Resenha: Cold Like War – We Came as Romans

Reprodução da capa do álbum (© SharpTone Records)

Depois de lançar um chato álbum autointitulado (resenhado neste blog), o sexteto estadunidense We Came as Romans aparenta querer voltar para o bom electronicore em Cold Like War, seu quinto lançamento de estúdio, e o primeiro pela SharpTone e com o baterista David Puckett.

A abertura “Vultures with Clipped Wings” empolga – mas a primeira música do disco anterior fazia o mesmo e suas sucessoras colocavam a expectativa gerada a perder. Não é o que acontece aqui, pois depois dela, temos a também ótima faixa título. E, no decorrer da tracklist, teremos mais ótimos momentos como “Foreign Fire”, “Wasted Age” e “Encoder”.

Mas a aventura pop não ficou no passado. Praticamente todo o álbum passeia livremente entre o pop e o metal, variando a dosagem de cada um dos gêneros conforme a faixa – lembrando que o electronicore mistura metal com eletrônico, não necessariamente com pop. A qualidade delas também varia, indo do ótimo ao descartável, como a fraca “Promise Me”. É a banda em processo de busca por um som próprio – ou pelo menos é isso o que ela dizia ao divulgar o novo trabalho.

Na tentativa de fugir de simplismos, não vou me limitar a colocar as peças mais puxadas para o metal ou para o pop em duas pontas de uma gangorra, ver qual lado pesa mais e usar isso com critério principal para avaliar a obra como um todo. Limitar-me-ei a louvar a recuperação das raízes antes abandonadas e reconhecer o esforço do grupo em experimentar variações dentro do gênero.

Nota = 4/5. Mesmo que Cold Like War não seja uma pérola, já é um grande alento ver que o We Came as Romans pulou fora da barca furada que é a “linkinparkização” do electronicore. Entende-se que o disco anterior foi, realmente, apenas uma fase. Quem sabe eles não sejam imitados por outras bandas que trilhando o mesmo caminho perigoso, como o I See Stars e o Asking Alexandria (este último, por exemplo, acabou de lançar um trabalho bem fraquinho e representativo dessa tendência).

Abaixo, o vídeo de “Cold Like War”:

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Resenha: Treehouse – I See Stars

Breve histórico: I See Stars é um quarteto estadunidense de electronicore e um dos expoentes do gênero. Sua música é marcada por riffs pesados e guturais agressivos dividindo espaço com vocais melódicos e uma rica atmosfera eletrônica – como manda o manual do gênero.

I SEE STARS - TREEHOUSE

Reprodução da capa do álbum (© Sumerian Records)

Aos poucos, a nova realidade do I See Stars foi sendo revelada: Jimmy Gregerson e Zach Johnson estavam fora. O primeiro era um dos guitarristas, uma ausência não tão complicada de suprir. Mas o segundo era apenas o tecladista e vocalista gutural do então sexteto. Como resultado, Devin assumiu todos os vocais (guturais e limpos), enquanto que seu irmão Andrew deixou a bateria para se dedicar à área das teclas e programações. A percussão ficou nas mãos do convidado Luke Holland, do The Word Alive.

Muitos se perguntaram como seria o impacto disso na banda. É difícil dizer se é a mudança de membros a responsável, ou se eles já se direcionavam para isto mesmo na formação antiga, mas a verdade é que os estadunidenses parecem sinalizar um direcionamento para um som mais leve e artificial, seguindo um caminho perigosamente parecido com o do We Came as Romans (cujo último álbum, autointitulado, foi resenhado neste blog).

Se a faixa de abertura “Calm Snow” dita a tônica geral de Treehouse, sua sucessora “Break” quase engana com sua qualidade superior à média do álbum. Mas o restante das faixas revela que a banda quer mesmo é se distanciar do electronicore que ela própria ajudou a moldar. As ótimas “Running with Sissors” e “Mobbin’ Out” até darão uma ponta de esperança, mas vão da água para o vinho quando chega a puramente eletrônica (e nem por isso ruim) “Walking on Gravestones”.

A reta final do álbum, finalmente, faz jus à trajetória do grupo. “Light in the Cave”, “All In”, Portals”… Pode escolher, são todas faixas que valem a pena. O custo para chegar até elas, este sim, é elevado demais. Fãs menos pacientes provavelmente interromperam a audição na quarta ou quinta faixa.

É louvável que o I See Stars tente dar uma repaginada no seu som, e isto é natural, dada a nova formação – mas o flerte perigoso com a electronica nos deixa com um frio na espinha, pensando se no próximo lançamento eles não vão chutar o balde e virar mais uma banda do insuportável “indie pop”.

Nota = 6/10. O electronicore é um estilo perigoso por abrir espaço para elementos normalmente rechaçados pela comunidade headbanger, dando margem para insetos vociferarem que “ishtu num é metau”. Mas quando o eletrônico começa a dar sinais de que vai tomar o espaço das guitarras, fica difícil de defender vocês, amigos.

Abaixo, o vídeo de “Mobbin’ Out”:

Resenha: We Came as Romans – We Came as Romans

Breve histórico: We Came as Romans é um sexteto estadunidense de electronicore, e um dos principais nomes do gênero. Embora seja uma vertente naturalmente marcada por vocais melódicos, o WCAR nunca teve medo de ir um pouco além, ganhando assim também o rótulo de “metalcore melódico”.

Reprodução da capa do álbum (© Equal Vision Records)

Reprodução da capa do álbum (© Equal Vision Records)

Não é uma surpresa que o quarto álbum do We Came as Romans, autointitulado, seja bem diferente dos primeiros trabalhos da banda. O disco anterior, ironicamente chamado Tracing Back Roots, já dava sinais de um distanciamento do metalcore. Ao grupo, restará lidar com a parcela significativa de fãs que reprovarão o novo direcionamento.

E, neste caso, a intolerância até se justifica. Pois o que antes era mais um bom nome do electronicore, comparável a I See Stars, The Browning, Capture the Crown e Abandon All Ships, agora vira uma espécie de imitação de Linkin Park. É injusto (e até precipitado) logo este álbum receber o nome da banda. Como fez o Stratovarius em 2005, o We Came as Romas autointitula justamente o trabalho que, por enquanto, é o maior candidato a ser o patinho feio de sua discografia.

A abertura “Regenerate” tem o mérito de recuperar os elementos perdidos, mas ao mesmo tempo ilude os inocentes que acharem que ela dita a tônica das suas sucessoras, quando na verdade elas apenas deixam claro que os guturais e riffs djent são passado. Fora esta, só “Tear It Down”, “Defiance” e “12:30” fazem jus aos primórdios do grupo. O resto é quase um pop rock. Na verdade, se não fossem as guitarras, eu ficaria em dúvida se deveria enviar a resenha para o Whiplash.net ou não.

Coloquemos a coisa da seguinte forma: eu poderia passar o dia inteiro listando álbuns para quem quer conhecer o electronicore. We Came as Romans com certeza não estará entre eles. Para um gênero que enfrenta tanto preconceito mesmo dentro da comunidade headbanger, lançar algo assim chega a ser um ato de coragem.

Nota = 4/10. Firmar seu nome numa cena que flerta perigosamente com elementos estranhos ao heavy metal para depois adotá-los como essência é uma atitude perigosa. Há espaço de sobra para ser melódico no metalcore, principalmente na sua variação eletrônica, mas para tudo há um limite – ao ultrapassá-lo, a banda migra para outro gênero, e um que não a mantêm no mesmo nível de antes, tornando-a praticamente irrelevante.

Abaixo, o vídeo de “The World I Used To Know”: