As inúmeras possibilidades dos chatbots

Você vai se surpreender com o que as pessoas andam fazendo com robôs programados para falar conosco

Chatbot para serviços de turismo na região de Yarinacocha, Peru, desenvolvido na plataforma Telegram.

Imagine que você é responsável pela gestão de mídias sociais de uma empresa gigante, com milhões de clientes e um número tão grande quanto de seguidores. Se muitas vezes nós ficamos zonzos de ver a quantidade de mensagens novas em nossos Whatsapps particulares, imagine ter centenas de pessoas por hora enviando mensagens dos mais diversos tipos.

Haja time para administrar tanta comunicação, não é mesmo? Daí a importância dos chatbots. Esses robôs programados para interagir com internautas são de suma importância para suprir a demanda de mensagens de empresas grandes que recebem centenas ou milhares todos os dias.

Dotados de inteligência artificial avançada o suficiente para compreender mensagens recebidas, eles prestam o atendimento inicial a clientes de forma praticamente instantânea. Por exemplo, se o usuário solicita informações sobre um determinado produto, o chatbot pode retornar rapidamente os dados requisitados.

Ele pode também direcionar o cliente para canais de comunicação mais específicos de acordo com as dúvidas/reclamações trazidas ou ainda encaminhar a conversa para um ser humano, caso a inteligência artificial não dê conta do diálogo.

Adeus, apps
Alguns especialistas apostam que em breve eles já estarão assumindo tarefas ainda mais delicadas, como pagamentos. Para Pyr Marcondes, do Meio & Mensagem, não demorará até aplicativos como o Uber nosso de cada dia serem dispensados, uma vez que poderemos acionar um robô para solicitar – e pegar – um motorista de aplicativo. Richard Chaves, diretor de novas tecnologias e inovação da Microsoft Brasil, corrobora a análise em entrevista à revista Exame.

Conforme afirma Thiago Rotta, líder de soluções para IBM Watson na América Latina, na mesma entrevista, os chatbots fazem parte da “linha de saber” dos robôs – diferente de uma máquina da “linha do fazer”, programada para desempenhar uma tarefa concreta como faxina. A IBM é uma das empresas que investem em tecnologia de chatbots.

Em julho de 2016, já eram 11 mil chatbots rodando no Facebook e mais de 23 mil estavam previstos para serem desenvolvidos, segundo a Forbes.

Apesar da onda de otimismo quanto às possibilidades que os chatbots oferecem, há quem faça previsões na contramão dessa tendência. Um artigo da Wired do início deste ano, por exemplo, comenta a morte do assistente virtual do Facebook, o “M”, e ainda decreta o fim dos chatbots – simplesmente.

Mil pessoas em um robô
A esta altura, você já deve estar imaginando o impacto dos chatbots no mercado de call centers. Respondo: de 70% a 90% das demandas normalmente atendidas num salão com atendentes humanos podem ser resolvidos por robôs. Somente alguns atendentes seriam mantidos, para lidar com solicitações mais específicas que demandem inteligência humana. Tal realidade poderá ser aplicada em empresas menores, como restaurantes que ainda mantêm um colaborador para coletar pedidos.

Mas a questão dos chatbots vai além e chega naquele nível “isso é tão Black Mirror”: James Vlahos, escritor de diversas publicações estadunidenses, começou a desenvolver em 2016 um chatbot que representaria seu pai, então diagnosticado com câncer terminal, de modo a prolongar sua “vida” eternamente (lembrou do episódio “Be Right Back” da série supracitada?). Veja a história completa, em inglês, neste outro artigo da Wired.

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US$ 80 bilhões devem ser movimentados por RV até 2025; veja usos da tecnologia que promete impactar diversas áreas

De marketing a medicina, confira os diferentes usos dos equipamentos de realidade virtual

Um relatório produzido em 2016 pela Goldman Sachs estima que, em 2025, o ramo da realidade virtual (RV) já estará movimentando US$ 35 bilhões em software e US$ 45 bilhões em hardware, totalizando a respeitável quantia de US$ 80 bilhões. E isto no cenário base: numa expectativa mais otimista, o valor total mais que duplica e alcança a casa dos US$ 180 bilhões.

Os óculos estereocópicos (que, com uma jogada simples de alinhamento de duas imagens parecidas, convence-nos da realidade daquilo que vemos na RV), embora ainda sejam muitas vezes vistos como meros apetrechos de entretenimento – até a indústria pornográfica já tira bastante proveito da tecnologia – os equipamentos de RV prometem grandes novidades no mundo dos games, da engenharia e até do marketing. Veja abaixo alguns exemplos de uso.

Simulador de montanha-russa e game de terror: o Sinfonia de Ideias experimentou o Oculus Rift em novembro de 2014 (Foto: Rodrigo Macedo)

Uso nos games
Uma das maiores apostas da realidade virtual está nos games. Dos US$ 45 bilhões previstos para 2025, 11,6 (25,7%) devem ser dedicados aos jogos eletrônicos. Em 2006, o Nintendo Wii, primeiro grande console com um controle responsivo a movimentos dos braços, chegou ao mercado, e ficou claro que um novo mundo de possibilidades estava aberto, embora equipamentos parecidos venham sendo desenvolvidos desde os anos 1990.

Hoje, o grande nome deste mercado é o Oculus Rift, o óculos de realidade virtual mais popular da atualidade. Com ele, a experiência de jogos em primeira pessoa foi elevada a um novo patamar. Se combinado com outros equipamentos, como joysticks análogos ao do Wii e esteiras que detectam passos, saltos e agachamentos, a experiência fica ainda mais imersiva.

A empresa responsável por ele (Oculus) foi comprada pelo Facebook em 2014 por US$ 2 bilhões, evidenciando o quanto o mercado está otimista quanto ao impacto dessas tecnologias.

Marketing
É no marketing que um grande uso é esperado para a RV. Que empresa não gostaria de poder oferecer a potenciais clientes a possibilidade de uma experiência imersiva envolvendo seus produtos?

A RV pode ser utilizada por fabricantes de carros para simular test-drives; ou então por marcas de roupas e acessórios para levar os clientes virtualmente a desfiles consagrados, normalmente frequentados apenas por convidados VIPs.

Uma jogada singular foi a da Nike: ela equipou o jogador da seleção brasileira e do PSG Neymar com uma câmera e o colocou para jogar uma partida simulada para que o usuário possa experimentar um jogo do ponto de vista do craque. Confira a o vídeo oficial da iniciativa:

Realidade virtual vs. realidade aumentada
Faz-se uma confusão entre os conceitos de realidade virtual e realidade aumentada. A realidade virtual imerge o usuário em um ambiente artificial, por meio de imagens, sons e até sensações. Já a realidade aumentada acrescenta informações ao mundo real – é o que pretende fazer o Google Glass, por exemplo. O jogo Horizon: Zero Dawn, lançado em 2017 e ambientado no início do próximo século, traz um equipamento chamado “Focus” que serve de bom exemplo dessa tecnologia.

Internet Protocol: sua identidade virtual

Entenda a mudança do IPv4 para o IPv6 e como ela afeta a sua experiência na internet

um quadro comparando um endereço IPv4 e um IPv6, evidenciando a grande diferença de tamanho entre o primeiro e o segundo.

Exemplos de um endereço IPv4 e um IPv6 (fonte: http://www.telecomhall.com/br/adeus-ipv4-ola-ipv6.aspx)

O IP (internet protocol, ou protocolo da internet) é uma combinação de números que permite a comunicação entre diferentes redes de computadores. Surgiu no final dos anos 70 e a grande rede de comunicações entre os computadores é o que chamamos hoje de internet.

O IP também é chamado de endereço IP, e não é por acaso. Cada IP é único no mundo, de modo que duas pessoas nunca terão o mesmo número, a não ser que dividam um mesmo aparelho. Os IPs variam mesmo dentro de uma só residência. Uma casa com quatro moradores, cada qual com um notebook e um smartphone, terá oito IPs diferentes.

Assim, quando usuários trocam mensagens (por e-mail, por exemplo), eles estão enviando informações de um endereço para outro – e a internet se encarrega de garantir que uma mensagem sempre parta e chegue aos endereços corretos.

Tal como um número de telefone completo (incluindo DDD e DDI), os IPs também adotam padrões que nos permitem determinar de que local do mundo vem certo endereço. Em outras palavras, pessoas que morem próximas umas das outras terão números parecidos, normalmente.

Nos últimos anos, temos usado o IPv4 (que significa, simplesmente, versão 4 do protocolo), que transmite os dados em 32 bits. Em 2011, quase 4,3 bilhões de IPs pelo mundo eram IPv4. O problema é que esse número já é praticamente o limite para a 4ª versão, e apenas a metade dele estava realmente disponível. Ainda, naquela época, previa-se o esgotamento de endereços para o ano seguinte. Por isso, foi criado o IPv6.

O IPv6 substituirá o IPv4, transmite os dados em 128 bits e suporta muito mais endereços: 340.282.366.920.938.000.000.000.000.000.000.000.000, ou mais de 340 uncentilhões, para os íntimos. Isso dá conta da atual demanda com folga e continuará dando por muitos anos.

Outra questão que motivou a adoção da nova versão é a segurança. Muitos ciberataques tiravam proveito de falhas graves do IPv4, falhas estas que foram corrigidas na versão seguinte.

Mas esta última aposta não vem sem contestação. Alguns especialistas dizem que, justamente pela novidade que o IPv6 representa, e também pelo fato de ele estar sendo implementado, relativamente, “de uma vez só” no mundo todo, há muita abertura para falhas e bugs, que podem deixar os sistemas vulneráveis a ataques. A rapidez da chegada do IPv6 também implica em menos especialistas em segurança voltada ao novo protocolo.