Resenha: Songs the Night Sings – The Dark Element

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Quando o The Dark Element (supergrupo formado pelo guitarrista Jani Liimatainen (ex-Sonata Arctica, Cain’s Offering, Blackoustic) e a cantora Anette Olzon (ex-Nightwish) anunciou seu segundo disco, metade de mim pensou: “minha nossa, o primeiro lançamento não foi ruim o suficiente para eles perceberem que a parceria não funciona?”. A outra metade foi mais para o lado do “que bom, eles terão mais uma oportunidade de mostrar se são dignos de nossos ouvidos”.

Felizmente, meu lado mais fanboy e otimista levou a melhor desta vez. Porque a dupla aproveitou a chance. Songs the Night Sings não pode nem sonhar em entrar no meu top 10 de final de ano, mas sem dúvidas é uma grande evolução com relação à estreia autointitulada deles (clique aqui para conferir minha resenha a respeito).

O álbum ainda soa irritantemente comercial, mas desta vez o grupo faz disso uma característica de seu som, e não uma tentativa de agradar o titio mercado. As primeiras faixas já nos trazem riffs e solos de mais atitude (importantes para um supergrupo formado por um guitarrista de renome) e orquestrações mais respeitosas.

Mesmo as músicas que desaceleram, como “When It All Comes Down” e “To Whatever End”, fazem-no sem perder o peso e a atitude, mantendo uma firmeza razoável do começo ao fim. Não temos lá uma incursão profunda por novos territórios musicais conforme prometido no material de divulgação do trabalho, mas com certeza houve uma busca por algo mais distante da zona de conforto.

Jani, que ficou devendo (e muito) no disco anterior, ressurge ainda bem aquém de suas capacidades – aparentemente ele reserva sua própria nata para o Cain’s Offering – mas com uma performance mais respeitável, de qualquer forma.

Anette, por sua vez, manteve o bom nível ouvido na estreia. Desta vez, ela não teve de levar tudo nas costas e o projeto está funcionando mais efetivamente como uma parceria de duas pessoas, isto é, ambas as partes estão se entregando bastante – mas ainda sem darem o melhor de si.

Vale lembrar que o The Dark Element segue apoiado por uma dupla. O baixista Jonas Kuhlberg repete seu papel, enquanto que Rolf Pilve (Stratovarius) faz em Songs the Night Sings sua estreia nas baquetas.

Nota = 4/5.

Abaixo, o clipe de “Not Your Monster”:

Resenha: Talviyö – Sonata Arctica

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

O décimo álbum de estúdio é uma marca importante – e respeitável – para qualquer banda. Algo a ser celebrado. No caso da lenda finlandesa do power metal Sonata Arctica, esta marca será lembrada com desgosto.

Porque tirando a regravação do Ecliptica, realizada em 2014 para celebrar seu 15º aniversário e que acabou sendo um ataque gratuito e desnecessário ao disco de estreia deles que nunca fez mal a ninguém, Talviyö é, simplesmente, o ponto mais baixo da carreira do quinteto.

O álbum, cujo nome significa “noite de inverno” em finlandês, carece de tudo o que se esperaria de um lançamento deles. Não temos refrãos memoráveis, não temos solos dignos, não temos quase nenhum riff inspirado e todos os envolvidos parecem estar cumprindo suas funções por obrigação contratual, apenas. Ao final das primeiras escutadas, eu era incapaz de me lembrar de um único verso.

O seu antecessor, The Ninth Hour (veja aqui minha resenha a respeito), mesclava bem o que o Sonata Arctica moderno tem de bom e de ruim, frase que aqui significa “tem momentos bem sonolentos intercalados com retornos à era clássica e algumas inovações muito bem-vindas”.

Mas Talviyö, não. A abertura “Message from the Sun” é promissora (e o próprio vocalista, tecladista e compositor principal Tony Kakko admitiu que ela era “enganosa” com relação ao estilo do álbum), e com algum esforço a gente fica meigo com o encerramento de “Whirlwind”, mas de “Cold” em diante, é de cortar o coração.

Os únicos bons (razoáveis?) momentos são a já mencionada abertura; “Storm the Armada” e “Demon’s Gate”, com riffs realmente poderosos e trabalhos memoráveis nos teclados; a faixa bônus japonesa “You Won’t Fall”; o instrumental “Ismo’s Got Good Reactors” (único lampejo de criatividade e energia juntos num total de uma hora de música); e a razoavelmente longa e diversa “The Raven Still Flies”. Aliás, uma peça instrumental ser o ponto alto do disco de uma banda cujo vocalista é também o único compositor é, no mínimo, peculiar.

O resto (ou seja, metade da obra) passa por nossos ouvidos sem deixar marcas. E gostaria de falar especialmente de “The Last of the Lambs”, continuação da tal da saga Caleb. Céus, como que os membros, o empresário, o produtor e a gravadora concordaram em incluir essa faixa? Ela é de uma chatice insuportável do começo ao fim.

Diz o grupo que o objetivo aqui era soar “ao vivo”. Para isso, contrataram um produtor com experiência em registros de shows (Mikko Tegelman) e fizeram o baterista Tommy Portimo e o baixista Pasi Kauppinen gravarem suas partes tocando juntos. Com efeito, o quinteto soa bem coeso – se as músicas fossem inspiradas, poderia ter sido um grande disco.

Nunca me cansarei de apontar o quanto o Sonata Arctica merece aplausos por arriscar direções diferentes que os tornam talvez a banda mais autêntica dentro do repetitivo gênero do power metal. Mas desta vez, o tiro saiu pela culatra. A luz no fim do túnel, no caso, é que Tony Kakko é um exímio compositor, e mesmo um trabalho ruim como este não nos dá o direito de ficar com um pé atrás com relação ao próximo.

Nota = 2/5.

Abaixo, o vídeo de “Who Failed the Most”:

Resenha: Return to Eden – Avalon

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Foi cheio de preconceitos que eu recebi a notícia de que Timo Tolkki, lendário guitarrista finlandês com passagens pelo Stratovarius, pelo Symfonia e pelo Revolution Renaissance, saiu repentinamente de seu novo isolamento para lançar a terceira e última parte de sua metal opera, Avalon.

Afinal, após dois álbuns medianos (The Land of New Hope e Angels of the Apocalypse; confira aqui e aqui, respectivamente, minhas resenhas dos mesmos), não havia motivos para esperar que Return to Eden, a terceira e última parte da trilogia que vem sendo lançada de trás pra frente em termos cronológicos, fosse superar suas duas antecessoras. Especialmente diante de um time de convidados que pouco impressiona.

Mas… Timo conseguiu o “inconseguível” e pariu o melhor disco do Avalon. Eu diria que a combinação dos sonhos seria a força e a inspiração deste trabalho somadas ao time de estrelas do The Land of New Hope.

Não que os convidados de Return to Eden façam feio. Não são estrelas consagradas, mas com certeza têm bagagem para merecer um espaço aqui. Estamos falando, no caso, de Anneke Van Giersbergen (The Gathering, The Gentle Storm), Eduard Hovinga (Elegy), Mariangela Demurtas (Tristania), Todd Michael Hall (Riot V) e Zachary Stevens (Savatage).

O álbum já começa a milhão com “Promises” (se não contarmos a abertura “Enlighten”) e logo nos leva à faixa título, que já entrega aqueles elementos folk que toda metal opera costuma trazer. “Hear My Call” permite a Anekke van Giersbergen fazer o que faz de melhor: arrepiar-nos com sua voz penetrante. O mesmo acontece em “We Are the Ones”, na qual ela retorna para sua segunda e última participação.

A velocidade e agressividade que se espera de um lançamento de power metal de grosso calibre voltam, em menor e maior grau, em peças como “Now and Forever”, “Limits”, “Give Me Hope” e “Guiding Star”; estas contrastam com momentos mais esquecíveis como “Miles Away” e “Wasted Dreams”. Há de se mencionar também a balada “Godsend”, que recebeu uma poderosa versão orquestral como faixa bônus da edição japonesa.

Quanto à equipe instrumental, temos uma trupe de ilustríssimos desconhecidos. Além de Timo comandando as guitarras e o baixo (como sempre), temos Andrea Buratto (Eternal Idol, Hell in the Club, Secret Sphere) como segundo baixista (embora mal se dê para notar o baixo principal, imagine um adicional) e Aldo Lonobile (Death SS, Edge of Forever, Secret Sphere) e Santtu Lehtiniemi como guitarristas adicionais – embora seja difícil perceber que três guitarristas passaram por aqui.

Completam o time o tecladista Antonio Agate (Odd Dimension, Secret Sphere; este sim com papel mais proeminente), o baterista e tecladista Giulio Capone (5th Element, Asidie, Betoken, Moonlight Haze) e o baterista Jami Huovinen (Allen – Lande, Ring of Fire, Sentiment, Chaos Magic).

Não dá para passar panos quentes na história do Avalon e fingir que a trilogia como um todo não ficou muito aquém do que se esperava dela, considerando os músicos envolvidos desde o início. Mas colocar este disco no topo do pódio das três obras que compõem a história criada por Timo chega a ser praticamente uma obrigação, dada a qualidade e a força de composição que nos é apresentada, mesmo com um time de semi-estrelas. Não queria repetir um clichê que já usei em outras resenhas por aqui, mas… às vezes, menos pode ser mais.

Nota = 4/5

Abaixo, o vídeo de “Promises”: