco está bastante densa e rica, muito acima do lixo que se ouve hoje de bandas que ainda não saíram da fase emo/happy)
  • Acyl (metal étnico/tribal, meio africano, com toques que lembram de System of a Down a Myrath)
  • Hardline (hard/glam dos anos 80, daqueles bem saudosistas)
  • Diablo Swing Orchestra (metal sinfônico/swing. A banda mistura metal com instrumentos de swing e música clássica (trombones, violoncelos, trompetes), criando uma combinação inusitada que deu muito certo (com eles, pelo menos))
  • Bak (metal oriental com toques progressivos)

Ao som de B’z.

Wikimedia no Brasil: um passo em direção ao conhecimento livre

Durante um feriado chuvoso em São Paulo, enquanto alguns ficavam enfurnados em suas casas de praia e outros aproveitavam para adiantar trabalhos de faculdade, um pequeno grupo de voluntários iniciava um novo capítulo na história da luta pelo conhecimento livre.

Falo da fundação da APR-CCL: Associação Pietro Roveri pela Colaboração e Conhecimento Livres, da qual o autor deste blog se tornou membro fundador no ato da fundação. A APR-CCL tem como objetivo primeiro apoiar e promover os projetos da Wikimedia Foundation (organização estadunidense sem fins lucrativos responsável por sites como a Wikipédia e seus projetos-irmãos) no Brasil , mas antes ela precisa ser aprovada pelo Affiliations Committee, o Comitê de Afiliações da Wikimedia Foundation.

E qual a importância disto? Bom, ter uma associação com endereço e CNPJ facilita a formação de parcerias entre a Wikimedia e outras instituições, de modo a aumentar a atuação dela no Brasil e multiplicar os canais que serão usados para disseminar a mensagem daqueles que dedicam seu tempo livre ao movimento.

Voluntários do Movimento Wikimedia Brasil votando a favor da fundação da APR-CCL (foto por Marcio de Assis).

Para saber mais sobre a associação, a Wikimedia, alguns de seus projetos no Brasil e como se tornar um voluntário, confira a minha matéria de rádio, feita para a disciplina de Radiojornalismo II do curso de Jornalismo da PUC-SP e posteriormente transformada em uma mídia livre, disponibilizada no Wikimedia Commons e no Soundcloud. Inclui minha narração com minha voz horrível; algumas entrevistas; um trechinho de um vídeo de Jimmy Wales, fundador da Wikimedia; e um jingle totalmente composto, tocado e gravado por mim com o meu teclado: