Resenha: Vector – Haken

capa do álbum 'Vector', de Haken. Trata-se de um desenho no estilo do teste de Rorschach, com o nome da banda e o nome do álbum centralizados e na parte de cima, ante um fundo rosa escuro

Reprodução da capa do álbum (© Inside Out Music)

Eu já resenhei muitos discos que não tinham nenhuma música ruim. Mas poucos foram os que não tinham nenhuma que não fosse ao menos ótima. Também foram poucos os que fizeram minhas pernas se agitarem freneticamente do começo ao fim e logo na primeira audição.

São sinais de que Vector, quinto lançamento de estúdio do sexteto inglês de metal progressivo Haken, é um item muito especial do catálogo nada fraco do grupo. É, ao menos, e sem dúvidas, o trabalho mais pesado deles.

Conforme prometido pelos membros, o disco é centrado em riffs. Exceto pela misteriosa introdução eletrônica “Clear” e por boa parte da charmosa “Host”, o álbum é uma pancadaria do começo ao fim que leva qualquer fã do progressivo a um orgasmo auditivo instantâneo.

Um dos fatores que podem ter contribuído para esse direcionamento musical foi a turnê The Shattered Fortress, realizada em 2017 pelo ex-baterista do quinteto estadunidense de metal progressivo Dream Theater, Mike Portnoy, em parceria com os integrantes do Haken (exceto, obviamente, o baterista Raymond Hearne, embora ele tenha feito algumas participações especiais esporádicas) e o guitarrista do The Neal Morse Band (cuja formação atual inclui Mike), Eric Gillette.

Os shows traziam para o palco as cinco músicas do Dream Theater que compunham a Twelve-Step Suite, uma série de canções sobre a batalha de Mike contra o alcoolismo. Elas reúnem alguns dos riffs mais matadores e solos mais memoráveis já criados por essa lenda do progressivo. Vector tem muito desse peso, mesmo que ao estilo mais melódico desses rapazes.

As guitarras de Richard Henshall e Charlie Griffiths estão no auge de sua sintonia com a ala rítmica da banda (a saber, a bateria de Raymond e o baixo de Conner Green). Incorporando elementos de metalcore e djent, o sexteto faz a base de todas as faixas acontecer em esplêndida sintonia.

No que diz respeito às melodias, temos como destaque, pela segunda vez consecutiva, o tecladista Diego Tejeida. Se em Affinity (antecessor de Vector, resenhado neste blog) ele foi o grande responsável por prover o jeitão eletrônico que o conceito do disco pedia, aqui ele mostra uma grande evolução com relação aos álbuns anteriores, ganhando ainda mais protagonismo e arriscando-se em solos jordanrudessianos, algo incomum para ele – e mais uma evidência da provável influência da turnê com Mike Portnoy.

Já o vocalista Ross Jennings sua para fazer jus aos colegas. Mas, pela quinta vez consecutiva, ele mostrou que sua voz doce e despretensiosa vive um casamento feliz com o som pesado e complexo do grupo.

Chamar Vector de “melhor álbum do Haken” é uma afirmação precipitada. Cada lançamento deles, ainda que retendo as características básicas da banda, é um pequeno universo particular de climas e atmosferas. Este trabalho tem uma pegada bem diferente do orgânico The Mountain (resenhado neste blog) e do oitentista Affinity, portanto, comparações exigem cautela e um certo tempo de absorção que uma resenha não pode esperar.

Nota = 5/5

Abaixo, o vídeo de “Puzzle Box”:

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