Resenha: All That You Fear Is Gone – Headspace

Breve histórico: talvez seja covardia dizer que o Headspace é parte daquela nova leva de excelentes bandas de metal progressivo, uma vez que se trata de um supergrupo com músicos já calejados, incluindo o tecladista Adam Wakeman (filho da lenda dos teclados Rick Wakeman) e o vocalista Damian Wilson. De qualquer forma, independentemente de se encaixarem na definição de “novos” ou não, são ótimos – e lamentavelmente pouco conhecidos.

Reprodução da capa do álbum (© Century Media Records)

Reprodução da capa do álbum (© Century Media Records)

O lançamento de estreia do Headspace, I Am Anonymous, foi uma grata surpresa do ano de 2012, superando inclusive as expectativas que já levavam em conta a qualidade de cada membro. Eu poderia apostar no clichê “parecia difícil, mas eles conseguiram se superar”, mas eu não esperava nada menos de um supergrupo desse calibre. Se até o Flying Colors se superou em 2014 gravando um álbum às pressas, com os membros distantes uns dos outros e em meio a turnês de suas bandas principais, não tinha por que não estar confiante de um supergrupo que ao menos pôde criar um disco de um jeito mais “normal”.

A química do quinteto está bem mais afiada em All That You Fear Is Gone. Isso deu margem para mais passagens intrincadas, variações bruscas de andamento e exibições de técnica. Mas não pense que o álbum é só peso e fritação. Na verdade, quase metade dele sequer tem distorção, lembrando aqueles momentos acústicos inspirados do Yes. Não há um “meio-termo” rock progressivo aqui. É ou acústico, ou metal. Quase um The Diary, do The Gentle Storm.

Falando em Yes, este trabalho parece ser resultado de uma cozinha de influências diversas. Há passagens djent; instrumentações que nos remetem aos conterrâneos do Haken; riffs grandiosos e épicos ao estilo Arjen Anthony Lucassen; e aquela atmosfera melancólica que nos faz pensar no Leprous. E tudo isso vai sendo apresentado com calma, sem exagerar nem economizar demais.

Tal justiça foi aplicada também à duração das canções: a lista de faixas compreende épicas como “The Science Within Us” e “Secular Soul” e peças mais econômicas como “The Day You Return”, que leva o álbum a um de seus ápices com menos de 3,5 minutos.

Vale lembrar que All That You Fear Is Gone marca a estreia do baterista Adam Falkner, que faz um excelente trabalho que o coloca em pé de igualdade com seus colegas: os talentosos Adam Wakeman e Pete Rinaldi (este último violonista e guitarrista), cuja combinação foi fundamental para a “cara” final do álbum; o hábil baixista Lee Pomeroy; e o inconfundível Damian Wilson, com sua voz marcante e dramática.

Nota = 9,0. Em suma, All That You Fear Is Gone é um prato cheio para amantes do metal progressivo, e já chega ao mercado como candidato a constar entre os melhores do ano (embora o mais provável é que seja eclipsado pelos lançamentos mais mainstream, como sempre acontece). Compre o álbum sem medo.

Abaixo, o vídeo de “The Science Within Us” (numa versão encurtada pela metade):

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