Resenha: Reaching into Infinity – DragonForce

Reprodução da capa do álbum (© earMusic)

A entrada do vocalista Marc Hudson no DragonForce parece ser a mudança mais relevante pela qual a banda passou nos últimos anos, mas uma outra pequena novidade na formação acabou causando um impacto bem maior na música do sexteto. Falo da ascensão do baixista francês Frédéric Leclercq como compositor. Se em seus dois primeiros discos no grupo (o ótimo Ultra Beatdown e o bom The Power Within (resenhado neste blog)) ele ainda tinha uma atuação tímida, apenas ajudando a escrever um punhado de faixas, ele muda o jogo a partir do excelente Maximum Overload (também resenhado neste blog) e passa a ser o principal compositor com o guitarrista Sam Totman. Usando suas influências death/thrash como tempero, ele leva os expoentes do chamado extreme power metal a um novo patamar.

Com Reaching into Infinity, sétimo lançamento de estúdio dos ingleses, temos a continuação natural desse processo, que matura o som deles, sem fazê-los perder a identidade. E isso fica claro logo na abertura. “Ashes of the Dawn”, precedida por uma introdução (recurso que eles não utilizavam desde o álbum de estreia em 2003), chega com um riff e um refrão pegajosos e uma cadência firme. Ótima introdução, que recebeu um vídeo.

E logo na terceira faixa, “Judgment Day”, chegamos a um dos pontos altos do disco. Ela abre com algo que poderia ter saído de um Summer Eletrohits, emenda num riff de death metal, desemboca num trabalho típico dragonforceano e se encerra de forma épica, lenta e emocionante. E sabe o que a torna ainda melhor? Solos do tecladista Vadim Pruzhanov. Aqueles, que praticamente não ouvíamos desde o Ultra Beatdown. Não por um acaso, ele coassina a composição da obra – sua única contribuição enquanto compositor neste álbum. Ah, se o ucraniano soubesse o quanto seus solos fizeram falta…

E falando no rapaz das teclas, cabe aqui um parêntesis: ele não é visto nem no clipe de “Ashes of the Dawn”, nem nos shows recentes do grupo. Em vídeo, explicou que não participará da turnê para dedicar mais tempo à sua filha.

Não falarei de cada uma das demais faixas separadamente, pois acabaria chovendo no molhado. Separei apenas alguns destaques que merecem comentários à parte. A começar por “Astral Empire”, que traz um solo de Frédéric, outra evidência do espaço que vem conquistando. Chamam a atenção também a forte “Silence”, a balada da vez; e a alucinadíssima “WAR!”, que faz jus às maiúsculas e ao ponto de exclamação de seu título. E tome mais um solo de Vadim!

A épica “The Edge of the World”, com mais de 11 minutos, é a mais longa já feita pelo sexteto, e a primeira a ultrapassar a marca dos dez minutos. Dinâmica, melhora gradativamente até um belo momento com guturais e um duelo de teclado e guitarra. Se ela é mais empolgante que “Soldiers of the Wasteland” (antiga detentora do recorde, lançada em 2004 no Sonic Firestorm), depende da afinidade de cada um, mas com certeza é mais sofisticada e rica.

Como faixas bônus, temos a excelente inédita “Hatred and Revenge”; um respeitável cover de “Evil Dead”, do Death, para os rapazes liberarem totalmente suas influências death; e a simpática “Gloria”, cover do ZIGGY, conjunto japonês pouco conhecido e que provavelmente agradará aos amantes de X Japan e afins.

Como dito acima, o que o DragonForce apresenta em Reaching into Infinity é uma clara evolução do lançamento anterior. Temos uma abordagem mais “séria” e madura na hora de construir a música. Vemos um Frédéric tão à vontade que até solos de guitarra ele mandou (em “The Edge of the World” e “Our Final Stand”). E, é claro, a execução alucinada e o clima épico que sempre marcou o som dos caras. Sobre o novo baterista Gee Anzalone? Recebeu logo de cara um bom desafio, pois teve que lidar com ritmos não ortodoxos para a banda. Mas se mostrou uma escolha acertada, afinal.

Por fim, vale exaltar a arte do CD. Não apenas por sua beleza em si, mas porque ela foi feita… no Brasil! O artista paulista Caio Caldas, por meio de sua marca CadiesArt, executou o projeto gráfico concebido pelo DragonForce que, finalmente, faz jus ao próprio nome e traz um dragão na capa, algo muito comentado entre os fãs. A criatura simboliza o espírito da banda, segundo declaração do guitarrista Herman Li ao Metal.de.

Nota = 5/5. Se nos dois discos anteriores eu contestava a ausência de faixas longas e solos de teclado, agora não tenho nada do que reclamar. E tampouco tem o fã. O DragonForce é um grupo que, verdadeiramente, melhora a cada álbum. Quando ouço um riff como o de “Ashes of the Dawn”, visualizo a dupla Sam Totman e Herman Li, seguida pelos demais integrantes, caminhando firme e forte sobre uma manada de fundamentalistas que pararam em “Through the Fire and Flames”.

Abaixo, o vídeo de “Ashes of the Dawn”:

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