Resenha: Boneshaker – Airbourne

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

O quarteto australiano de hard rock Airbourne tinha uma missão muito clara em sua cabeça quando iniciou a preparação de seu quinto álbum de estúdio, Boneshaker: criar uma obra de rock ‘n’ roll puro, sem frescuras, direto, cru, orgânico, enfim, todos os rótulos clichês para bandas deste naipe.

Se os rapazes lá do outro lado do Hemisfério Sul vinham demonstrando em seus lançamentos recentes (Black Dog Barking e Breakin’ Outta Hell; veja aqui e aqui minhas resenhas a respeito deles, respectivamente) uma certa tentativa de afastamento do AC/DC, aqui eles refreiam esta tendência e voltam com força total para os anos 1970.

Mas isto não é uma reclamação. O som deles é tão condensado e amarradinho (especialmente neste disco, que foi gravado como uma apresentação ao vivo) que tudo se resume a um questão de gostar ou não. Não há o que discutir ou filosofar.

Se pudesse pinçar algumas faixas especiais para comentar, escolheria a homenagem a Melbourne “This Is Our City”. Ou a rica “Weapon of War”, que pode ser considerado um trabalho deveras progressivo dentro dos padrões da banda. Ou o encerramento “Rock ‘N’ Roll for Life”, que resume a mensagem do álbum como um todo, na letra e no instrumental.

Boneshaker marca a estreia de Matt Harrison na guitarra base e nos vocais de apoio, substituindo David Roads – a primeira mudança na formação deles desde sua estreia em 2007. A novidade passa bem despercebida, pois não há diferenças relevantes entre o som atual deles e o som dos lançamentos anteriores, exceto a já mencionada tentativa de soar mais “ao vivo” e oldschool.

E assim, aquela velha máxima segue verídica: se você gosta de Airbourne, vai gostar deste disco. Se não gosta, sua opinião permanecerá a mesma, portanto, melhor nem perder seu tempo escutando isto aqui.

Nota = 4/5.

Abaixo, o clipe de “Boneshaker”:

Resenha: Breakin’ Outta Hell – Airbourne

Reprodução da capa do álbum (© Spinefarm Records)

Reprodução da capa do álbum (© Spinefarm Records)

Um dos nomes mais agradáveis do hard rock atual, o Airbourne no futuro diminuirá um pouco a dor que o iminente fim do AC/DC causará na comunidade rock ‘n’ roll. Enquanto isso, continuam lançando bons álbuns que darão motivos para os fãs do rock direto, clássico e cru sorrirem.

Breakin’ Outta Hell é um deles. O quarto, para ser mais preciso. Comentar todas as faixas dele ou querer explorá-lo em todos os seus detalhes seria chover no molhado. Encheção de linguiça pura. Eu poderia ficar tecendo observações sobre faixas típicas como “Get Back Up”, “It’s Never Too Loud for Me”, “I’m Going to Hell for This”, a faixa título e a bônus da edição de luxo “Bombshell”. Todas recheadas com os clichês do quarteto australiano, inclusive os refrãos cantados pelo vocalista/guitarrista solo Joel O’Keeffe e ecoados pelos vocalistas de apoio David Roads e Justin Street (guitarrista base e baixista, respectivamente. Completa a formação o baterista e irmão de Joel, Ryan).

Mas eu prefiro falar da forte “Rivalry”, que virou single e ganhou vídeo, graças a Dio. Ou das rápidas “Thin the Blood” e “When I Drink I Go Crazy” (esta última tem uma linha baixo notoriamente audível, lembrando o trabalho de Adam Clayton em “Vertigo”, do U2). Ou então a marchante “Down on You”. São os pontos altos do disco. As faixas que você escutará e perceberá que estão acima da média do grupo.

Não há surpresas no álbum, mas a banda parece continuar com um processo de “emancipação” do AC/DC, nome lendário o qual eles eram (e ainda são) acusados de tentar copiar. Tal processo se iniciou no trabalho anterior, Black Dog Barking (resenhado neste blog), e continua aqui, de forma bem sutil.

Nota = 4/5. Não há muito mais o que dizer sobre Breakin’ Outta Hell. Se você aprovou a discografia dos rapazes até aqui, vai tirar proveito deste disco. Se você ainda não os conhece, mas gosta desse tipo de rock, mergulhe sem medo. Se já os conhece e mesmo assim não gosta, este lançamento em nada mudará sua percepção sobre os cabeludos. Simples assim.

Abaixo, o single “Rivalry”:

Resenha: Airbourne começa a se emancipar do som do AC/DC em “Black Dog Barking”

Breve histórico: Famoso por “imitar” o som do AC/DC, apesar de ter influências de outras bandas como Def Leppard, este quarteto australiano vem conquistando admiradores com seu hard rock agressivo e direto. Tiveram ajuda da indústria dos games para ampliar a legião de fãs: suas músicas figuram nas trilhas sonoras de jogos como Guitar Hero, Skate e Need for Speed.

Reprodução da capa do álbum (© Roadrunner Records)

Reprodução da capa do álbum (© Roadrunner Records)

Três anos após seu segundo disco de estúdio, o Airbourne retorna com Black Dog Barking. Segundo eles, o trabalho foi feito com muito esforço por parte da banda e do pessoal de estúdio. E isso não é difícil de perceber: o som está bastante polido, os instrumentos estão perfeitamente equalizados, enfim, não há nada aqui que deixe a desejar.

Quando à música, nada de novo: o bom e velho hard rock clássico. Contudo, algo chama a atenção aqui: o quarteto parece querer se distanciar um pouco do som do AC/DC. Não que a sonoridade não continue sendo parecida. Mas são notáveis algumas doses diminutas de outros sons aqui e ali. Em “Back in the Game”, por exemplo, é possível perceber um pouquinho de glam. Já em “Hungry”, a abertura traz uns toques curiosos de música espanhola. É assim, de pouco em pouco, que a banda começa a criar um som cada vez mais particular, sem deixar de escancarar suas influências.

Afora isso, não há muito o que comentar sobre o álbum. Com pouco menos de 35 minutos de duração (sem contar faixas-bônus), é um trabalho curto; na verdade, é o mais compacto dos três discos da banda. Mas não deixa der ser um bom lançamento. O grupo mais uma vez soube combinar riffs nervosos, solos respeitáveis e vocais rasgados numa música que deve agradar aos fãs, conquistar alguns novos e conseguir algum sucesso nas paradas.

Nota = 8,0. Agradável, Black Dog Barking é o terceiro golpe do Airbourne na cara dos que decretaram prematuramente a morte do rock ‘n’ roll. O autor da resenha recomenda o mesmo que a própria banda indicou: abra uma cerveja, aumente o volume e divirta-se com as dez faixas do disco.

Abaixo, o single “Live it Up”: