Wikipédia completa 10 anos hoje!

Tá vendo aquelas pecinhas faltando no topo da esfera? Crie uma conta e complete-as!

A Wikipédia, uma das páginas da web mais acessadas do mundo, completa uma década de existência hoje. Lançada por Jimmy Wales em 15 de Janeiro de 2001, o projeto hoje existe em 278 idiomas (inclusive idiomas extintos, artificiais ou falados em tribos isoladas), conta com mais de 17,6 milhões de artigos, 27 milhões de usuários e quase 2 milhões de imagens. Se a Wikipédia fosse uma cidade, seria a mais populosa do mundo. Se fosse uma região metropolitana, seria a segunda maior. Se fosse um país, seria o 47º em número de habitantes.

Fico feliz por ter contribuído para isso com algumas centenas de artigos e imagens, e também por ser um destes 27 milhões. A Wikipédia já foi minha companheira em madrugadas solitárias de sábado. Já me fez descobrir coisas que eu nem imaginava. Já perdi a conta de quantas brigas já arrumei lá dentro por solicitar a eliminação de alguma página, ou por encher um artigo de avisos de problemas de fontes, gramática, organização, etc. Confesso que é divertido ver um novato esperneando porque eu mandei apagar o maravilhoso artigo que ele escreveu para a gloriosa banda Abelhas Abelhudas, que conquistou o 4º lugar na 2ª divisão do XVII Concurso de Novos Talentos da Vila Guilhermina. Também rio daqueles que tem a cara-de-pau de criar um artigo escrito “Little Billy is my brother and he’s pretty cool, LoLz” e ainda ficam bravos por ele ser eliminado.

Eu também já tive artigos meus apagados. É normal, faz parte do aprendizado. É tão normal quanto deixar o carro morrer quando se dirige pela primeira vez, ou deixar o bolo murchar na primeira vez que se tenta prepará-lo. O que importa na hora de se ter um trabalho eliminado é a cordialidade da pessoa que sugere a eliminação. Normalmente, o pedido de eliminação vem acompanhado de uma viso frio mas instrutivo para o autor da página. Ou não, o usuário pode ter a infelicidade de se deparar com uma administrador que deleta o seu artigo dando como justificativa duas palavras: “complete bullshit” (baboseira total, em tradução livre), como já aconteceu comigo.

O que mais impressiona na enciclopédia virtual é a organização. Na versão em inglês, pelo menos, há várias regras bem definidas para nortear o conteúdo dos artigos e os procedimentos a serem tomados em determinadas situações. Mesmo assim, há margem para discussões, tal como há margem para debates em julgamentos aqui no mundo real. Os dois advogados se baseiam na lei, mas só um leva a causa com seu cliente. Na Wiki também é assim, com a diferença de que cada um é seu próprio advogado e as decisões são tomadas por consenso, e não por voto ou palavra final de alguém. Não há hierarquia rígida, apenas usuários com mais atribuições que outros. Mas nenhum deles tem mais poder real que os demais. Tanto é que até um artigo escrito por ninguém mais ninguém menos que Jimbo Wales, fundador do projeto, já foi proposto para eliminação duas vezes. Sim, o queridinho da Wikipédia também possui uma conta igual às contas dos reles mortais como eu.

O senhor Jimbo Wales, que também atende por Jimmy Wales, disse uma vez: “Imagine a world in which every single person on the planet is given free access to the sum of all human knowledge. That’s what we’re doing.” (“Imagine um mundo em que cada pessoa no planeta tem acesso livre à soma de todo o conhecimento humano. É isso o que estamos fazendo.”, em tradução livre) O dia-a-dia da Wikipédia nada mais é do que a eterna tentativa de realização deste sonho, sonho este que nunca se concretizará por completo, mas teve no projeto o maior esforço já visto para trazê-lo à realidade.

Como complemento, sugiro a leitura do artigo “Erradicando a fome de conhecimento“, escrito por Alexandre Hannud Abdo e Névio Carlos de Alarcão e publicado na Folha de S.Paulo de sexta-feira, dia 14/01.

Nota: uma versão levemente modificada deste texto foi publicada no Site da Granja. Clique aqui para conferir.

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Por que eu me abstive das eleições do CA e mais…

Ovo quebrado (por Luca Volpi)

A Chapa Omni perdeu as eleições para o Centro Acadêmico Benevides Paixão. (foto: Luca Volpi)

Ah, eleições. Quando acho que estou livre de uma, vem outra. A campanha. Os amigos dos dois lados tentando me convencer a votar neste ou naquele. Os boatos eleitorais. As apelações. Os golpes sujos. Os alienados. Os militantes. Os double-agents. Tudo que eu via na tevê e lia nos jornais estava acontecendo bem ali, na minha frente, quase que dava para tocar.

Na terça (23) de manhã, tivemos o tão esperado (por mim pelo menos) debate entre as chapas candidatas à próxima gestão do Centro Acadêmico Benevides Paixão: Chapa Desassossego e Chapa Omni. Como eu já esperava, os ânimos se exaltaram em alguns momentos, mas não houve derramamento de sangue.

A Chapa Omni, a qual eu acompanho desde seu nascimento, decepcionou-me por não ter conseguido responder às perguntas com firmeza. Eles já deviam esperar que seriam fuzilados por todos os lados, considerando que o sonho socialista está mais vivo do que nunca nos corações da maioria dos estudantes engajados com o ambiente acadêmico faficlano. Sonho este com o qual essa chapa não compactua, e nem eu, tampouco. Mas faltou aquele algo mais. São uma chapa boa, com propostas boas, mas faltaram bons transmissores dessa mensagem. Queiram os amarelinhos ou não, é difícil levar à sério uma chapa formada por pessoas que na sua grande maioria não participam do C.A., nem do Contraponto, nem das assembleias, nem de nada.

A Chapa Omni simboliza a união, a síntese, o centrismo, tudo aquilo que eu apoio. Nesse sentido, o voto neles é válido para quem quer exatamente aquilo que a os membros do nosso CA tanto prezam: a possibilidade do debate. Mas, por motivos pessoais que prefiro não registrar aqui, preferi não depositar meu voto neles.

A Chapa Desassossego, por sua vez, mostrou-se bem enérgica, enérgica até demais em alguns momentos, beirando a grosseria. Utilizaram do velho discurso antimercantilização com o qual já estou habituado há meses. Nunca concordei com esse discurso. Não pelo discurso em si, mas por que ele é incompatível com a conjuntura político-econômica atual. Pensamento socialista, nos dias de hoje, serve apenas como contraponto ao capitalismo, não como solução. Enfim, não vou me alongar nesse papo.

Por uma questão de princípios, não posso votar nos desassossegados, mas pelo menos posso afirmar que confio no taco deles. Eles tem experiência acadêmica compatível com as necessidades do curso. Vale lembrar que somos nós, alunos, que pautamos a maior parte dessas necessidades. Cabe a nós, portanto, evitar que a futura gestão transforme as atividades acadêmicas em meras propagandas socialistas.

Segundo fontes seguras, o debate noturno foi mais equilibrado. A Chapa Desassossego continuou contando com reforços de outros cursos, mas a Atlética de Comunicação compareceu em peso para equiparar as forças.

No fim das contas, deu Chapa Desassossego por 197 votos a 83. Que eles façam uma boa gestão, e que a Chapa Omni continue atuando como oposição.

PS1: A chapa oposicionista diz que o diálogo com o CA é difícil. Já a situacionista diz que eles estão sempre abertos. Alguém está mentindo…e eu tô querendo descobrir quem é.

PS2: Ontem, fui cobrir as 500 Milhas da Granja Viana…como jornalista inexperiente que sou, nem me preocupei em levar boné e protetor solar, e o resultado é, digamos, visível. Fora o fato de ter ficado lá por 15 longas horas com uma breve pausa para o almoço, o evento foi divertido. Ainda estou com o maldito som dos karts zunindo em meus ouvidos, bem como o som do narrador que falou sem parar e dos apitos dos funcionários dos boxes, que soavam estridentes toda vez que um kart parava para abastecer ou ser consertado. Tudo isso em companhia do fotógrafo do Site da Granja, Thiago, e do meu camarada Guilherme Gomes.

PS3: Se você leu PlayStation 1, 2 e 3 nos PS acima, desligue o video-game e vá ler um livro. Sério.

Ao som de Chopin.

Crônicas de uma greve e de um primeiro dia de trabalho

É, já faz um tempo que não escrevo aqui…falta de assunto e de inspiração. Na verdade, assuntos até sobravam, o que não sobrava era uma luz que me guiasse a escrever decentemente sobre eles.

Primeiramente, greve na PUC, a controversa greve na PUC…quem diria que eu pagaria uma gorda mensalidade para paralisar minhas aulas em prol de um bem maior. Mas enfim, faz parte do aprendizado, enriquece o indivíduo e essa coisa toda que dizem por aí, e que é verdade. Sério.

O interessante da greve não é o movimento em si, mas sim o quanto ela serve para estudarmos o ser humano. Coisa que, aliás, todo jornalista acaba fazendo, gostando ou não. A greve foi uma amostra de movimento político, uma miniatura do que deveria ser o Brasil, ao meu ver. Temos um grande grupo de revoltados (do qual eu fiz parte, mesmo que moderadamente) que se une por causas legítimas. São os ditos “politizados”, o que não significa necessariamente “esquerdistas” (ainda bem). Um diminuto grupo de conformistas que não acham justo pagar para não ter aula. São os ditos “conservadores”. Um grupo considerável de vagais que traduziram greve como “férias” e ficaram em casa dormindo. São os chamados….”alienados”, o que não faz deles menos conformistas que os conservadores. A diferença é que os conservadores também se articulam, de maneira a equilibrar as forças no eterno embate esquerda x direita.

Após esse parágrafo bem brisado, permitam-me concluir explicitando aquilo que mais me chamou a atenção na greve: o quanto as pessoas mudam de atitude rapidamente sem motivo aparente…refiro-me às pessoas que sempre viram o curso como uma maravilha e de repente se abraçam na causa “PUC está ficando medíocre!”. Mais interessante ainda é ver certas pessoas que sabidamente não são lá muito amigas se juntando umas às outras em torno da causa. Comovente. Sério, acho bonito isso.

Por fim, comecei hoje meu estágio no Site da Granja. Não é uma Folha ou Estadão da vida, mas o ambiente cheio de telefones tocando, pessoas andando pra lá e pra cá, ordens diversas vindo de todos os lados e teclados sendo massacrados por dedos afoitos num incessante “tec-tec-tec-tec” me serviu de prelúdio para o que me espera no futuro. Não vou dizer que não é cansativo, mas que compensa depois, quando o trabalho está pronto, compensa.

Ao som de Zé Ramalho.