Resenha: Santana IV – Santana

Breve histórico: Santana é a banda do guitarrista mexicano naturalizado estadunidense Carlos Santana. Na ativa desde o final dos anos 1960, o grupo começou a carreira com um trabalho de blues misturado com música latina, para nos anos 1990 começar a investir em interessantes e bem-sucedidas parcerias com artistas variadíssimos que deram ao músico altas posições em paradas, prêmios Grammy e muita difusão em rádios. Mais recentemente, o guitarrista aposta em um equilíbrio entre essas duas fases.

Reprodução da capa do álbum (© Santana IV Records)

Reprodução da capa do álbum (© Santana IV Records)

Os álbuns recentes do Santana são irregulares em termos de sonoridade: a brilhante tríade Shaman, Supernatural e all that i am, cheia de participações especiais e toques latinos, foi sucedida por um álbum de covers, depois um álbum de volta às raízes e por fim um álbum nos moldes da supracitada sequência (Corazón, resenhado neste blog).

E foi aí que fomos surpreendidos novamente com o anúncio da volta da formação clássica do Santana, aquela que lançou os primeiros discos do músico mexicano-estadunidense. Reuniram-se o guitarrista Neal Schon, o tecladista e vocalista Gregg Rolie, o percussionista Michael Carabello e o baterista Michael Shrieve. Todos eles participaram dos primeiros três lançamentos da banda (Santana, Abraxas e Santana III), exceto Neal, que só esteve no terceiro. Só faltou o baixista David Brown voltar dos mortos para completar o time, mas as quatro cordas ficaram a cargo do menos conhecido e competente Benny Rietveld. Karl Perazzo também mostra suas credenciais aqui, na ausência do segundo percussionista da formação clássica José Areas.

O resultado é um impecável trabalho de rock, blues e salsa. A química afinadíssima dos sete músicos é a marca deste álbum cujos ensaios resultaram em nada menos que 16 faixas, que intercalam atmosferas, velocidades e direcionamentos musicais. É verdade que algumas podem levar mais tempo para cair no gosto do fã, especialmente os instrumentais mais serenos.

A abertura “Yambu” é pomposa, firme e marcante, como um lento descortinar de um espetáculo. O que vem a seguir é uma maratona de música fina. Há faixas bem típicas da era clássica do Santana, como os longos instrumentais “Fillmore East” e “Forgiveness” e a bela “Blues Magic”.

Outras já fazem referência aos discos mais populares do guitarrista, como “Anywhere You Want to Go”, “Choo Choo” e sua continuação “All Aboard”, além de “Freedom in Your Mind”, esta última com a participação de Ronald Isley – sim, aquele do The Isley Brothers. O estadunidense dá as caras (ou melhor, as vozes) também em “Love Makes the World Go Round”.

Por mais que Santana IV tente fazer referência a quatro décadas e meia atrás, não foi possível esquecer a quantidade de tempo de carreira que decorreu desde os anos 1970. A maturação dos músicos é evidente e foi determinante para a qualidade do som produzido aqui – justamente por isso não seria possível recuperar os sons de quando eles eram jovens de 20 e poucos anos com bem menos experiência. E olha que eles já arrebentavam na época. Santana IV é menos um trabalho de aventura do que um trabalho de celebração.

Nota = 9,0. Não importa quantos discos dele tenham saído, quem aprecia Carlos Santana nunca ouvirá o suficiente. É muito gratificante ver que um artista que começou no final dos anos 1960, junto com a maioria das bandas definitivas do rock clássico, continua fazendo boa música, sem nunca ter parado, sem nunca ter sentado numa zona de conforto – e ainda assim, você o reconhece na primeira nota.

Abaixo, a faixa “Anywhere You Want to Go”:

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