Resenha: Rabbits’ Hill Pt. 2 – Trick or Treat

Breve histórico: O Trick or Treat é uma banda italiana de power metal que começou fazendo covers do Helloween – e isto fica evidente só de se ouvir uma ou duas músicas deles. Hoje, já construíram uma sólida carreira autoral e são um dos melhores nomes recentes do gênero.

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

Reprodução da capa do álbum (© Frontiers Records)

E chegamos à segunda parte da história iniciada em 2012 com Rabbits’ Hill Pt. 1 (resenhado neste blog). Como o enredo é baseado na obra Watership Down, do inglês Richard Adams (A Longa Jornada na edição em português), não vou desperdiçar caracteres falando da trama dos bichinhos.

Prefiro, e com prazer, falar de como o Trick of Treat evoluiu de um lançamento para o outro. Sendo que ela já arrebentava anteriormente. Atribuo esta evolução a dois fatores. Primeiramente, como muitos de vocês devem saber, o lendário guitarrista Luca Turilli, ao deixar o Rhapsody of Fire, formou seu novo Rhapsody e chamou para os vocais Alessandro Conti, que canta nesta banda. Tal parceria já dura cerca de quatro anos e com certeza foi um salto profissional para o cantor, que passou a trabalhar com um nome de peso no metal, com mais vivência no meio e mais recursos. O segundo fator é que o grupo agora é vinculado a uma gravadora mais conhecida (Frontiers) e mantém sua parceria com Simone Mularoni, produtor de vasta experiência. O resultado dessas novidades é uma evidente evolução na qualidade do álbum, em todos os aspectos.

A banda sofreu uma perda, porém: o guitarrista e fundador Luca Cabri deixou seus companheiros por motivos pessoas e foi substituído por um xará de sobrenome Venturelli. Havia temor entre os fãs de que Cabri, que era também o principal compositor, fizesse uma falta grande demais. Creio que, com Rabbits’ Hill Pt. 2, este temor está resolvido.

Mas falemos agora da música, mas especificamente. O quarto álbum do quinteto abre com tudo, deliciando-nos com a poderosa “Inle’ (The Black Rabbit of Death)”. A sequência “Together Again” é uma freada brusca para uma quase balada, o que é inusitado para uma faixa número 2, mas justifica-se pelo enredo.

Depois de mais algumas boas peças, temos a primeira de três participações especiais: Sara Squadrani, da ótima banda conterrânea Ancient Bards, imprime sua bela voz em “Never Say Goodbye”, uma poderosa balada. As parcerias seguem em “They Must Die”, com um marcante trabalho de Tim “Ripper” Owens (ex-Juda Priest, ex-Iced Earth, ex-Yngwie Malmsteen); e “United” com Tony Kakko (Sonata Arctica).

Outros destaques incluem o instrumental “Beware the Train”; a épica “The Showdown”, que faz jus aos seus mais de 10 minutos, mas não fica muito acima da média do álbum; e o emocionante encerramento “Last Breath”.

O que temos em Rabbits’ Hill Pt. 2 é, primeiramente, o melhor álbum da banda até hoje, e um candidato ao título de clássico daqui a alguns anos, caso eles perdurem – e Dio queira que eles perdurem. Além disso, é um trabalho que se destaca na lista de lançamentos recentes do gênero power metal em geral. É verdade também, que o Trick or Treat foi auxiliada aqui por uma orquestra, que fez menos do que os press releases prometiam, mas ainda assim ajudou a engrandecer a música do quinteto.

Nota = 9. Um dos melhores álbuns de power metal que você ouvirá neste ano, vindo de um grupo que consegue a proeza de não ficar na mesmice ao mesmo tempo que se mantém fiel ao manual do gênero. Não digo que um headbanger avesso ao estilo passará a gostar dele depois de ouvir este disco, mas duvido que um fã declarado não abra um sorriso ouvindo-o.

Abaixo, o vídeo de “The Great Escape”:

Resenha: Trick or Treat segue misturando metal e contos em “Rabbits’ Hill Pt. 1”

Breve histórico: O Trick or Treat é uma banda italiana de power metal que começou fazendo covers do Helloween – e isto fica evidente só de se ouvir uma ou duas músicas deles. Elas são bastante influenciadas pelo quinteto alemão. Mas isso não faz do Trick or Treat uma cópia do Helloween – o que seria um tiro no pé em tempos em que o power metal já está tão saturado que chega a doer nos ouvidos.

Reprodução da capa do álbum ((© Valery Records)

Com Rabbits’ Hill Pt. 1, os italianos conseguiram um trabalho um pouco mais sombrio musicalmente (mas bem pouco mesmo), embora ainda mantendo as letras fantasiosas. Mas não são as fantasias típicas do power metal (ou “melódico”), aquelas que envolvem dragões e cavaleiros. Na verdade, o álbum é conceitual, baseado em Watership Down, obra do escritor inglês Richard Adams traduzida como A Longa Jornada para o português. O livro conta a história de um grupo de coelhinhos que abandona sua toca quando ela é destruída e parte em busca de um novo lar, enfrentando perigos no caminho. Perece uma ideia infantil, mas é bem atual e séria, se analisarmos com cuidado. Na verdade, a temática meio “conto de fadas” combina muito com o grupo, que costuma fazer alusões a brinquedos, contos e outros temas infantis em seus trabalhos – aliás, essa é uma das características que torna o Trick or Treat uma banda muito interessante.

O álbum já abre agradando a nós, brasileiros: a primeira faixa, “Prince with a 1000 Enemies” (descontando a curta introdução “Dawn of Times”) conta com ninguém menos que Andre Matos nos vocais, dividindo espaço com o vocalista Alessandro Conti. Uma faixa extra do álbum traz essa mesma música apenas com Andre. E para quem pensa que este será um álbum puramente power metal, abusando de clichês, as exceções começam a surgir logo na terceira faixa, “Spring in the Warren”, que serve de introdução para “Premonition” e é bem leve, sem guitarras, lembrando um pouco o som celta dos brasileiros do Tuatha de Danann, ainda que sem sopros. Há outras faixas peculiares, como “The Tale of Rowsby Woof”, que traz uma gaita de foles (ainda que esse instrumento já seja tão usado no heavy metal atualmente que ninguém mais estranha o seu som agudo irrompendo em meio às guitarras). Já “SassoSpasso”, que também faz papel de introdução, desta vez para “I’ll Come Back for You”, é puro jazz.

O álbum também está bem diverso em termos de “temperatura” das músicas. Algumas são mais lentas e poderosas, como “Premonition”, que é guiada por um riff agressivo, quase progressivo nas guitarras de Guido Benedetti e Luca Cabri; e “Bright Eyes”, a balada do disco. Outras são mais rápidas e típicas, como “Prince with a 1000 Enemies”, “Wrong Turn” e a faixa-título. E há também as que ficam num meio-termo “morno”, como “False Paradise” e “Between Anger and Tears”.

Nota = 8,0. Se você é fã de Helloween e ainda não conhece a banda, ou conhece mas não procurou ouvir este álbum, não deixe de fazê-lo – no mínimo, você enganará o estômago – ou melhor, os ouvidos – até que Straight Out of Hell, o novo álbum dos alemães, seja lançado em janeiro.

Abaixo, a faixa-título: