Resenha: Voices of Fire – van Canto

Breve histórico: único exemplar de sua “espécie”, o van Canto é um sexteto alemão formado em 2006 que dispensa guitarras, baixos e teclados. O único instrumento é a bateria. Os outros cinco membros cantam, três deles imitando o que seriam guitarras e baixos, com direito a solos e distorções. Já é um nome estabelecido e com uma sólida e fiel comunidade de fãs.

Reprodução da capa do álbum (© earMUSIC)

Reprodução da capa do álbum (© earMUSIC)

Após cinco álbuns apostando na não mais tão inovadora fórmula do metal a cappella, o van Canto resolveu sair um pouco da sua zona de conforto. Dispensou participações especiais de músicos consagrados do metal pela segunda vez seguida, deixou os covers de lado (um fato inédito) e apostou numa metal opera, ou “musical” como eles preferem.

O projeto resultou em uma participação mais significativa de corais (trazidos pelo London Metro Voices e pelo coral infantil da Chorakademie Dortmund), o que aproximou o grupo do metal sinfônico. O som está mais épico e poderoso, fazendo jus à proposta mais teatral do álbum.

Voices of Fire não escapa de incorrer em alguns clichês. Como o Rhapsody of Fire fazia com o ator britânico Chistopher Lee, o van Canto também pegou emprestada a voz de outra estrela da trilogia Senhor dos Anéis: John Rhys-Davies, que fez o papel do anão Grimli. Ao final de quase todas as faixas, ele aparece para narrar os acontecimentos. Quanto à história fantasiosa, só não digo que foi inspirada em The Astonishing do Dream Theater (resenhado neste blog) porque este foi lançado menos de dois meses antes.

As novas influências não ofuscaram as manobras vocais típicas da banda. Os riffs “rakkatakka” e os solos “wah-wah” dividem espaço com os pedais duplos nervosos e as múltiplas camadas vocais, criando aquela atmosfera inconfundível vancantoniana.

Embora o álbum empolgue menos do que todo o marketing feito em torno dele poderia sugerir, ainda é preciso elogiar a ousadia do sexteto em sair um pouco da mesmice na qual insistia em se esconder.

Nota = 8. O desgaste da fórmula da banda causa menos impacto aqui do que causaria se este fosse um lançamento convencional. A novidade da metal opera é o suficiente para dizer que conseguiram se reinventar, estes alemães – que agora estão mais alemães ainda, com a saída do membro brasileiro Ike, substituído por Jan Moritz.

Abaixo, o vídeo de “The Bardcall”:

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