Resenha: The Getaway – Red Hot Chili Peppers

Breve histórico: Os Red Hot Chili Peppers são um dos maiores e mais bem-sucedidos conjuntos da história, donos de um som único e formados por quatro membros reconhecidos em seus campos de atuação. Tiveram seus altos e baixos, mas nunca deixaram de soar autênticos.

Reprodução da capa do álbum (© Warner Bros. Records Inc.)

Reprodução da capa do álbum (© Warner Bros. Records Inc.)

A primeira coisa que você precisa saber sobre The Getaway é que ele só veio depois de um grande contratempo. Em 2014, a banda já tinha quase 30 músicas prontinhas para o estúdio, mas o baixista Flea quebrou o braço ao praticar snowboarding. O resultado foram meses de suspensão dos trabalhos.

Quando o grupo finalmente estava arregaçando as mangas, eis que surge Brian Burton, mais conhecido como Danger Mouse, e sugere, na cara de pau mesmo, que deveria fazer um álbum com eles. Os californianos até levaram as canções que haviam criado, mas o produtor descartou tudo e ajudou a criar algo do zero. A pergunta que fica (e talvez jamais teremos resposta) é: ficou melhor ou pior do que o planejado originalmente?

Bom, o que sabemos é que o décimo primeiro lançamento de estúdio das lendas do funk rock está dividindo opiniões. Para alguns, uma tentativa fracassada de modernizar o som. Para outros, um louvável esforço experimental. Já eu prefiro resumir The Getaway com este gif. O famoso “marromeno”. Que não fede nem é perfumado.

A abertura, que é também a faixa-título, dita a tônica do álbum e deixa claro que o que prevalecerá são músicas levinhas com linhas de bateria que subestimam as habilidade de Chad Smith, um baixo irrisório, trabalhos minimalistas na guitarra e muitos teclados. O vocalista Anthony Kiedis, o único membro que entregou uma performance acima de qualquer crítica, é acompanhado nesta peça por uma tímida Anna Waronker.

Por outro lado, a sequência “Dark Necessities” mantém viva aquela chama de esperança, ela que foi a primeira a ser divulgada. Mistura as características mais típicas da banda com o teclado, instrumento que vem ganhando mais espaço na música do quarteto – o que é ótimo, dentro de certos limites. “We Turn Red”, por sua vez, chega em uma roupagem mais crua, quase sem teclados, com uma bateria que lembra “Blood Sugar Sex Magic”. “Goodbye Angels” é outra que agrada, com seu clima “Can’t Stop”.

Voltamos à chatice com “The Longest Wave”, mas esta desce bem por ter um forte refrão. O glorioso Elton John passa inacreditavelmente despercebido em “Sick Love”, onde o produtor Danger Mouse e o nosso orgulho nacional, Mauro Refosco, brilham mais – o catarinense também dá as caras na sequência “Go Robot”, sem dúvidas a mais experimental de todas, com uma roupagem típica dos anos 1980 – camadas e mais camadas de teclados, guitarras soando artificialmente, essa coisa toda. Não chega a ser ruim, mas não lembra em nada o Red Hot Chili Peppers.

A segunda metade de The Getaway vai intercalando momentos. “Feasting on the Flowers” tem ritmos cativantes que lembram um pouco do trabalho anterior, I’m With You (resenhado neste blog). “Detroit”, por sua vez, faz par com “We Turn Red” em mais um trabalho cru e direto, que deve agradar aos fãs das antigas. “This Ticonderoga” faz um meio termo entre ambas.

A tríade de encerramento “Encore”, “The Hunter” (onde Flea se contenta com um trompete e deixa as quatro cordas na mão de Josh) e “Dream of a Samurai” (uma faixa que ganhou mais minutos do que pediu) ressuscita a chatice que tanto comprometeu o álbum. Sabe o tal do “fechando com chave de ouro”? Pois é, passou longe aqui.

Difícil mensurar o saldo disso tudo. O álbum definitivamente não é nem uma bomba, nem uma joia. Não é uma bomba porque ele tem tudo o que você esperaria de um trabalho do quarteto californiano, mesmo que não o tempo todo. Mas não é uma joia porque em alguns momentos foge demais justamente dessas características pepperianas, perdendo-se em caminhos inéditos demais para a banda e nos quais ela definitivamente não parece à vontade.

Nota = 6. Quem é fã mesmo dos Red Hot Chili Peppers não vai simplesmente descartar The Getaway como um fracasso total. Por outro lado, ele é gasolina para a fogueira dos haters (acredite, há gente de pensamento medíocre o bastante para desmerecer esta grande banda como um todo – e, como eu acabei de dizer, este disco foi a deixa para eles saírem do armário aos enxames).

Abaixo, o vídeo de “Dark Necessities”:

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2 Respostas para “Resenha: The Getaway – Red Hot Chili Peppers

  1. Difícil te agradar ein maestro! Mas concordo com tua resenha. Além disso, é possivel observar um certo padrão nas bandas com uma idade mais avançada e que já é considerada de grande sucesso, como o RHCP, eles começam a produzir coisas parecidas ou entao destoantes a ponto de não parecer-se nada com a banda de fato.

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