Resenha: Chaos – Unlocking the Truth

Breve histórico: O Unlocking the Truth é um trio estadunidense com uma das histórias mais interessantes do metal recente. Foram do anonimato das ruas de Nova Iorque para os escritórios da Sony, onde chegaram a fechar um contrato milionário. O acordo não vingou por decisão da própria banda, mas sua trajetória não parou por isso.

Reprodução da capa do álbum (© TuneCore)

Reprodução da capa do álbum (© TuneCore)

Você que mora em São Paulo já deve ter aproveitado um domingo para passear na Avenida Paulista fechada para carros, e provavelmente deve ter testemunhado um punhado de artistas anônimos de diversos estilos se apresentando para o público. Você põe fé que algum deles vai ser chamado por alguma grande gravadora?

Bem, fato é que isto deu certo para um jovem grupo de adolescentes do Brooklyn, Nova Iorque. Ainda na pré-adolescência, Malcolm Brickhouse (guitarra, vocais) e Jarad Dawkins (bateria) começaram a se apresentar nas ruas, antes mesmo de chamarem o baixista Alec Atkins. Logo, vídeos das apresentações deles na Times Square bombavam no YouTube. A Sony moveu seus pauzinhos e acenou para eles com um contrato de quase US$ 2 milhões, que foi firmado e pouco depois reincidido pelos garotos, que alegaram sentirem-se sufocados. Eles seguiram em frente e fecharam com uma gravadora menor, a TuneCore.

Mas falemos da música, enfim. O álbum atende às expetativas de quem acreditava nos meninos? Com certeza. Não é uma obra estupenda de músicos mirins superdotados, longe disso, mas tem mais atitude que muita banda adulta, e coloca essas promessas definitivamente no mapa.

Misturando influências como Megadeth, Metallica e Deftones, o trio entrega uma série de onze faixas pesadas, maduras e profissionais, que você jamais diria serem de adolescentes se não conhecesse a banda. Mesmo que você não se apaixone à primeira ouvida, não será leviano em desprezar o material. Destaque para “A Tide”, “Take Control” e a faixa-título.

Analisando o trabalho instrumental e as letras, chego à mesma conclusão que cheguei ao analisar os adolescentes do Next to None: não é nada espetacular, mas ganha pontos por vir de um time de músicos pouco experientes e com muito caminho pra percorrer ainda. O vocal merece um comentário a parte: não chega a decepcionar, mas soa burocrático, pouco marcante. Seria interessante investir num quarto membro mais talentoso, afinal, estamos falando de uma banda seriamente candidata a assumir o posto dos medalhões em vias de aposentadoria.

O começo do Unlocking the Truth é promissor e faz jus à antecipação gerada pelo anúncio de Chaos. A beleza dos garotos não ficou restrita apenas à sua história (quantas bandas afro-americanas dos subúrbios você conhece? E bandas que saíram da rua e chegaram a uma grande gravadora?). E por fazerem um metal bastante padrão, sem nada de peculiar, podem montar sua comunidade de fãs com facilidade – uma facilidade inexistente para o já mencionado Next to None, por exemplo.

Nota = 8,5. Chaos convence e consolida o Unlocking the Truth como promessa do metal atual. O futuro dos garotos é promissor, e só resta torcer para que deem certo – Iron Maiden e Metallica não vão existir pra sempre, sabe?

Abaixo, o lyric video de “Take Control”:

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