Resenha: Third Degree – Flying Colors

Reprodução da capa do álbum (© Mascot Label Group)

Cinco anos separam Third Degree, terceiro lançamento de estúdio do supergrupo estadunidense Flying Colors, de seu antecessor, o estupendo Second Nature (veja aqui minha resenha a respeito).

A desvantagem dos supergrupos costuma ser justamente essa falta de tempo para manter o projeto funcionando regularmente. Especialmente um que envolve Casey McPherson (vocais, guitarra base), Steve Morse (guitarras), Neal Morse (teclados, vocais, sem parentesco com o anterior), Dave LaRue (baixo) e Mike Portnoy (bateria, vocais). Todos envolvidos em múltiplas outras bandas em plena atividade. Não por um acaso, a primeira sessão do álbum aconteceu em dezembro de 2016 e a segunda só ocorreria exatos dois anos depois.

A vantagem, pelo menos no caso do Flying Colors, é que não importa o que eles façam, você sabe que vai ser bom. E aqui não foi diferente. Third Degree não impressiona tanto quanto Second Nature, cujo “exibicionismo” melódico e harmônico foi de tirar o fôlego, e demora um pouco mais para agradar, mas ele ainda tem lugar garantido em qualquer lista de melhores do ano que se preze.

Uma característica que sempre os marcou é a improbabilidade de um grupo destes ter surgido e ainda por cima dado certo. Porque ele põe cinco bagagens musicais bem distintas em rota de colisão. Mas eles sempre encontram um meio de fazer tudo fluir bem, alternando trabalhos mais agressivos e progressivos com outros mais leves e acessíveis. Tiveram êxito em reforçar como a sofisticação do rock progressivo pode casar com a simplicidade e a comercialidade do pop.

Em Third Degree, isso fica bem em evidência. As primeiras faixas, “The Loss Inside” e “More”, exploram o lado mais agressivo e pesado do quinteto. Depois, temos “Cadence” e “Guardian”, que estão longe de serem baladas, mas adotam uma sonoridade relativamente mais pacífica. A segunda tem uma pegada que lembra “Kayla”, pérola da estreia autointitulada deles (clique aqui para conferir minha resenha a respeito).

O lado mais rebuscado deles voltará a ser explorado na cativante e rítmica “Geronimo”, enquanto que “Love Letter” é, podemos dizer, a surpresa do álbum. Uma canção com fortíssimos temperos sessentistas/setentistas que, muito apropriadamente, recebeu um vídeo com estética psicodélica e colorida.

A balada de fato do disco é “You Are Not Alone”, escrita após Casey vivenciar o furacão Harvey em sua cidade (Austin, Texas) e testemunhar a subsequente onda de solidariedade entre os moradores da região atingida.

Para equilibrar os mundos que o Flying Colors representa, nada melhor que faixas épicas, com espaço para muito material musical. E para isso temos “Last Train Home” e “Crawl”, com a última sendo bem melhor que a primeira ao explorar de forma mais completa o talento do qual a banda como um todo dispõe.

A edição especial do álbum vem com um segundo CD com algumas simpáticas versões instrumentais e alternativas de “Last Train Home”, “Geronimo”, “You Are Not Alone” e “Crawl”; uma versão acústica de “Love Letter”; e aquilo que sozinho já compensaria a compra do disco adicional inteiro: a faixa bônus “Waiting for the Sun”, que é simplesmente boa demais para ficar de fora da edição regular.

Third Degree tem como único defeito não ser superior ao seu antecessor, mas chegou tão perto, e estamos falando de uma banda que já é a princípio tão acima da média, que isso não me impedirá de conceder nota máxima a esta belezinha.

Nota = 5/5

Abaixo, o clipe de “The Loss Inside”:

2 Respostas para “Resenha: Third Degree – Flying Colors

  1. Arrisco a dizer que o flying colors, especificamente na canção indicada, me lembra Kaleo em uma versão mais agressiva. Eles tem uma sonoridade bem peculiar o próprio clímax da ‘The Loss Inside’ mostra isso. Gostei bastante do artigo. Vou acompanhar o blog com mais frequência!

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