Resenha: Illusions Dimension – Matheus Manente

Reprodução da capa do álbum (© VmbrellA)

Apesar do potencial, o Brasil ainda não é um polo do metal progressivo como é do power metal e do thrash, por exemplo. Tirando Dream Theater e Symphony X, bandas com cacife para encabeçar extensas turnês mundiais, é relativamente raro um grupo relevante do gênero dar as caras por aqui. Além disso, temos uma carência de nomes fortes do estilo. O mais promissor deles, Bad Salad, tem seu futuro incerto.

Felizmente, uma nova promessa mostrou-se para o mundo no início deste ano, diretamente de São Paulo. Praticamente sozinho, o multi-instrumentista Matheus Manente criou este que já é um grande lançamento progressivo do ano – o digo isso em escala global!

Cuidando de quase todos os instrumentos, o paulistano juntou 13 faixas bem variadas num disco de metal progressivo instrumental que esbarra frequentemente no jazz fusion, na música clássica, no eletrônico e na world music, com resultados encantadores.

A abertura “Knetic Disturbances” (sem contar a breve introdução autointitulada) nos leva a uma intrincada viagem guitarrística a la John Petrucci, com passagens que nos remetem ao trabalho do estadunidense em “The Count of Tuscany”, do Dream Theater. O virtuosismo prossegue em “The Shapley-Curtis Debate”.

“Inner Peace”, como o nome sugere, pisa no freio bruscamente e nos traz um leve dueto de um piano sereno comandado por Gryzor87 e uma guitarra emotiva. O peso volta na técnica “Symmetry of Evil” e na dinâmica “Market Garden”, que ganhou um clipe.

Temos então um novo e longo momento de respiro que começa em “Castaway”, onde um violão conversa sozinho até ser somado a mais um companheiro de seis cordas ao mesmo tempo em que sons de praia ao fundo vão dando lugar a um burburinho de aglomeração humana. Chega então a bela “The Seventh of Nights”, em que o violão passa a fazer companhia a delicados sopros e percussões, e tudo culmina em “Pamukkale”, balada quase acústica com mais um belo trabalho ao piano de Gryzor87 e dedilhadas na guitarra elétrica.

E assim chegamos a “Virtual Destruction”, onde o peso e as influências eletrônicas ajudam a criar um dos pontos altos do disco. Um novo interlúdio, “The Burial of the Count of Orgaz”, leva-nos a outro ponto alto, “Brihadeeswarar Temple”, onde os elementos eletrônicos voltam a dar as caras e dividem espaço com riffs de aroma thrash e uma bateria no melhor estilo St. Anger. O encerramento fica por conta da boa “Dreams and Memories”.

Talvez o fato de ser produto de um nome ainda pouco conhecido jogue contra Illusions Dimensions, mas a verdade é que álbuns bem menos empolgantes costumam aparecer nas listas de melhores lançamentos progressivos do ano. Graças a Dio, você não depende só dessas listas para descobrir novidades.

Nota = 5/5. Cuidando de tudo sozinho, Matheus conseguiu reunir riffs e solos de alto nível, linhas de baixo e bateria que fazem jus ao som das seis cordas, trabalhos tocantes no violão e arranjos muito bem-vindos de teclados. O que mais você espera de um álbum de metal progressivo instrumental?

Abaixo, o vídeo de “Market Garden”:

* O CD Illusions Dimensions foi enviado ao autor do blog via e-mail pelo próprio músico e a resenha foi escrita por sugestão do mesmo.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s