Resenha: Distance over Time – Dream Theater

Reprodução da capa do álbum 'Distance over Time', do Dream Theater. Trata-se de uma mão direita robótica segurando uma caveira voltada presumivelmente para o rosto do robô, que não é visto, ante um céu nublado, com o nome da banda e do disco ao centro e em cima

Reprodução da capa do álbum (© Inside Out Music)

Tão logo o quinteto estadunidense de metal progressivo Dream Theater divulgou a lista de faixas de seu décimo quarto álbum, os fã-niquitos logo deram chilique pela ausência de alguma que tivesse mais de 10 minutos de duração. É mole? Isso sem falar no fato de que a troca de bateristas pela qual a banda passou há quase dez anos deu origem à maior proliferação de especialistas on-line em bateria da história.

Mas vamos falar da música, que é o que importa. Conforme eu previ em minha resenha para o simpático The Astonishing, Distance over Time continua de onde Dream Theater (também resenhado neste blog) parou, fortalecendo ainda mais o jeitão de projeto paralelo da metal opera deles.

Este disco foi concebido num processo análogo ao do Train of Thought (2003), ou seja, foi escrito e gravado num espaço relativamente curto de tempo, com o detalhe ainda de que os membros se isolaram num casarão no interior do estado de Nova York para criá-lo. Isso resultou num trabalho focado e coeso a ponto de eu me arriscar a dizer que se você não gostou da primeira faixa, talvez nem deva prosseguir com a audição.

Isso é um tanto raro na discografia do quinteto; seus lançamentos sempre primaram pela diversidade, grande ou pequena, mas sempre presente. Mas, como acontece na maior parte do catálogo deles, não é seguro tirar conclusões precipitadamente; com efeito, após muitas e muitas audições, você começa a descobrir o charme de cada peça, independentemente do grau de coesão que a obra possui.

A abertura “Untethered Angel”, por exemplo, resgata sons que começaram a ser usados no A Dramatic Turn of Events (resenhado neste blog), especificamente nos teclados de Jordan Rudess e nos ritmos do baixista John Myung e do baterista Mike Mangini. O grupo também prestará homenagem a si mesmo em “Barstool Warrior”, que evoca aquele clima Rush que tanto marcou Dream Theater.

Os riffs de guitarra de “Paralyzed” mostram um John Petrucci como há muito não se ouvia. Parece até algo que poderia ter sido escrito na era Mike Portnoy (ex-baterista). Já a ótima “Fall into the Light” mostra algumas facetas menos recorrentes do guitarrista e brinca com compassos ternários e quaternários na melhor escola “Killing in the Name”, do Rage Against the Machine.

“Room 137”, que faz uso do charmosérrimo compasso setenário, marca a estreia de Mangini como letrista e traz alguns dos momentos mais agressivos do disco, a exemplo de “Paralyzed”. Ela é seguida pela estupenda “S2N”, que mantém o peso e traz alguns empolgantes solos de Petrucci e Jordan.

“At Wit’s End” é teoricamente a mais longa, mas ela foi na verdade esticada por meio de um outro de guitarra seguido por um encerramento acústico com jeitão de faixa escondida. Não desmerecendo essas passagens, mas suas companheiras de 6, 7 e 8 minutos é que são verdadeiramente longas. Não deixa de ser interessante, de qualquer forma, conferir a evolução da canção, que começa técnica, emenda em um momento à la “Ministry of Lost Souls” e se encerra de forma orgânica e serena. Combinar climas tão distintos de maneira que o conjunto da obra faça sentido musicalmente é algo em que muitas bandas do gênero patinam.

“Out of Reach” é o mais próximo que teremos aqui de uma balada, e não necessariamente por isso acabou sendo a mais sem graça. Mesmo assim, o posto de faixa bônus acabou ficando para “Viper King”, cuja levada me causou a impressão de ser um cover, inicialmente. Antes dela, contudo, temos o encerramento real do álbum, a técnica e pesada “Pale Blue Dot”, um dos destaques. Aliás, tem algum momento neste disco que não seja um destaque, tirando aquele que menciono ao abrir este parágrafo?

Alguns membros merecem comentários à parte. Jordan Rudess, ainda que retendo seus timbres característicos, adota novas variações de órgãos em seu som e deixa o seu continuum para momentos mais reservados, como os solos de “At Wit’s End” e “S2N”. A constante busca por novos equipamentos e sons é parte do porquê dele ser possivelmente o maior tecladista vivo, talvez superado apenas por Rick Wakeman. Além disso, conforme Petrucci explicou em vídeo de divulgação do trabalho, o tecladista foi orientado a manter seu instrumento soando em apenas um canal, ou seja, nada de camadas intermináveis de sons diversos. O resultado é um som focado e direto que encaixou como uma luva na proposta musical apresentada aqui.

John Petrucci segue um caminho parecido. Com a saída de Portnoy, ele evidentemente tomou a frente do grupo, e isso tem se traduzido em um foco sensivelmente maior nas suas guitarras e na riffagem.

Ao estrear como letrista, Mike Mangini prossegue com sua evolução, indo de um mero executor de linhas previamente escritas em A Dramatic Turn of Events para um membro devidamente integrado na linha de produção musical do Dream Theater, ainda que, como nunca me cansarei de repetir, a ausência de Portnoy seja sentida 90% devido às composições e 10% devido à bateria em si.

Se considerarmos A Dramatic Turn of Events como um trabalho de transição e The Astonishing como uma aventura, e se reiterarmos que Distance over Time é a evolução de Dream Theater, podemos concluir seguramente que este é o melhor disco da era Mangini.

Nota = 5/5

Abaixo, o vídeo de “Untethered Angel”:

Resenha: The Astonishing – Dream Theater

Breve histórico: praticamente um supergrupo, o quinteto estadunidense Dream Theater é o maior nome da história do metal progressivo e uma das poucas bandas do gênero a atingirem um sucesso que possibilita a realização frequente de elaboradas turnês e clipes.

Reprodução da capa do álbum (© Roadrunner Records)

Reprodução da capa do álbum (© Roadrunner Records)

Aos poucos, enigmaticamente, o Dream Theater foi revelando o que seria seu 13º álbum de estúdio. A princípio, as referências a guerras, rebeliões e temas medievais indicavam que lançariam um RPG nos moldes de Skyrim e afins. E a ideia ainda não está descartada: o guitarrista, criador do conceito e líder não-declarado do grupo, John Petrucci, já disse à revista Billboard que visualizou a história do disco sendo transformada em um musical, filme, livro ou videogame.

Todo esse marketing não foi suficiente para preparar o fã para o que estava por vir. The Astonishing é simplesmente o projeto mais ambicioso dos 30 anos de carreira da banda, e seu título não poderia ser mais apropriado (o nome significa “surpreendente”, “espantoso” em inglês).

O tamanho da história concebida por John não coube em um CD só, então o enredo foi dividido em dois atos: um com 20 faixas e outro com 14, somando mais de duas horas de música. A relação duração total/número de faixas resultou em um álbum atípico para o Dream Theater: cheio de canções curtas, com apenas três excedendo a marca dos seis minutos e a mais longa batendo nos 7:40. Além disso, a necessidade de se contar uma história e expressar os pontos de vista de múltiplos personagens deixaram menos espaço para as longas sessões instrumentais.

Mas pode ficar tranquilo. Eu, que sou apreciador confesso de agressividade e fritação preenchendo canções longas, não senti falta de nada disso ao longo das 34 faixas de The Astonishing. O quinteto acerta ao sair de sua zona de conforto – se é que podemos chamar aquele festival de acrobacias técnicas de “conforto” – sem perder sua essência.

A escassez de solos e mudanças múltiplas de andamento na parte instrumental do disco é compensada por um trabalho em que a banda deixa a fritação de lado para apostar em diversidade. Enquanto a dupla Mike Mangini (bateria/percussão) e John Myung (baixo) mostra mais sintonia do que nunca para ditar o ritmo de cada momento do álbum (só não vale usar a caixinha de som do celular e reclamar que não dá pra ouvir o baixo), o guitarrista John Petrucci e o tecladista Jordan Rudess (que assinam a música) estalaram os dedos e criaram tudo em volta da guitarra, do violão, do piano e das cordas, resultando em um som mais orgânico e polido que em discos anteriores.

Petrucci suavizou um pouco sua guitarra para se encaixar na proposta mais leve de The Astonishing, enquanto Rudess manda muitos timbres inéditos para preencher as harmonias, incluindo brass sections que nos remetem a castelos (embora a história se passe no final do século XXIII) e interlúdios eletrônicos para representar as máquinas da época do enredo. Temos direito até a uma gaita de foles em “The X Aspect”, tocada por Eric Rigler.

Comandando os vocais, James LaBrie assumiu a responsabilidade de representar vários personagens sozinho, mudando o tom de voz para se adequar a cada um. O resultado não convence de imediato e, sem as letras para acompanhar, a história não fica muito compreensível, sobretudo no que diz respeito a quem está dizendo cada frase. Versos previsíveis e uma premissa clichê não estragam a bela história, e logo nas primeiras escutadas você já estará lamentando a morte de um dos personagens (sem detalhes para não dar spoilers).

Apesar dos diversos climas retratados, a coesão do álbum é garantida por introduções, interlúdios e encerramentos bem definidos, de modo que a música flua estavelmente. A maioria das faixas não emenda uma na outra; assim, é possível ouvi-las fora de ordem, embora isso obviamente quebre a história.

É precipitado dizer que The Astonishing inaugura uma nova fase para os rapazes de Long Island. Na verdade, estou confiante de que seu sucessor continuará de onde o Dream Theater (resenhado neste blog) parou, ou seja, continuará apresentando faixas longas e solos insanos. Não se trata de um divisor de águas, tem mais cara de projeto paralelo, aventura. Além disso, o site lançado pela banda para divulgar o álbum evidencia um universo que vai além das letras e talvez esconda muitos segredos. Somando isso ao fato de que a obra como um todo não é lá de fácil digestão, vale a dica: desconfie de qualquer resenha escrita menos de um mês após seu lançamento (incluindo esta, obviamente). Desafie também qualquer conclusão que você tirar antes da quinta ou sexta audição.

Nota = 8,5. Para quem tem uma mente aberta, The Astonishing na certa será um trabalho sedutor. Apostar num som menos complexo tornou-o mais acessível, e o resultado será lembrado futuramente não como o melhor (talvez nem esteja entre os melhores), mas como um projeto ambicioso e ousado que revelou-se uma agradável surpresa na discografia do Dream Theater.

Abaixo, o áudio de “Moment of Betrayal”:

Dia Mundial do Rock: 15 encerramentos de tirar o fôlego

Neste ano, o Dia Mundial do Rock coincidiu com a final da Copa. Por este motivo, o Sinfonia de Ideias não publicou nada a respeito no último domingo: o negócio era celebrar o tetra da Alemanha, curtir uns 15 minutos de sadismo com a derrota da Argentina e palpitar sobre o futuro do futebol brasileiro. Poucos lembraram do rock. O post deveria ter sido publicado na segunda-feira, portanto, mas só deu para finalizar hoje, por motivos de força maior. Sem mais desculpas e antes tarde do que nunca, aqui vamos nós:

Inspirado por uma ideia que me surgiu há alguns meses, e aproveitando que encerramos o evento mais importante do ano, resolvi pinçar algumas músicas da minha biblioteca que contivessem encerramentos que me deixam até arrepiado de tão bons. Fiz uma lista com algumas dezenas, excluí várias e fechei uma compilação com 15, já que dez seria muito pouco. São faixas variadas de rock, heavy metal e derivados, algumas conhecidas, outras nem tanto. Boa audição!

PS: Isto NÃO É uma lista de “15 melhores”. As faixas abaixo são meras sugestões, listadas na ordem alfabética dos artistas. Evidentemente, muita coisa boa ficou de fora, e nada impede você de adicionar bons exemplos nos comentários. 😉

“Endeavour” – Andre Matos
Uma lenda do metal brasileiro e ainda por cima graduado em música. Andre Matos abre a lista com a última faixa da edição regular de seu álbum de estreia, Time to Be Free. Co-assinada pelo tecladista Fabio Ribeiro, “Endeavour” começa como um belo trabalho de power metal veloz e aromas de Stratovarius. Já a partir dos 3:30, mais ou menos, ela toma uma direção levemente diferente, ainda rápida, para então fechar num belo encerramento que mistura toques sinfônicos, um solo inspirado e gritos arrepiantes do ex-vocalista do Angra e do Shaman.

“Farewell” – Apocalyptica
O violoncelo é um instrumento de som bastante emocionante – ele praticamente fala. Leva o público do conforto às lágrimas. Aproveitando-se das qualidades desse nobre instrumento, quatro amigos violoncelistas decidiram fundar em 1993 o Apocalyptica, até hoje um dos grupos mais notórios da Finlândia. Destaca-se por não conter vocalistas (exceto convidados ocasionais), baixistas ou guitarristas, somente violoncelistas e, a partir de 2003, um baterista. No último minuto desta faixa advinda do álbum homônimo do grupo, uma música que é melancólica do começo ao fim entra numa reta final arrepiante, comandada por uma melodia tocante e relativamente simples.

“Farewell” – Avantasia
Pura coincidência, mas outra faixa intitulada “Farewell” foi selecionada para esta lista. Marcando a única participação de Sharon den Adel (Within Temptation) no primeiro dos dois álbuns The Metal Opera, “Farewell” traz ainda Tobias Sammet (Edguy), líder, baixista e principal vocalista do Avantasia, projeto que deu vida a esta música; e Michael Kiske (ex-Helloween, Unisonic), um dos nomes-chave do power metal e presença constante nos álbuns do Avantasia. É ele o responsável por tornar o encerramento desta balada um momento arrepiante a partir dos 5:28, com dois versos cantados repetidamente em cruzamento com o refrão de Tobias.

“I Want You (She’s So Heavy)” – The Beatles
Não é bem uma música emocionante, mas está aqui como reconhecimento a uma das maiores bandas que já existiram. Tudo bem que esta faixa não é típica dos Beatles – é longa e de vocabulário enxuto. Mas é emblemática, considerada por alguns até como uma forma embrionária do heavy metal. O acorde tocado em arpejos que se repete por três minutos ao final vai ganhando corpo até o fim e faz deste encerramento um dos melhores da carreira deles, ainda que a música termine de forma estranhamento abrupta.

“The Ghost of Tom Joad” – Bruce Springsteen (com Tom Morello)
Pra não dizer que não há faixas ao vivo aqui, trago a primeira parceria de Bruce Springsteen com Tom Morello (Rage Against the Machine), uma combinação de muita química musical (e ideológica, posto que os dois são porta-vozes da esquerda estadunidense) que culminou na gravação do álbum mais recente do The Boss, High Hopes (resenhado neste blog). Neste que é basicamente um álbum de autorregravações, Tom participa de metade das faixas, incluindo esta. Foi lançada pela primeira vez como faixa-título e de abertura do décimo primeiro disco do guitarrista/vocalista de Nova Jérsei. O solo de encerramento que Tom fez em estúdio é praticamente o mesmo que fazia ao vivo: pessoal, marcante e cheio de efeitos, como pode ser conferido abaixo.

“White Shadows” – Coldplay
Fazer músicas arrepiantes é a especialidade do Coldplay, e não importa o quanto os chatos tr00 4life tentem diminuir a banda, o quarteto britânico é um nome que será sempre obrigatoriamente abordado por quem estuda a cultura ocidental da primeira década deste século. “Politik” quase entrou no lugar desta, mas como seu encerramento é mais longo e marca praticamente um segundo momento da música, optei por “White Shadows”, que traz a participação de Brian Eno nos sintetizadores e um encerramento mais “repentino”, que, aos 4:20, dá fim digníssimo para uma das melhores faixas do terceiro álbum do grupo, X&Y.

“Justice for Saint Mary” – Diablo Swing Orchestra
O Diablo Swing Orchestra é uma das mais gratas surpresas do metal neste início de século. Talvez os primeiros a se atreverem a misturar heavy metal com jazz e swing, o grupo vem conquistando os fãs do chamado avant-guarde metal. Nesta faixa, a última de seu mais recente disco Pandora’s Piñata, um belo instrumental com cordas e metais fecha este trabalho guiado por melodias e letras tensas com chave de ouro – ainda que eu, particularmente, teria deixado de fora os efeitos sonoros que chegam depois.

“The Ministry of Lost Souls” – Dream Theater
Uma bela história em forma de canção pede um belo trabalho musical – o que, no caso destas lendas do metal progressivo, não é pedir muito. Escrita por John Petrucci, a faixa nos transporta para a história de uma mulher que é salva do afogamento por um herói anônimo que acaba morrendo no resgate, o que a deixa cheia de remorsos até conseguir reencontrar seu salvador. O solo de guitarra a partir dos 12:44 é, sinceramente, um dos trabalhos musicais mais belos que já ouvi na vida.

“Hotel California” – Eagles
E falando em solos de encerramento na guitarra, destaco aqui um dos mais emblemáticos de todos os tempos: “Hotel California”, presença constante nas listas de melhores solos da história do rock. E não é para menos: este brilhante duelo de Don Felder com Joe Walsh, acompanhados no violão de doze cordas de Glenn Frey e no baixo de Randy Meisner, é um verdadeiro acontecimento do rock setentista.

“Let It Grow” – Eric Clapton
E vamos para mais um solo de guitarra utilizado para fechar músicas (lembrando que a lista está na ordem alfabética dos artistas). Aqui, o mestre do blues Eric Clapton dá uma aula de arpejos, ainda que alguns digam que a melodia principal do solo tenha sido chupada da introdução de “Stairway to Heaven”, do Led Zeppelin.

“Visions” – Haken
Talvez o carro chefe de uma nova leva de bandas de metal progressivo, o Haken vem arrancando elogios da crítica especializada e já conquistaram até os supracitados Dream Theater com suas letras melódicas e instrumentais impecáveis. A música mais longa da carreira do sexteto britânico é “Visions”, faixa de encerramento de seu segundo álbum (de mesmo nome). Após mais de vinte minutos do mais bem executado metal progressivo enfeitado com toques sinfônicos e eletrônicos, a banda dá lugar a um belo “epílogo musical” de cordas.

“The Saints” – Helloween
Fundadores do power metal e com três décadas de estrada, o Helloween não é bem uma banda acostumada a belas melodias: seu negócio é agressividade nos riffs, no ritmo e no vocal – apesar de já terem se acostumado a uma balada aqui e outra ali. Talvez por isso o breve encerramento de “The Saints” seja uma grata surpresa: ninguém esperaria que uma banda tão 666 resolvesse acabar uma música com um solo de cordas, sintetizado pelo tecladista contratado Matthias Ulmer.

“Beauty of the Beast” – Nightwish
Quase que outra música de nome parecidíssimo veio aqui no lugar desta: “Beauty and the Beast”, do disco de estreia Angels Fall First. Por que a opção por esta, então? Porque “Beauty of the Beast” é mais longa e mais bem produzida, o que valoriza o som do grupo que, nesta época, apresentava sua formação mais popular (Marco Hietala, presente aqui, ainda não tocava com a banda no primeiro disco). O poderoso encerramento combina todos os membros da banda: Jukka, Emppu e Marco aliados em um ritmo e um riff que lembra uma marcha militar; Tuomas e seu brilhante trabalho sinfônico ao fundo; e Tarja com belos “ohs” da vida.

“Mulher de Fases” – Raimundos
E pra ninguém dizer que a lista não tem representantes brasileiros que cantam em português, aí está um dos maiores nomes do nosso punk. “Poxa, mas tinha tanta música brasileira com encerramentos mais bacanas!” Sim, mas como deixei claro lá em cima, a lista não é uma Top 15. Enfim, aos fatos: na mesma linha de “The Saints”, temos aqui outra faixa pesada encerrada com cordas, e de maneira inesperada – cordas não são bem os instrumentos que você espera ouvir ao adquirir um álbum de punk. Mas elas estão aí, marcando presença na música inteira, e ganhando destaque ao final, dando um toque paradisíaco a um dos maiores hits do quarteto.

“The Eye of Ra” – Star One

O que aconteceria se Russell Allen (Symphony X, Adrenaline Mob), Damian Wilson (Threshold), Floor Jansesn (ex-After Forever, ReVamp, Nightwish) e Dan Swanö (Nightingale) cantassem na mesma música? Ou no mesmo álbum? O gênio holandês Arjen Anthony Lucasen já respondeu a esta pergunta por diversas vezes ao longo dos dois álbuns de seu projeto Star One, que faz músicas de “space metal” com letras inspiradas em filmes de ficção científica. A letra da faixa abaixo, “The Eye of Ra”, dialoga com o clássico Stargate, de 1994. E o encerramento fica por conta dos quatro gigantes cantando os mesmos versos, primeiro acompanhados pelos instrumentos, e lentamente deixados quase que a cappella.