Resenha: In This Moment We Are Free – Cities – VUUR

Reprodução da capa do álbum (© Inside Out Music)

Dona de uma das melhores vozes do metal atual, a holandesa Anneke van Giersbergen anunciou há um ano seu novo projeto: VUUR, que pode significar “fogo” ou “paixão” em sua língua materna. O objetivo era canalizar o seu lado prog metal. Para isso, ela recrutou basicamente o mesmo time de músicos que já a acompanhava no The Gentle Storm e em sua banda de apoio: Jord Otto e Ferry Duijsens nas guitarras, Johan van Stratum no baixo e Ed Warby na bateria. Uma formação que, além de conter profissionais de primeira, começa já bem azeitada devido aos anos de shows.

A proposta do álbum de estreia do quinteto, In This Moment We Are Free – Cities, é falar de 11 das muitas cidades que Anneke já visitou durante turnês: o Brasil se vê representado pelo Rio de Janeiro na quinta faixa. Assim, temos uma diversidade musical razoável para um disco de poucos músicos que mal se utiliza de outros instrumentos além do básico.

“My Champion”, inspirada por Berlim, é um ótimo cartão de visitas para o lançamento, com um refrão carregado de emoção, especialidade de Anneke. Esta forma de fazer música será ouvida novamente em “The Martyr and the Saint”, inspirada por Beirute, uma faixa mais complexa quase toda em compasso ternário; “Sail Away” (Santiago), que reúne alguns dos melhores riffs do álbum; “Valley of Diamonds” (Cidade do México); e a dupla de encerramento “Save Me” (Istambul) e Reunite! (Paris), com alguns pontos altos da vocalista aqui, se é que é possível pinçar destaques num disco que gira em torno do seu canto. Há também faixas mais cruas, como “Time” (Roterdã), “The Fire” (São Francisco) e “Days Go By” (Londres).

“Freedom”, a homenagem ao Rio de Janeiro, traz um clima relativamente leve, alegre e orgânico, com a ajuda de uma guitarra sem distorções. Um trabalho condizente com a magia da Cidade Maravilhosa. Mas não corra para ela esperando sentir algum aroma de samba ou bossa nova – em nenhum momento a banda se propõe a incorporar elementos musicais locais nas canções. Não vou me atrever a analisar o mérito das demais faixas enquanto obras de arte inspiradas por localidades específicas, pois não conheço bem nenhuma das cidades selecionadas, embora já tenha tido o prazer de visitar algumas.

O destaque aqui, como não poderia deixar de ser, é a própria Anneke, novamente mostrando por que é dona de uma das vozes mais queridas do gênero. Já o resto do grupo, embora bastante competente, acaba não sendo muito mais do que uma banda de apoio, exceto por um ou outro solo de guitarra mais elaborado, o que faz o trabalho parecer repetitivo para quem ouvi-lo poucas vezes. Vale pensar em algo mais denso e verdadeiramente progressivo para um futuro lançamento.

Nota = 4/5. Anneke brilha em In This Moment We Are Free – Cities de uma forma acima da média para seu já rico currículo e o disco, que propôs uma ideia bem interessante, comportou bem seu talento. São poucas as arestas para aparar para um possível sucessor, sendo que o aspecto mais importante é o papel da ala instrumental do quinteto – exceto o baterista Ed Warby, que como sempre, se mostrou uma máquina.

Abaixo, o vídeo de “My Champion – Berlin”:

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