Resenha: Malina – Leprous

Reprodução da capa do álbum (© Inside Out Music)

Embora comumente associado ao metal progressivo, o quinteto norueguês Leprous desde sempre fugiu ao manual do gênero, priorizando faixas curtas ou médias sem obsessão por longas passagens instrumentais, solos fritados e riffagem complexa. O termos “experimental”, “avant-guarde” e “alternativo” vêm a calhar na falta de um rótulo mais fácil.

E em seu quinto álbum de estúdio, Malina, o grupo atinge o ápice da fuga do progressivo típico. Não é um problema por si só, mas o disco joga o mesmo jogo perigoso de seu antecessor The Congregation (resenhado neste blog), ou seja, precisa de muitas audições para conquistar de fato o ouvinte, especialmente se for alguém que acaba de descobrir os rapazes.

Não que isso o torne ruim. Estamos falando do Leprous, que não é pouca bosta. Mas várias faixas de Malina demoram a mostrar a que vieram. Outras precisam de várias audições mesmo para ficarem encantadoras. Nada de anormal para uma banda de som de lenta digestão, mas são poucos destaques verdadeiros aqui.

O fã não tem nada a temer: se gosta do que o grupo faz desde seu nascimento, vai gostar deste quinto lançamento e sentir-se-á em casa com faixas como “Stuck”, “Illuminate” e “The Weight of Disaster”. Já o não-fã, talvez prefira pegar momentos mais inspirados da discografia dos escandinavos para conhecer sua obra: Tall Poppy Syndrome, Coal e o já mencionado The Congregation.

E para ambos, recomendo os destaques “Illuminate”, que combina com maestria um ritmo difícil com um instrumental quase minimalista; e “The Last Milestone”, onde a tocante voz de Einar Solberg se vira apenas com as melancólicas cordas de Raphael Weinroth-Browne. Destaque também para o trabalho geral do baterista Baard Kolstad, que toca freneticamente sem soar excessivo.

Nota = 3/5. Fortalecendo a tendência a ser um grupo “ame-o ou deixe-o”, Malina requer absorção lenta e isso privará os mais impacientes de boas faixas. No mais, o fã pode cair de cabeça.

Abaixo, o vídeo de “Illuminate”:

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