Resenha: Underworld – Symphony X

Breve histórico: Symphony X é uma banda estadunidense de metal progressivo/neoclássico formada em 1994. Considerados expoentes dos dois gêneros, são reconhecidos por aliar peso, técnica, elementos orquestrais, passagens melódicas e letras místicas em suas composições.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast)

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast)

A fim de buscar inspiração para seu nono álbum, o Symphony X foi pro inferno. Quer dizer, o Inferno de Dante Alighieri, talvez a passagem mais famosa de sua obra prima A Divina Comédia. Criar com base na trilogia já é quase um clichê no meio artístico. O romance mais recente de Dan Brown também faz referência a essa mesma terça parte, tanto que leva o nome dela. Mesmo no universo do metal, há o notório exemplo do décimo disco do Sepultura, Dante XXI.

O conceito todo é trabalhado de forma inteligente, com letras que descrevem as agonias da um personagem anônimo em sua jornada pelo inferno dantesco. Contribuindo para esse imaginário, temos as artes impecáveis do encarte, que retratam o herói como um rapaz aparentemente “comum”, com roupas dos dias de hoje. E claro que tudo é capitaneado pelo mais importante: a música do quinteto, que ficou definitivamente infernal a partir do excelente Paradise Lost.

Como um todo, não há surpresas aqui. Tudo o que você ouviu nos dois álbuns anteriores, ouvirá novamente nessas 11 faixas – e isto poderá desagradar aos fãs que ainda se prendem ao passado mais melódico e menos “loudness war” do grupo. Quase todas as músicas são pauladas do começo ao fim. As exceções são a abertura instrumental “Overture” e as baladas “Without You” e “Swan Song”. Pra quem gosta, o álbum é um prato cheio. Destaque para “Kiss of Fire”, com toques de thrash; a épica “To Hell and Back”; e a faixa-título – dá até para visualizar o público cantando junto o seu refrão.

O único deslize da banda aqui foi ter prometido o que, no fim, não entregou. Alguns membros haviam sugerido em entrevistas anteriores que o álbum traria elementos melódicos. Mas, na verdade, o que Underworld faz é enterrar de vez a esperança de alguns sinphomaníacos de ouvir novamente algo próximo de um The Divine Wings of Tragedy. Até existem faixas preparadas mais ou menos com esse fim, mas o grosso aqui é pra quem tem pescoço de aço para banguear por mais de uma hora. Os fãs mais sedentos por sangue agradecem.

Além disso, o quinteto parece ter encontrado uma nova zona de conforto. Até aí, nada de errado por si só. Mas um time de músicos conhecidos por surpreenderem nem sempre pode se dar esse luxo. Começa a se fazer necessário um álbum que seja tão surpreendente quanto Paradise Lost foi quando veio ao mundo.

Nota = 8,0. Com uma temática muito bem trabalhada e uma música ainda mais empolgante que Iconoclast, Underworld conquista mesmo sem mostrar nenhuma evolução musical. A pontuação alta se justifica porque o Symphony X é um dos grupos que mais faz jus ao seu passado atualmente. Um lançamento candidato a constar em lista de melhores do ano.

Abaixo, o lyric video da faixa “Nevermore”:

Resenha: “Iconoclast” veio para mostrar do que o Symphony X é feito

Breve histórico: Symphony X é uma banda estadunidense de metal progressivo/neoclássico formada em 1994. É um dos grandes nomes dos gêneros atualmente, e possui em sua formação o guitarrista Michael Romeo e o vocalista Russel Allen, duas figuras muito reconhecidas no mundo do metal.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast)

O álbum Iconoclast é lançado em meio a uma turnê mundial da banda, que passou pelo Brasil há poucos dias (confira fotos do show no Rio aqui). O oitavo disco do grupo dá continuidade à pegada mais agressiva que ele vem demonstrando desde o antecessor de Iconoclast, Paradise Lost. Todas as faixas são agressivas e poderosas.

Como o vocalista já havia mencionado anteriormente, o álbum apresenta um tema que combina todas as suas faixas: a dominação do mundo pelas máquinas e o problema da tecnologia a que estamos submetendo nossa sociedade. Isso contribuiu para que a musicalidade de Iconoclast seja mais sombria que a dos álbuns anteriores.

O resultado da produção foi um álbum agressivo, técnico e “dark”. Talvez tenha pecado por ser um tanto repetitivo, mas é um grande lançamento. Todos os membros da banda aproveitaram a chance para mostrar por que o Symphony X é um dos grupos de metal mais reverenciados atualmente. Destaque para as faixas “Iconoclast”, a mais longa do disco; “Bastards of the Machine” e “Prometheus (I Am Alive)”, bem pesadas; e “When All Is Lost”, que lembra a fase antiga do grupo.

Nota final = 8,0. Sem dúvida um dos melhores do Symphony X. Sobrou dedicação e preocupação à produção e à composição. As músicas podem até ser repetitivas, mas todas trazem aquilo de que a banda é feita: peso, técnica e qualidade.

Abaixo, a faixa “Prometheus (I Am Alive)”, uma das melhores do disco: