Resenha: “A Dramatic Turn of Events” não empolga, mas é exemplo de bom trabalho do Dream Theater

Breve histórico: Com mais de 25 anos de carreira, o Dream Theater estabeleceu-se como um dos grupos de metal mais influentes e bem sucedidos da atualidade, sendo o principal nome do metal progressivo. Formada por músicos de talento acima da média, a banda conquistou seu público com canções que variam entre o leve ao agressivo, sempre com muita técnica.

Reprodução da capa do álbum (© Roadrunner Records)

Sempre que um conjunto musical troca um de seus membros, cria-se uma certa especulação em torno do futuro deste grupo – especialmente quando o membro é um dos fundadores. Mike Portnoy, baterista que criou o Dream Theater com o baixista John Myung e o guitarrista John Petrucci, deixou seus colegas em 2010, sendo substituído no ano seguinte pelo talentoso Mike Mangini. O processo de seleção do novo músico foi um verdadeiro espetáculo registrado como documentário em formato de reality show – algo que já foi objeto de crítica deste blog. O novo álbum já era algo esperado, posto que o motivo da saída de Portnoy foi justamente o fato de ele querer uma pausa, e o resto da banda querer continuar trabalhando. Trocado o baterista, o grupo se enfurnou no Cove City Sound Studios, nos EUA, e produziu seu décimo primeiro álbum de estúdio.

O resultado foi uma produção típica do Dream Theater. Nada de baixo nível, é claro, mas facilmente ofuscável por outros álbuns mais interessantes, como Images and Words, Metropolis, Pt. 2: Scenes from a Memory, Octavarium, entre outros. A recepção deste álbum provavelmente será diversa: uns dirão que Mangini substitui Portnoy sem problemas, outros dirão que o Dream Theater mudou pra pior. Um “racha” entre fãs previsível e semelhante ao ocorrido com o Stratovarius pós-Timo Tolkki ou o Nightwish pós-Tarja Turunen. Mas a verdade é que o som da bateria é essencialmente o mesmo. O próprio grupo já havia demonstrado em seu documentário desinteresse por bateristas que tentassem adicionar o seu toque pessoal. Eles queriam alguém que tocasse as músicas do jeito que Portnoy tocava. E assim fez Mike Mangini.

A faixa de abertura e primeiro single do álbum é “On the Backs of Angels”, primeira canção com o novo baterista a ser divulgada. Não empolga muito, mas ainda assim convida o ouvinte a experimentar mais do álbum. É interessante notar que os primeiros versos cantados pelo vocalista James LaBrie lembram o estilo de Andrew McDermott, do Threshold, mais precisamente no disco Dead Reckoning. A segunda, “Build Me Up, Break Me Down”, tem uma introdução interessante e uns toques eletrônicos, que mostram alguns elementos novos no som da banda. As duas primeira faixas, convém observar, são marcadas por uma orquestração que acompanha os solos e os arranjos sofisticados de Jordan Rudess. Mas o tecladista ainda tem muito espaço para mostrar por que é considerado um dos melhores do mundo em “Lost Not Forgotten”, terceira do disco e uma das que passam dos 10 minutos.

“This is the Life” é uma das baladas do álbum: lenta e poderosa. Tem um belo solo de John Petrucci. A posição da faixa talvez não tenha sido por mero acaso: ela precede a mais agressiva do disco, “Bridges in the Sky”, que traz o peso de Black Clouds & Silver Linings, álbum anterior do grupo. A faixa seguinte, “Outcry”, vem com o mesmo peso e traz um pouco mais de técnica. A curta “Far from Heaven” foi escrita pelo vocalista James LaBrie, que é acompanhado apenas por piano e cordas – um respiro após mais de uma hora de muito peso que precede a faixa mais longa do disco, “Breaking All Illusions”. Fechando o álbum, a curta e leve “Beneath the Surface”, sem bateria: só cordas, voz, teclados e violão. Uma boa escolha para terminar este disco.

Nota = 7,5. Como bem disse o crítico musical Rich Wilson, A Dramatic Turn of Events não agrada de imediato e “são necessárias várias escutadas para compreender totalmente o que a banda conseguiu aqui”. De fato, o álbum não impressiona muito, para quem já ouviu Black Clouds & Silver Linings e outros álbuns citados acima, mas é preciso coragem para apontar um trabalho ruim de um grupo do naipe do Dream Theater, e este com certeza não o é. Pelo contrário, é uma obra bem produzida, equilibrada e de altíssima qualidade. Só não causou o impacto que alguns esperavam, para o bem ou para o mal.

Abaixo, o vídeo de “On the Backs of Angels”:

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2 Respostas para “Resenha: “A Dramatic Turn of Events” não empolga, mas é exemplo de bom trabalho do Dream Theater

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