Resenha: A Different Kind of Human (Step 2) – AURORA

Reprodução da capa do álbum (© Decca Records / Glassnote)

A espera até que não foi muito longa. Foi necessário o tempo de uma gestação humana para que a cantora norueguesa Aurora lançasse A Different Kind of Human (Step 2), a segunda etapa de seu álbum/EP Infections of a Different Kind – Step 1 (clique aqui para conferir minha resenha sobre o mesmo), e que já se encontrava pronto desde 2018.

A boa notícia é que o disco é uma evolução em todos os sentidos com relação a seu antecessor. O número de faixas pula de oito para 11. A duração passa da meia hora para pouco mais de 40 minutos. E, o que é realmente importante, a qualidade das composições também aumentou.

Melhorias à parte, existe uma conexão musical forte entre os dois produtos, o que reforça aquilo que eu havia dito na resenha anterior: trata-se de um lançamento em dois tempos. E o “futebol” apresentado neste segundo tempo garante uma goleada, ante a vitória segura, porém magra de seu antecessor.

Ainda muito eletrônico, A Different Kind of Human (Step 2) não deixa de soar orgânico de certa forma, inclusive porque a cantora aborda temas ambientais em algumas letras, sem falar nas próprias introspecções típicas de suas letras. Aurora consegue, como poucos, fazer um som moderno que soa natural. Ela é quase um Deep Forest com vocais e mais acessível.

“The River” e “The Seed”, por exemplo, falam da natureza em geral, enquanto que “Animal”, “Apple Tree” e “Hunger” discutem instintos humanos. Esta última tem notáveis influências de ritmos e vozes africanas; toques étnicos e tribais são uma marca da música desta norueguesa que não dá para não notar.

Já a faixa título, por exemplo, provê uma atmosfera mais fatalista, contando a história de uma nave alienígena que veio resgatar um ser humano especial – presumidamente, uma pessoa boa demais para estar nesta Terra nefasta.

A jornada deste indivíduo único aparentemente tem fim no encerramento convenientemente chamado de “Mothership” (nave mãe em inglês). Como um comentarista no YouTube bem disse, taí uma música que eu adoraria ouvir logo após morrer – imagine ter sua alma recebida do outro lado pela voz angelical de Aurora dizendo “agora você está em casa”?

Eu quase me atrevo a dizer que o álbum é conceitual, mas aí seria forçar a barra. E por fim, se é verdade que esta pérola nórdica ainda não consegue competir com divas pop mais encorpadas comercialmente, é fato incontestável que seu lançamento fica na linha de frente do chamado “pop alternativo” em 2019.

Nota = 5/5.

Abaixo, o vídeo de “Animal”:

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