Resenha: Sonic Birth – The Progressive Souls Collective

Reprodução da capa do álbum 'Sonic Birth', do The Progressive Souls Collective. Trata-se de um feto robótico visto de perfil, pelo lado direito, ante um fundo branco. No topo, ao centro, aparecem o nome da banda (acima) e do álbum (abaixo)

Reprodução da capa do álbum (© Metalville Records; arte por Florian Zepf (conceito) e Felix Schönberger (finalização))

Mais um supergrupo de metal progressivo – o gênero que pode acabar destronando o power metal como “variante mais saturada do heavy metal”. Exceto que neste projeto aqui, ao menos, não há nada de saturado.

A iniciativa (espertamente autodefinida como “não uma banda, mas uma aventura”) capitaneada pelo desconhecido, porém talentoso guitarrista alemão Florian Zepf conseguiu a proeza de reunir um time internacional de gigantes: o sérvio Vladimir Lalic (Organized Chaos) nos vocais; os estadunidenses Conner Green (Haken) no baixo, Derek Sherinian (ex-Dream Theater, Sons of Apollo) nos teclados e Kevin Moore (ex-Dream Theater, O.S.I., Chroma Key) na programação de loops; o sul-africano naturalizado brasileiro Aquiles Priester (ex-Angra) na bateria e o cubano Luis Conte (ex-Phil Collins) na percussão.

Vale lembrar que este projeto relativamente discreto marca a primeira vez na história que os dois primeiros tecladistas do Dream Theater tocam juntos. Derek chegou a tocar com o atual (Jordan Rudess) num show comemorativo dos quinze anos da estreia do quinteto, When Dream and Day Unite.

Apesar do gabarito impressionante dos músicos, o projeto, de pomposo, só tem o nome: The Progressive Souls Collective. De resto, eles são de certa forma modestos, tanto que a divulgação não teve o mesmo alarde que o Sons of Apollo – embora os dois estejam bem próximos em termos de qualidade musical. A prova de tudo o que é dito neste parágrafo é a estreia deles, Sonic Birth.

Depois de uma espécie de abertura dupla distribuída na pesada “Metature” e na leve “Comfortable Darkness”, o álbum começa “pra valer” em “Killing True Beliefs”, com direito a uma percussão latina muito bem encaixada.

Essa divisão entre “pesado” e “leve” vai se mostrar bastante relevante no resto do trabalho. De um lado, temos momentos mais encorpados como a dinâmica “Fractorial Emotion”, o single “A Formula for Happiness” e a alterbridgeana “Hurt” e seus inesperados metais de swing.

Do outro, passagens mais serenas como “Inner Circle”, a misteriosa “Mind Treasures” e a balada quase pop “You and Me Alone”, cujos sopros discretos ao fundo me fizeram pesquisar se Troy Donockley não teria sido um convidado também.

Ledo engano – quem toca os exóticos aqui são Isaac Alderson e Kevin Buckley, sem falar na vocalista Megan Burtt, que faz dueto com Vladimir. O disco, aliás, tem a participação de alguns outros músicos com instrumentos incomuns no metal e suas letras são recheadas de citações a obras diversas – tudo devidamente detalhado no site oficial do projeto.

Quando disse que o The Progressive Souls Collective só tinha o nome de pomposo, quis dizer que o grupo, na contramão do gênero, não buscou riffs matematicamente construídos nem solos alucinados para marcar sua música. Ela já tem graça o suficiente desde sua base e flui de forma bastante natural, num ritmo que alguns considerariam lento, mas que parece ser exatamente o que a somatória musical aplicada aqui pede.

Nota = 5/5

Abaixo, o clipe de “Fractional Emotion”:

Resenha: F & M – Lindemann

Reprodução da capa do álbum (© Vertigo Records)

Meia década separa F & M, segundo disco do projeto sueco-alemão Lindemann, da estreia Skills in Pills (clique aqui para conferir minha resenha a respeito), e mesmo assim deve ter gente que ainda não se recuperou da “visceralidade” (quase literal) daquele lançamento.

Eu poderia dizer que é melhor elas se prepararem para o próximo round, mas na verdade este álbum não é tão chocante quanto seu antecessor. É uma amostra clara do quanto esta dupla formada por Till Lindemann (Rammstein) e Peter Tägtgren (PAIN) amadureceu musicalmente.

O fato de terem perdido (um pouco) o fator choque não é um problema justamente por isso: o amadurecimento. Lembrando que a obra coroa um ano e tanto para Till, que já vem de outro grande lançamento: um trabalho sem título oficial criado com sua banda principal, o Rammstein (clique aqui para conferir minha resenha a respeito).

Antes, o Lindemann soava como um Rammstein em inglês. Agora que Till voltou a focar em sua língua materna, o grupo é ainda mais parecido com o consagrado sexteto alemão. De novo, isso não e um problema. Ainda é possível sentir fortes aromas de PAIN. Tal como em Skill in Pills, prosseguimos com aquele equilíbrio entre “isto parece Rammstein” e “isto é um trabalho diferente”.

As letras parecem lidar com assuntos um pouco mais amplos e diversos. “Steh Auf” foi uma ótima escolha como abertura por conter 100% do DNA do Lindemann, exceto pelo fato do imaginário do single e de seu vídeo não fazerem referência explícita a sexo. Mas a bizarrice continua ali.

E as abordagens desses assuntos afetivos ainda aparecem em destaques como “Allesfresser” e a ótima “Knebel”, que começa serena e sem nenhum aviso vira uma das mais agressivas e chocantes (se levarmos em conta o vídeo também – a versão sem censura, é claro.).

O experimentalismo surge em “Ach so Gern”, com um ritmo bem diferenciado para eles (e que recebeu uma versão PAIN como faixa bônus), e em “Mathematik”, uma espécie de rap eletrônico contra a matemática que talvez fará sucesso entre estudantes e veio como faixa bônus da edição de luxo.

Esse lado artificial do Lindemann (que vem quase todo de Peter Tägtgren) é notado com menor força em “Blut” e “Platz Eins”, conferindo a estas faixas um certo ar dançante.

E F & M (que, aliás, significa Frau & Mann; Mulher & Homem em alemão) traz até, olha só, baladas: a emotiva “Schlaf Ein” e a sinfônica “Wer Weiß das Schon”.

Não contente em nos reconquistar com sua banda principal, Till Lindemann quis também mostrar que Lindemann era mais que um projeto de um disco só – o que nos concedeu o privilégio de ver a evolução de algo tosco (mas bom) em algo maduro, mas que não perdeu a irreverência.

Nota: 5/5.

Abaixo, o vídeo de “Knebel”.

Resenha: Signs of Wings – Sascha Paeth’s Masters of Ceremony

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Depois de três décadas ajudando a moldar alguns dos discos mais importantes do power metal e do metal sinfônico, Sascha Paeth, produtor e guitarrista alemão que assina álbuns de artistas como Avantasia, Edguy, Rhapsody of Fire, Kamelot, Angra e muitos outros decidiu que era hora de finalmente canalizar seus esforços em direção a um projeto totalmente seu: o Masters of Ceremony.

Apesar de se tratar de uma iniciativa solo, o músico não conseguiu abandonar totalmente sua condição de profissional de bastidores. Quero dizer, temos aqui um som com grande foco nas guitarras, mas ele “se armou” de uma competente banda de apoio na qual todos os membros têm lugar de destaque.

A começar pela vocalista estadunidense Adrienne Cowan, do Seven Spires. Sua voz com lampejos de Kimberly Goss do Sinergy, Brittney Hayes do Unleash the Archers e Daísa Munhoz do Vandroya faz bonito frente ao peso que Signs of Wings, estreia do quinteto, oferece.

Na ala instrumental, temos Felix Bohnke (Edguy, Avantasia) na bateria, André Neygenfind (músico de apoio com passagens pelo Avantasia e pelo Rhapsody of Fire) no baixo e Corvin Bahn nos teclados.

Signs of Wings, é, em geral, uma homenagem ao gênero, e nem poderia ser diferente, afinal, estamos falando de uma figura importantíssima dos bastidores do power metal.

De faixas aceleradas e com refrãos marcantes (“The Time Has Come”, “Where Would It Be” e “Weight of the World”) a baladas lentas (“Path”), passando por lampejos de folk metal (“Radar”, “Bound in Vertigo”), Sascha abrange as facetas mais relevantes desta que é uma das sub-vertentes mais populares do metal.

O disco não surpreende nem inova em momento algum, mas faz o feijão com arroz de modo tão profissional e empolgante que não dá para não gostar do trabalho. Na verdade, ele faz esse feijão com arroz mais competentemente que alguns expoentes pioneiras do gênero. Sonata Arctica e Edguy que o digam.

Nota = 5/5.

Abaixo, o clipe de “The Time Has Come”: