Resenha: We’re All Somebody from Somewhere – Steven Tyler

Reprodução da capa do álbum (© Dot Records)

Reprodução da capa do álbum (© Dot Records)

Aos poucos, o lendário vocalista do Aerosmith, Steven Tyler, foi revelando ao mundo sua intenção de lançar um trabalho country. Não se trata de uma aventura total, uma vez que sua banda sempre bebeu do gênero, mas bastou para causar curiosidade, para o bem e para o mal.

A resposta para todo o hype é We’re All Somebody from Somewhere, que reúne quase uma hora de música country moderna e comercial – e digo isso sem a intenção de aplicar os termos de forma pejorativa. Porque, convenhamos, nem tudo que é feito para o rádio é necessariamente ruim.

E as 15 faixas do álbum provam isso. Variam bastante, mesmo que sem perder o estilo de vista. Temos baladinhas leves e sonolentas como “It Ain’t Easy”, “Gypsy Girl” e “What Am I Doin’ Right?”, mas felizmente elas não ditam a tônica do álbum. O clima dele é determinado pelos momentos mais empolgantes, como a forte “Love Is Your Name”, divulgada já no ano passado; a autoafirmativa e alegrinha “I Make My Own Sunshine”; e a bela “Only Heaven”.

“Somebody New”, agraciada com um indispensável banjo; e “The Good, the Bad, the Ugly and Me” estão entre as mais verdadeiramente country. A primeira resgata a delicada instrumentação do gênero, com dedilhadas precisa nas cordas. Já a segunda chama a atenção por sua área rítmica, lembrando os quase-vizinhos do Bon Jovi.

Os “patinhos feios” (de novo, sem intenções pejorativas) ficam por conta da abertura “My Own Worst Enemy”, que começa com um violão à la Zé Ramalho (falo sério), mas vai ganhando corpo e fica mais forte até o final; e a exótica “Hold On (Won’t Let Go)”, que destoa de suas companheiras tanto quanto a regravação que abordarei a seguir.

Os mais incautos poderiam dizer que Steven estragou o hit aerosmithiano “Janie’s Got a Gun”. Mas se considerarmos que a faixa foi coescrita por ele e que a letra lida com um tema espinhoso (uma garota que baleia o próprio pai após sofrer abusos sexuais), deduz-se que ele faz o que quer com ela e ainda que deu uma atmosfera mais apropriada para a personagem, ainda que esta adaptação chegue com quase 30 anos de atraso.

O country prometido por Steven Tyler pode não ter sido algo mais clássico e clichê, mas o apelo comercial e o abuso de elementos pop não chegam a estragar a experiência. Até a tornam mais acessível. Na verdade, o country sempre teve tudo para ser misturado com o pop, de modo a honrar tanto o passado quanto o presente da música típica estadunidense.

Nota = 3/5. Uma estreia firme e madura deste grande vocalista. Se você não comprar o disco achando que o sexagenário era a encarnação adormecida do Johnny Cash, terá uma boa experiência.

Abaixo, o vídeo do single “Love Is Your Name”:

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Uma resposta para “Resenha: We’re All Somebody from Somewhere – Steven Tyler

  1. Engraçado como os ícones do rock quando iniciam carreira solo acabam indo pra um outro gênero. Paul McCartney quando iniciou carreira solo surpreendeu com hits do funk com clara influência da black music, por exemplo. No Brasil, Nasi do Ira! também já foi pro country, Humberto Gessinger também, além de outros como Edgard Scandurra que acabou indo para a MPB com Arnaldo Antunes, antes do retorno do Ira! em 2014.

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