Resenha: Arjen se supera novamente com “The Theory of Everything”, do Ayreon

Breve histórico: O Ayreon é o principal projeto do multi-instrumentista holandês Arjen Anthony Lucassen. Há quase 20 anos na ativa, o trabalho ganhou notoriedade por já ter envolvido mais de 60 convidados diferentes (a maioria vocalistas) em sua discografia. Isso ajudou a fazer do Ayreon a maior rock/metal opera que já existiu.

Reprodução da capa do álbum (© InsideOut Music)

Reprodução da capa do álbum (© InsideOut Music)

O anúncio de The Theory of Everything levou os fãs à euforia especialmente porque alguns suspeitavam que o Ayreon estava acabado. O mentor do projeto afirmou em uma entrevista a Carl Begai que talvez dez anos poderiam se passar até ele compor um novo álbum para o projeto. Três anos depois, afirmou ao Metal Shock Finland que o Ayreon estava ficando financeiramente inviável. Ainda no mesmo ano, disse ao Road to Metal que, se os fãs não comprassem seus discos, ele pararia de fazê-los, afinal, eles são a única renda para o projeto, que, devido à quantidade de convidados, não tem como se apresentar ao vivo.

Enfim, o músico decidiu seguir em frente, e com a mesma fórmula: chamou um time de peso para colaborar com ele. A lista inclui, por exemplo, o trio Rick Wakeman, Keith Emmerson e Jordan Rudess, os três maiores tecladistas da atualidade. Para qualquer fã de rock progressivo, só eles já valeriam o disco inteiro. Mas não para por aí: Steve Hackett, do Genesis, também deu as caras. Troy Donockley, agora um membro oficial do Nightwish, contribuiu com seus instrumentos exóticos. Nos vocais, nomes como Marco Hietala (também do Nightwish), Cristina Scabbia (Lacuna Coil) e John Wetton (Asia, UK, ex-King Crimson, ex-Family, ex-Roxy Music), entre outros. É um time mais enxuto que os dos álbuns anteriores, mas não fica por baixo em termos de qualidade.

O álbum é composto por apenas quatro faixas, mas todas têm mais de 20 minutos. Por isso, foram divididas em 42 faixas menores para que pudessem caber nos dois discos. É verdade que quase todos os discos do Ayreon são conceituais, mas, normalmente, as faixas podiam ser apreciadas isoladamente, pois simplesmente marcavam momentos distintos da história de cada disco. Em The Theory of Everything, contudo, as faixas menores emendam uma nas outras de tal maneira que é impossível escutá-las como trabalhos separados. Assim sendo, esta resenha partirá do princípio de que se trata de um disco de quatro faixas, e não 42.

O álbum possui aquele som característico do Ayreon, com os típicos riffs pesados de Arjen harmonizados com cordas, flautas, órgãos Hammond e teclados progressivos. As quatro faixas, estruturalmente, seguem a mesma fórmula: diálogos entre os personagens separados por interlúdios instrumentais, alguns curtos e simples, outros mais longos e complexos. E há espaço para absolutamente todos os tipos de sons com os quais Arjen já está acostumado a lidar: passagens pesadas, sinfônicas, eletrônicas, progressivas, exóticas, belas, serenas, tensas, místicas e sinistras.

Aliás, o que chama a atenção ao longo do álbum é justamente esta variação constante de ritmos e climas. Passagens rápidas, pesadas e cruas cessam abruptamente para dar lugar a várias camadas de teclados atmosféricos enfeitados com vocais e solos leves na guitarra. A divisão das 42 faixas foi feita de maneira a respeitar estas mudanças de dinâmica.

O fã talvez sentirá falta de refrãos. Como um “Faroeste Caboclo”, as quatro faixas não possuem, digamos, momentos principais. Alguns riffs, contudo, são recorrentes: o riff de uma nota só (Ré) no baixo, que é ouvido no início de “Singularity” e no início e encerramento de “Unification”; e o riff principal da faixa-título, que foi dividida em três e tocada duas vezes em “Singularity” e uma vez em “Unification”.

Vale notar que Arjen nunca abusou tanto dos teclados. São vários os momentos no álbum em que riffs progressivos, psicodélicos e futuristas são apresentados aos fãs. Ao mesmo tempo, o músico arranha sua guitarra em alguns momentos com violência nunca antes vista no Ayreon, apenas no Star One, caracteristicamente mais agressivo que o principal projeto. O que é curioso, já que ele havia prometido um disco menos pesado que 01011001.

A história do álbum, como sempre, é fantasiosa e intrigante. O Prodígio (interpretado por Tommy) é um aluno brilhante que impressiona a seu Professor (JB) e causa inveja em seu Rival (Marco), que se considera o verdadeiro gênio. Ambos também disputam a atenção de uma Garota (Sara Squadrani). O Pai (Michael Mills) e a Mãe (Cristina) se preocupam com o filho e o levam ao Psiquiatra (John Wetton), para que este o ajude a se adaptar ao mundo, nem que para isso ele tenha que usá-lo como cobaia para uma nova droga que desenvolveu.

Nota = 9,5. É difícil apontar pontos altos no disco porque ele é inteiro um ponto forte. Arjen, um dos poucos músicos vivos que este que vos escreve se atreve a chamar de gênio, equilibrou muito bem o seu lado progressivo com o lado heavy metal, e, com a ajuda de todos os seus ilustres convidados, lançou talvez uma das maiores obras de metal progressivo até hoje.

Abaixo, um pedaço da faixa “Phase I: Singularity”, incluindo as partes 1 e 2 do trecho “The Theory of Everything”:

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4 Respostas para “Resenha: Arjen se supera novamente com “The Theory of Everything”, do Ayreon

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