Resenha: Ghost Stories – Coldplay

Breve histórico: banda de som único, o Colplay é um dos principais artistas britânicos deste século, com inúmeros prêmios, participações em trilhas sonoras e aparições nas paradas. Iniciado como um grupo do chamado “piano rock”, o quarteto hoje incorporou muitos elementos sintéticos ao seu som e flerta abertamente com a música eletrônica.

Reprodução da capa do álbum (© Parlophone)

Reprodução da capa do álbum (© Parlophone)

Três anos após o sucesso de crítica e vendas Mylo Xyloto (resenhado neste blog), o Coldplay lança Ghost Stories, álbum conceitual que narra a história de um homem em crise que vive diversas emoções diferentes até finalmente aceitar a situação em que se encontra – um enredo parcialmente inspirado pela relação conturbada do vocalista, pianista e violonista Chris Martin com a atriz Gwyneth Paltrow. É uma proposta ambiciosa, que a banda conseguiu entregar à sua maneira – mas o fã do quarteto precisa estar com o ouvido preparado para uma forte guinada no som do grupo.

Lembram daquele Coldplay marcado por pianos, cordas, sintetizadores e altas doses de emoção em sua música, produzindo faixas que iam da melancolia ao estado de êxtase em menos de cinco minutos? Bem, ficou no passado. Essencialmente, o disco é sonolento de tão leve. O fã precisa ser fã mesmo, de carteirinha, para apreciar isto. Porque, de Coldplay, este disco não tem quase nada, exceto o descomprometimento com estilos musicais. A única faixa que não dá sono e que recupera a energia positiva das músicas típicas da fase anterior do quarteto é “A Sky Full of Stars”, na qual a banda se entrega de vez ao dance.

Aliás, que banda? Estou até agora procurando sinais da bateria de Will Champion – ou ele realmente se resume a essas batidas eletrônicas que qualquer software básico sintetiza com alguns cliques? O guitarrista Jonny Buckland, então, nem parece ter colocado os pés no estúdio. Mal se ouve o piano de Chris Martin, marca registrada do quarteto. Os membros sequer levam os créditos por seus instrumentos – são todos identificados como “produtores” no encarte do disco, como num trabalho de música pop/eletrônica. Admitem, assim, que seus instrumentos foram todos diluídos em uma insossa massa eletrônica.

Que fique bem claro: não é errado uma banda mudar de direção e explorar novos sons. Muito pelo contrário, é saudável, e sempre foi o caminho do Colplay. O problema é quando se deixa até a própria identidade para fazê-lo. O Coldplay, seja no Parachutes, seja no Mylo Xyloto, nunca deixou de fazer músicas densas e emotivas o suficiente para a alma ser tocada e o corpo se arrepiar. Esta tradição foi quebrada em Ghost Stories. Ou deveríamos chamá-lo de Bedtime Stories?

Nota = 5/10. Todos os pontos ganhos com o conceito inteligente do álbum são perdidos na sonolência e aparente falta de empenho instrumental (e até vocal). Nem vale a pena entrar no mérito de o Coldplay ser ou não uma banda de rock – se eles largaram o estilo, isto não os desmerece. A questão é: até que ponto uma banda consegue ir sem deixar parte dos fãs para trás?

Abaixo, o vídeo de “Midnight”:

Resenha: “Mylo Xyloto” é denso e positivo, duas marcas do Coldplay

Breve histórico: Coldplay é um daqueles grupos que o autor deste blog considera como “únicos” – palavra que aqui significa “nunca ouvi nada que soasse nem sequer próximo disso”. Formado em 1996 por Chris Martin (vocais, teclados, guitarra) e Jonny Buckland (guitarra) e reforçados mais tarde por Guy Berryman (baixo) e Will Champion (bateria), o grupo já ganhou diversos prêmios, vendeu milhões, virou freguês das principais paradas musicas do mundo e deixou sua marca na história da música contemporânea.

Reprodução da capa do álbum (© Parlophone)

Mylo Xyloto é um álbum carregado de energias positivas. É uma afirmação que soa brega e cafona, mas é real: As músicas são alegres, harmoniosas e parecem proporcionar uma sensação de bem-estar para quem as ouve (algo que o Coldplay já consegue fazer há tempos, diga-se de passagem). Na verdade, nem é preciso ouvir o álbum para saber que será uma experiência positiva: o título de algumas faixas (“A Hopeful Transmision”, “Up With the Birds”, “Don’t Let It Break Your Heart” e outras) já são uma dica para o teor do álbum.

O quinto álbum do Coldplay apresenta uma tracklist marcada tanto por canções alegres e cativantes (a maioria), como “Hurts Like Heaven”, “Charlie Brown” e o single “Every Teardrop is a Waterfall”; quanto composições mais “paradas” e simples, como “Up Against the World”, “U.F.O” e “Up in Flames”. Há também algumas surpresas, como “Major Minus”, que abre com um riff relativamente “tenso” no violão; e “Princess of China”, com a participação da cantora pop barbadiana Rihanna.

Escutar Mylo Xyloto é uma experiência cheia de cores e mais altos do que baixos. Quem assistiu à banda no Rock in Rio teve a oportunidade de ver o piano colorido de Chris Martin e as pichações do vocalista em painéis transparentes colocados no Palco Mundo; um prelúdio ao humor do álbum.

Nota = 9,0. Passando por cima de críticas infelizes que insinuam afirmam que o grupo tenta copiar o U2 e explorando novos sons, o Coldplay mostra em Mylo Xyloto uma banda independente, criativa e inovadora. Destaque para o primeiro single, “Every Teardrop is a Waterfall”, lançado em junho e introduzido por um riff que beira o pop, tirado do sucesso “I Go to Rio”, de Peter Allen e Adrienne Anderson; a participação inusitada de Rihanna em “Princess of China”; a distinta “Major Minus”; e a bela “Paradise”, que ganhou um vídeo tão bonito quanto (veja abaixo).

Abaixo, o vídeo de “Paradise”: