Resenha: The Black Album – Redlizzard

Reprodução da capa do álbum The Black Album, do Redlizzard

Munidos de um novo vocalista (Gerson Santos), o quinteto de hard rock português Redlizzard marca o ano de 2019 com seu terceiro álbum de estúdio, The Black Album.

Participante da 4ª temporada da edição lusitana do programa Ídolos, Gerson não perdeu a chance de se mostrar um substituto à altura de Mauro Carmo, o ocupante anterior deste posto num grupo que, até então, só estava acostumado a trocar de baixista.

O hard rock do Redlizzard segue fiel ao manual do bom e velho rock ‘n’ roll direto e “sem frescuras”, como alguns gostam de dizer. E mantém os rapazes como boa dica para brasileiros interessados em conhecer mais da música rock feita na terra de nossos colonizadores.

Não pude deixar de notar, contudo, que o poder de fogo parece ter diminuído do disco anterior (The Red Album, 2015) para cá. Os riffs soam menos agressivos e as frases parecem mais gentis com os ouvidos. Não chega a ser um problema, mas uma insistência neste tipo de som ou, pior, uma incursão mais profunda nessa leveza toda podem alienar parte da base de fãs do grupo.

Nota = 4/5

Abaixo, o clipe de “Let It Rock”:

Resenha: MMXIX – Sioux 66

Reprodução da capa do álbum (© Sioux 66/Sony Music Entertainment Brasil)

Um dos nomes mais gratificantes do rock nacional recente está de volta com um dos álbuns mais gratificantes do rock nacional em 2019, lançado antes mesmo que baixasse a poeira da apresentação deles no Rock in Rio deste ano.

Sioux 66, quinteto paulistano que brinca naquela tênue linha que separa o hard rock pesado do heavy metal tradicional, vem com um trabalho curto e direto com o sugestivo nome MMXIX (2019 em algarismos romanos).

E bota curto nisso: são apenas oito faixas, totalizando menos de 40 minutos de música. Talvez o único defeito relevante da obra como um todo seja este, ser breve demais.

Mas é uma decisão que faz sentido frente ao que parece ser uma nova proposta musical da banda. O som deles está mais pesado e acelerado que no CD anterior (Caos, de 2016; clique aqui para conferir minha resenha a respeito), e ser direto era crucial para garantir que as mensagens urgentes do disco fossem entregues com eficiência.

Mensagens estas que vemos principalmente em momentos mais ácidos como “Respostas”, “O Corre”, “Virtual/Realidade” e mesmo o cover de “Diversão”, dos Titãs, com participação do baixista e vocalista deles, Branco Mello, nos vocais de apoio. Branco é pai do guitarrista Bento Mello e divide sua atuação nesta música com os também vocalistas Gabriel Martins (Mattilha) e Cyz Mendes.

Outras faixas, como a abertura “Paralisia” (se a breve introdução instrumental “Laico” não for considerada) e o encerramento “Aqui Estou”, são mais introspectivas e pessoais. E faltou falar só de uma: a diferentona “Jaz”, toda acústica e com uma levada tribal.

Não posso deixar de constar que MMXIX marca a estreia – e isso ajuda a explicar a evolução no som – de Yohan Kisser como substituto de Mika Jaxx na outra guitarra. Agora, as doze cordas do quinteto estão nas mãos de dois herdeiros do rock nacional clássico.

Explico: além de Bento, Yohan, como você já deve ter desconfiado, também é filho de outra lenda do rock/metal nacional: Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura (coincidentemente ou não, Andreas fez uma participação especial em “Uma Só Vez”, canção presente na estreia deles, Diante do Inferno (2013)).

Mas seria de uma canalhice imensa atribuir o sucesso e a qualidade deles a essas descendências. Eles têm mérito próprio de sobra, de modo que esses “paizões” apenas somam a algo que já era grande por si só.

MMXIX coloca o Sioux 66 no pódio do rock nacional de 2019 – especialmente por ser cantado em português – e, por que não, pode ser colocado em condição de igualdade com outros ótimos lançamentos recentes do gênero na gringa. Falo de Boneshaker, do Airbourne, e Damnation, do Aerodyne (clique aqui e aqui, respectivamente, para conferir minhas resenhas a respeito deles).

Nota = 5/5

Abaixo, o clipe de “Aqui Estamos”:

Resenha: Boneshaker – Airbourne

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

O quarteto australiano de hard rock Airbourne tinha uma missão muito clara em sua cabeça quando iniciou a preparação de seu quinto álbum de estúdio, Boneshaker: criar uma obra de rock ‘n’ roll puro, sem frescuras, direto, cru, orgânico, enfim, todos os rótulos clichês para bandas deste naipe.

Se os rapazes lá do outro lado do Hemisfério Sul vinham demonstrando em seus lançamentos recentes (Black Dog Barking e Breakin’ Outta Hell; veja aqui e aqui minhas resenhas a respeito deles, respectivamente) uma certa tentativa de afastamento do AC/DC, aqui eles refreiam esta tendência e voltam com força total para os anos 1970.

Mas isto não é uma reclamação. O som deles é tão condensado e amarradinho (especialmente neste disco, que foi gravado como uma apresentação ao vivo) que tudo se resume a um questão de gostar ou não. Não há o que discutir ou filosofar.

Se pudesse pinçar algumas faixas especiais para comentar, escolheria a homenagem a Melbourne “This Is Our City”. Ou a rica “Weapon of War”, que pode ser considerado um trabalho deveras progressivo dentro dos padrões da banda. Ou o encerramento “Rock ‘N’ Roll for Life”, que resume a mensagem do álbum como um todo, na letra e no instrumental.

Boneshaker marca a estreia de Matt Harrison na guitarra base e nos vocais de apoio, substituindo David Roads – a primeira mudança na formação deles desde sua estreia em 2007. A novidade passa bem despercebida, pois não há diferenças relevantes entre o som atual deles e o som dos lançamentos anteriores, exceto a já mencionada tentativa de soar mais “ao vivo” e oldschool.

E assim, aquela velha máxima segue verídica: se você gosta de Airbourne, vai gostar deste disco. Se não gosta, sua opinião permanecerá a mesma, portanto, melhor nem perder seu tempo escutando isto aqui.

Nota = 4/5.

Abaixo, o clipe de “Boneshaker”: