Resenha: We the People – Adrenaline Mob

Reprodução da capa do álbum (© Century Media)

Superada a tragédia da morte do baterista A.J. Pero bem no meio de uma turnê com esta banda, além de duas trocas de baixistas, o Adrenaline Mob resolve recorrer a dois músicos menos conhecidos para preencher a ala rítmica do supergrupo e lançar seu terceiro álbum em cinco anos: o baixista David Zablidowsky e o baterista Jordan Cannata.

Sem surpresas, a obra intitulada We the People entrega mais um pacote de porradas do quarteto estadunidense. Além dos membros novos, contudo, temos outras pequenas novidades. Em particular, um discurso crítico mais afiado, inspirado pelo turbilhão de informações e emoções causado pela eleição presidencial dos Estados Unidos em 2016 que coroaram o republicano Donald Trump como o 45º presidente dos Estados Unidos.

Além disso, temos em algumas faixas um certo experimentalismo dentro da fórmula do grupo, se é que posso falar assim. Nota-se em “The Killer’s Inside”, por exemplo, uma roupagem levemente puxada para o progressivo, enquanto que os primeiros 100 segundos de “Lord of Thunder” são dedicados a uma introdução sinfônico-cinematográfica que desemboca em mais um trabalho com aroma progressivo.

A relativamente leve “Raise ‘Em Up” consegue o feito de transformar em heavy metal uma letra aparentemente extraída de algum CD pop ou eletrônico, e o interessante cover de “Rebel Yell”, do Billy Idol, marca o último registro do baterista A. J., segundo resenha do site Brave Words. As sempre presentes baladas aparecem aqui na forma de “Bleeding Hands” e “Blind Leading the Blind”, reafirmando que a banda também é capaz de pegar leve.

O resto das faixas não necessitam de comentários específicos, são apenas trabalhos típicos com a fórmula que o quarteto definiu no início da década, quando nasceu. As faixas, digamos, “diferentonas” evidenciam uma busca por algo de novo para oferecer aos fãs, mas sem abdicar daquilo que os fez o que são hoje.

Sobre os membros isoladamente, temos um Mike Orlando afiadíssimo em seus solos e direto em seus riffs. Russell Allen, como sempre, não decepciona, mas quem quiser conferir sua real capacidade vocal continuará tendo que recorrer a Symphony X, Star One e Ayreon.

Os novatos David e Jordan, por suas vezes, praticamente roubam a cena. Jordan pode nunca ter feito nada relevante na música, mas é egresso da Berklee, o que já dirime qualquer dúvida sobre sua capacidade – se seu desempenho em We the People já não bastasse para tanto. David, mais rodado, agrada por fugir do óbvio e não se limitar a acompanhar a guitarra do primeiro ao último acorde.

Nota = 4/5. Já muito mais uma banda que um mero projeto paralelo, e nitidamente dando mais tesão a Russell do que o Symphony X, o Adrenaline Mob caminha para se tornar o principal trabalho dos seus músicos. Até compreendo quem porventura considerar ridícula uma trupe de quarentões tentando se passar por jovens headbangers, mas negar a qualidade da música feita por eles beira a insanidade.

Abaixo, o vídeo de “King of the Ring”:

Resenha: Men of Honor – Adrenaline Mob

Breve histórico: Adrenaline Mob é um supergrupo de heavy metal fundado pelo baterista Mike Portnoy (ex-Dream Theater), o vocalista Russell Allen (Symphony X, Star One) e o guitarrista Mike Orlando (Bumblefoot, Zakk Wylde). Hoje, Mike já não mais faz parte do grupo, e foi substituído pelo baterista do Twisted Sister A. J. Pero. A formação conta ainda com o baixista John Moyer (Disturbed).

Reprodução da capa do álbum (© Century Media)

Reprodução da capa do álbum (© Century Media)

Primeiro álbum sem Mike Portnoy na bateria, Men of Honor traz uma banda levemente renovada, mas com um som essencialmente igual ao álbum anterior, Omertà (resenhado neste blog). A mesma fórmula que deu certo em 2011 foi novamente aplicada aqui, para deleite dos fãs sedentos por riffs matadores e o canto talentoso de Rusell Allen.

Utilizando um método já adotado por outros grupos, o Adrenaline Mob foi revelando as faixas do seu álbum em doses homeopáticas, para que os fãs tivessem tempo de se recuperar de cada golpe – porque, sem brincadeira, boa parte das faixas do disco são verdadeiros socos na cara.

A agressividade das músicas varia, mas podemos dizer que há aquelas que são tão fortes que a caixa de som faz o cabelo voar para trás (como a abertura “Mob is Back”, “Feeling the Adrenaline” e “House of Lies”); e há também as poucas baladas para o grupo respirar: “Behind These Eyes” e “Crystal Clear”. “Come on, Get Up” é um soco duplo na cara, uma vez que sua letra inspira o interlocutor a se levantar de cada momento difícil sem esperar que lhe passem a mão na cabeça (“Pare de agir como se o mundo te devesse algo, porque ele não te deve coisa alguma”). “Feel the Adrenaline” é um ode à vida sobre duas rodas, com letras clichês e um vídeo paradisíaco com longas retas desérticas e curvas perigosas.

Nota = 8,0. Se não trouxe nada de muito novo, ao menos serviu para reafirmar a força do Adrenaline Mob, que já sai da condição de mero projeto paralelo para ser uma das bandas principais de seus membros.

Abaixo, o vídeo de “Feel the Adrenaline”: