Resenha: Music Life – GLAY

Breve histórico: um dos grupos mais bem sucedidos da Terra do Sol Nascente, o quarteto GLAY mantém há quase 20 anos uma formação constante que rendeu muito sucesso no mundo musical e também nas outras áreas em que a banda se aventurou – como a filantropia, a televisão e o rádio.

Reprodução da capa do álbum (© Loversoul Music & Associates)

Reprodução da capa do álbum (© Loversoul Music & Associates)

Com uma capa visivelmente inspirada em Revolver, dos Beatles – não é coincidência nem plágio, é que o artista responsável é o mesmo: Klaus Voormann – o GLAY fecha o ano de celebração de sua segunda década de carreira mainstream com seu décimo quarto álbum, Music Life. Um terço álbum de inéditas, dois terços coletânea, o disco regular pode vir acompanhado de dois discos com um total de 27 faixas marcantes da história da banda.

Diferentemente do lançamento duplo Justice/Guilty, de 2013 (resenhado neste blog), Music Life é um álbum mais direto ao ponto. A diversidade de outrora ainda está presente aqui, mas em intensidade visivelmente menor.

Não que isso seja um problema, por si só. Este trabalho não é nem de longe apenas uma sequência chata de riffs repetitivos. Na verdade, muitas faixas trazem seu charme particular: as linhas proeminentes de baixo em “Only Yesterday”, o ska de “Uwaki na Kiss Me Girl”, as guitarras de “Mousou Collector” e a introdução operática da faixa título. Mas no geral, é um disco muito coeso.

A alta qualidade, variedade e sofisticação de Justice/Guilty ficou lá em 2013 mesmo, e Music Life vem para entregar uma lista de faixas que não se destacam muito na vasta discografia do grupo (com algumas exceções), mas cumprem seu papel de “trabalhos de GLAY” – todos os temperos da banda estão aí para os fãs curtirem. Se o GLAY costuma se manter equidistante da música recheada de firulas e da música crua, este disco serve de indicador disso.

Nota = 7,5. Morno e com alguns pontos altos, Music Life ajuda a manter o GLAY como um dos grupos asiáticos mais relevantes dos dias de hoje, e um nome-chave da música nipônica. Se não resgata a explosão de criatividade de Justice/Guilty, ao menos não fica abaixo da média.

Abaixo, a faixa “Only Yesterday”:

Resenha dupla: GLAY trabalha com sonoridade diversa em “Justice” e “Guilty”

Reprodução da capa do álbum (© Loversoul Music & Associates)

Reprodução da capa do álbum (© Loversoul Music & Associates)

Breve histórico: GLAY é um quarteto japonês de pop rock fundado em 1988. É um dos grupos de rock mais bem-sucedidos do país, juntamente a Mr. Children e B’z, colecionando singles e álbuns no topo das paradas, concertos com casas cheias e turnês lucrativas. São também conhecidos por organizar ou participar de eventos beneficentes, em prol de vítimas da AIDS ou da Cruz Vermelha Japonesa.

Reprodução da capa do álbum (© Loversoul Music & Associates)

Reprodução da capa do álbum (© Loversoul Music & Associates)

Antes de mais nada, aviso que esta resenha será inusitada por dois motivos: primeiramente, porque ela abordará dois álbuns de uma vez só: Justice e Guilty. Não se trata de um álbum duplo, mas sim de um lançamento simultâneo. E agora, o segundo motivo, um mea culpa: Preciso admitir que estou chegando (bem) atrasado para esta resenha: os álbuns foram lançados em 23 de janeiro deste ano. Mas a notícia simplesmente não chegou até mim. As páginas oficiais deles no Facebook e no Twitter só postam conteúdos em japonês, e a minha capacidade de reconhecer alguns ideogramas não foi o suficiente para perceber que dois álbuns estavam chegando. Eu geralmente não resenho álbuns que não sejam recentes, mas abrirei uma exceção para este caso.

Enfim, chega de me justificar, e vamos ao que interessa. Justice e Guilty são os primeiros trabalhos da banda após lançar um álbum autointitulado em outubro de 2010. O lançamento duplo é também o segundo trabalho com a gravadora própria deles, a Loversoul Music & Associates.

O disco parece uma volta ao som antigo da banda (leia-se: de 1996-2004), quando faziam um pop/hard rock emotivo (não confundir com emocore), inspirado e alegre. Com os últimos dois álbuns, Love is Beautiful e Glay, a banda pareceu explorar uma música um pouco mais “séria” que tirou a graça do som deles. Mas isso mudou aqui.

Os dois álbuns não apresentam grandes discrepâncias de um para o outro. Ambos são basicamente compostos por três tipos de canções: as típicas, as baladas e as “faixas-surpresa”. Só que as doses não foram iguais nos dois.

Em Justice, houve bastante equilíbrio entre os três tipos. As tradicionais como “Route 5 Bayshore Line”, “Paradise Lost” e “Justice [from] Guilty” se juntam às baladas “Mahiru no Tsuki no Shizukesa ni” e “Unmeiron” para formar a track-list, deixando algum espaço para as surpresas.

E que surpresas. “Gestalt” começa com a famosa melodia dos filmes de James Bond e segue para uma série de alguns dos riffs mais agressivos e “sérios” que a banda já criou, acompanhados de cordas, vozes robóticas e sons psicodélicos no melhor estilo Pink Floyd. Tudo isso em pouco mais de dois minutos. E também o encerramento “Smile”, acústica, crua e emotiva – não que a banda não tenha feito faixas assim antes.

Já em Guilty, as faixas são mais homogêneas. A mais diferente vem logo de cara: a abertura “Red moon & Silver sun ~ My Private ‘Jealousy'” é frenética até para os padrões do GLAY e traz uma introdução de cordas que transformou-a na mais longa música já lançada pelo quarteto. Mas de resto, uma combinação de baladas e faixas “normais” onde as diferenças de uma para a outra ficam menos óbvias do que em Justice – talvez por isso, seja um disco menos interessante. O que não quer dizer que seja ruim.

Nota = 8,0. Mantendo a mesma formação desde o primeiro álbum, o GLAY é como um Beatles nipônico: influente, popular, diverso e positivo. E, com esta dupla de álbuns, o grupo fez algo que algumas bandas antigas penam para conseguir: mostrar que ainda são relevantes. Ao menos na terra do Sol nascente.

Abaixo, o vídeo de “My Private ‘Jealousy'”: