Sintomas da Síndrome de Fim de Semestre

Pois é.


O fim de semestre está no seu auge, os ânimos estão exaltados e conseguir tempo livre tá mais difícil que achar programa bom na TV aberta de domingo.

Para dar uma espairecida, o Sinfonia de Ideias selecionou alguns sintomas comuns para estudantes universitários em época de provas/entrega de trabalhos:

Comer em frente ao computador
De preferência, comida rápida: lasanha de microondas, disk-pizza, fast-food comprado no caminho de casa. Só é preciso tomar cuidado com o teclado, que não tem proteção contra babões e não vai hesitar em te deixar na mão mesmo que ainda faltem treze parágrafos para escrever.

Otimizar o uso do tempo ao máximo
Vale tudo pra aproveitar cada segundo do seu dia: ler textos enquanto o farol não abre, comer enquanto produz (leia item acima), cabular a aula de Inutilidade II para fazer o trabalho de Inutilidade II…

Anular sua vida social
Sem baladas. Sem shows. Sem bares. Sem cinema. Sem shopping. Sem praia. Sair com os amigos, só se for pra comer alguma porcaria na cantina da faculdade.

Abdicar do namoro
–Puxa vida, amor, faz tanto tempo que a gente não sai…
–Sinto muito, amor, tenho muitos trabalhos pra fazer.
–Você gosta mais deles do que de mim!!!
– Não é isso, amor, é que eu preciso entregar todos eles, senão vou ser reprovado…
– É sério, amor, vamos sair um pouquinho, vaaaamos?
– É sério, amor, não tem como.
– Logo hoje que meus pais tão viajando e eu vou ficar sozinha em casa…
– Estarei aí em vinte minutos. Nem queria preparar essa merda de seminário mesmo.

Cada minuto de lazer adiciona uma tonelada de peso na consciência.
Pois é, você resolveu tentar pela 16ª vez aquela fase impossível no videogame, resolveu tirar sua guitarra do canto empoeirado pra ver se ainda lembra o riff de Smoke in the Water, resolveu bater aquela bolinha com os amigos do prédio, resolveu dar uma passadinha “rápida” no shopping com as suas bests pra gastar o cartão de crédito do seu pai com coisas inuteis roupas e sapatos…..e agora a consciência tá pesando mais do que aquela vez que você foi no rodízio de pizzas com os amigos durante o regime.


Dormir passa a ser um privilégio para poucos
A cama está ali, arrumadinha e limpinha. O colchão duro das Casas Bahia parece tão confortável quanto uma cama de suíte presidencial. Mas quando você acha que pode desligar o computador, seu amigo fdp vem lembrar que o professor de Não Preciso Disso na Minha Profissão III cobrou mais um fichamento. E lá vão mais cinco litros de café…

Ainda não pode ligar o foda-se porque não comprou seu iPhoda-se? Sem problemas, você pode encontrar a versão medicinal nas melhores farmácias para consumir em doses homeopáticas.


Ligar o foda-se passa a ser um hábito
O computador travou e você perdeu seu texto de três páginas faltando duas horas pra entregar? Ligue o foda-se. Sua apresentação de Power Point não quer abrir de jeito nenhum e tanto o professor quanto a classe inteira já estão esperando você começar? Ligue o foda-se. Foi pra casa e esqueceu de xerocar os textos para a prova do dia seguinte? Ligue o foda-se. O bandido põe uma arma na sua cabeça e diz: “O Notebook (com seu TCC inteiro dentro) ou a vida!”? Ligue o foda-se (e reaja, é claro!).

Selecionar prioridades com racionalidade
Levar a sério o texto daquele professor que não lê porra nenhuma e dá 8,0 pra todo mundo ou estudar pra única prova que a professora de Fundamentos da Teoria Que Não Serve pra Nada I vai dar para avaliar todo o semestre? Preparar o trabalho daquele professor que nunca comparece à aula ou terminar a resenha manuscrita do livro de 460 páginas que você lembrou a uma semana da entrega?

Conhece mais algum sintoma de universitário com síndrome de fim de semestre? Compartilhe! Comente!

Em defesa da antiga Turma da Mônica

Vários personagens da Turma da Mônica

Se você esqueceu o nome de algum personagem, corra para a banca mais próxima de você.

Não sei quanto a vocês, mas eu, apesar de já ter barba na cara, ainda leio revistinhas da Turma da Mônica. E não é só no banheiro ou no consultório do dentista. Ora, e daria para evitar? Passei minha infância toda lendo as historinhas.

Contudo, isso tem mudado ultimamente. Não estou mais conseguindo achar tanta graça nas historinhas mais recentes. A princípio, achei que o cruel senhor chamado tempo havia feito-me crescer e amadurecer, mas, ao ler os gibis antigos, percebi que não era isso. Algo aconteceu com a famosa dentucinha e seus amigos.

Nesses mais de 50 anos de existência, o universo criado pelo ex-repórter policial Mauricio de Sousa sofreu um processo de mudanças, tanto em estilo quanto em conteúdo. As primeiras histórias eram mais focadas em sequências de gags (piadas) baseadas em trabalhadas, tropeços, quedas e ideias de jerico, formando cenas de humor no estilo pastelão. De vez em quando, umas mensagens bonitinhas, de teor ambientalista ou pacifista. Com o tempo, esse tipo de humor foi dando mais espaço para comentários engraçadinhos, trocadilhos, inocência, etc. Nem por isso os gibis ficaram menos engraçados. Só que as cenas clássicas, como a do Cascão brincando no meio do lixo e encontrando objetos interessantes, ou da Magali devorando comida para dez pessoas em um quadrinho, ou mesmo de qualquer personagem enganando ou enlouquecendo bandidos armados com revólveres…todas elas estão quase em extinção.

É assim que o conceito de politicamente correto tem sido tortuosamente aplicado onde é conveniente. Ele não deixa as criancinhas lerem livros do Monteiro Lobato, mas permite que o Big Brother Brasil chegue à 11ª edição. Da mesma forma, ele não deixa mais o Cascão brincar com lixo, nem permite que crianças cozinhem ou mexam com furadeiras e veta armas de fogo nas mãos de bandidos e policiais.

Estive acompanhando a Turma da Mônica – Coleção Histórica, que traz as primeiras revistinhas da Mônica, do Cebolinha, do Cascão, da Magali e do Chico Bento. Já está na 21ª edição. As historinhas são intercaladas com comentários do roteirista Paulo Beck, que contextualizam o enredo, explicam piadas e comentários anacrônicos para nós, apontam erros de impressão e às vezes creditam o roteiro. Por outro lado, eles vem sempre recheados de colocações infelizes como “Vejam só! Crianças mexendo com martelos!! Que absurdo!! Naquele tempo isso até era aceito, mas hoje em dia??? Jamais!!!”.

Caramba, alguém aqui começou a comer compulsivamente porque viu a Magali fazer igual? Alguma garota começou a correr atrás de quem lhe incomoda com um bichinho de pelúcia, como faz a Mônica? Alguém deixou de tomar banho inspirado no Cascão? Em caso afirmativo, espero que os pais tenham se encarregado da nobre missão de educá-los para discernir o real do imaginário. Os meus, pelo menos, o fizeram.

Concluo este post com um questionamento bem simples e direto: será que não temos problemas maiores para nos preocupar? A Turma da Mônica é um motivo para ter orgulho de ser brasileiro. Desejo profundamente que ninguém estrague isso.

Ao som de Dream Theater.

Post final de 2010 e previsões para a PUC em 2011

Pois é, o ano está acabando. Só posso dizer que este foi, sem dúvida, um dos melhores da minha vida. Na verdade, não houve nenhum grande e especial momento, mas a somatória de todos os pequenos acontecimentos resulta num saldo positivo. Positivo para o aprendizado acadêmico e humano. Positivo para a saúde mental. Positivo para a memória.

Preciso agradecer a essa classe maravilhosa da PUC (que se formou a partir de uma infinidade de listas de chamada) por ter me proporcionado momentos bons e ruins o ano todo. Sim, eu também agradeço pelos ruins! Como eu sugeri acima…fazem parte do aprendizado. Agradeço também aos meus leitores, por lerem e comentarem os posts deste humilde estudante que vos escreve.

Finalizo a primeira parte do post com um desejo de Feliz Natal e Feliz 2011 para todos. Para mim, podem desejar apenas comida mesmo. O que eu quero nessas festa de fim de ano é comer pra c@#@$%. E esperar que, em 2011, eu não cometa os mesmos erros de 2010, e que o vento sopre a meu favor nos assuntos nos quais não soprou neste último ano. Como alguns já sabem, eu vejo a vida como uma eterna balança: nunca está totalmente boa ou ruim. Algumas pessoas são felizes no amor, outras no jogo. Ou vice-versa. Se você se dá bem em alguma coisa, em outra se dá mal. E, um dia, tudo se inverte. É simples.

Previsões para 2011 na PUC
Eu, do alto de meu recém-concluído primeiro ano de pontifícia, monto aqui uma lista de previsões para 2011 na PUC. Faltou alguma? Comente e contribua para a profecia!

Prevejo para 2011 na PUC:

* Veteranos gastando mais tinta que a Secretaria Municipal de Transportes gastou este ano em faixas e lombadas para pintar os bixos e bixetes de 2011;

* Professores se atrasando ou faltando à própria aula sem aviso prévio;

* Notas sendo atribuídas a alunos por meio de um critério desconhecido;

* Uns chamando os outros de fascistas e os outros chamando uns de maconheiros;

* Manifestações estudantis que marcham na contramão do capitalismo antecedendo um aumento desumano das mensalidades, aprovado por padres sem Jesus no coração;

* Professores subindo rampas e descendo-as logo em seguida porque esqueceram de pedir a chave da sala a alguém da Graber;

* Palestras, projeções e debates assistidos por 20 pessoas;

* Rapazes desvirginando mocinhas não tão inocentes assim nos lugares mais inusitados;

* Futuros advogados defensores da Lei Maria da Penha entoando canções machistas na prainha, com o acompanhamento de uma bateria e, por incrível que pareça, de mulheres também;

* Mesadas/salários indo embora em toneladas de xerox;

* Jornais-laboratório com matérias atrasadas;

* Cursos entrando em greve para protestar contra mensalidades altas e contratos maximizados.