Resenha: Ghostlights – Avantasia

Breve histórico: O Avantasia é uma das metal operas mais bem sucedidas da história, não só pela qualidade de seus lançamentos e pela visão de seu líder, o vocalista, baixista e tecladista alemão Tobias Sammet (que também lidera o quinteto de power metal Edguy), mas também pelo improvável sucesso comercial que atinge, possibilitando até turnês mundiais.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

O anuncio do álbum Ghostlights, o sétimo trabalho de estúdio do projeto, foi um tremendo alívio para os fãs da metal opera, que viram Tobias sugerir em uma coletiva de imprensa que o Avantasia seria encerrado ou, ao menos, interrompido por algum tempo.

Seguindo a mesma fórmula do álbum anterior, The Mystery of Time (resenhado neste blog), o músico reuniu um time relativamente enxuto de convidados, com pouca repetência de participações. O resultado agradará ao fã médio, mas deve muito para boa parte da discografia de 15 anos do projeto.

O fraco e comercial single “Mystery of a Blood Red Rose” foi estranhamente escolhido para abrir o álbum. Quer dizer, ele começa a história, então é claro que deveria servir de introdução, mas não dava pra colocar essa letra em outro instrumental? Ao menos ele rendeu ao Avantasia a honra de ser finalista na lista de candidatos a representar a Alemanha no Festival Eurovisão da Canção de 2016 – um feito a ser celebrado por toda a comunidade do heavy metal. A segunda faixa, a épica “Let the Storm Descend Upon You”, empolga mais, mas fica na sombra de quase todas as canções longas de álbuns anteriores.

A coisa começa a melhorar nas três seguintes: “The Haunting”, com Dee Sneider; e “Seduction of Decay”, com Geoff Tate e um riff característico das fases mais pesadas do Edguy. Nenhuma das duas poderia fazer feio com convidados tão icônicos. A faixa título, com Michael Kiske e Jørn Lande, empolga não só pelos dois mestres, mas também porque é o primeiro lampejo real de power metal no disco, com velocidade e melodias marcantes.

“Draconian Love” parece uma continuação de “Dying for an Angel”, do The Wicked Symphony. Aqui, o convidado Herbie Langhans ganha um papel fora de seu timbre usual, e é Tobias quem acaba salvando o dia. Quer dizer, Herbie é ótimo, mas por que chamá-lo para dispensar sua voz arranhada, com aquele jeitão de Andi Deris? Eric Clayton, por exemplo, faria mais sentido aqui.

A pesada “Master of the Pendulum” ganha pontos por tirar um proveito satisfatório de seu convidado: Marco Hietala, do Nightwish. Por outro lado, a sonolenta “Isle of Evermore” é uma grande decepção, com Sharon den Adel, uma das melhores vocalistas da atualidade, sendo subutilizada em uma performance menos do que burocrática.

Quase fechando o álbum, uma ótima tríade: “Babylon Vampyres”, “Lucifer” e “Unchain the Light”. Em maior ou menor grau, elas recuperam a velocidade e o clima de “Ghostlights” para agradar aos fãs mais sedentos por pedais duplos. Por fim, temos a interessante “A Restless Heart and Obsidian Skies”, com o inigualável Bob Catley. Há ainda a boa faixa bônus “Wake up to the Moon”, que reúne os principais convidados em um trabalho que se revela eficaz ao tentar comportar seis vocalistas em um espaço menor que cinco minutos.

O saldo desta montanha russa de faixas empolgantes e decepcionantes acaba sendo positivo, principalmente porque Tobias novamente entregou um disco razoavelmente agradável a partir de um time reduzido, algo que ele já havia conseguido – com melhores resultados – em The Mystery of Time, que, vale lembrar, foi enriquecido ainda pela participação de uma orquestra.

Nota = 6,5. Seria delirante esperar de Ghostlights algo à altura da dupla The Metal Opera, feita sob outra realidade financeira e, principalmente, sob outro direcionamento musical de Tobias. Ao mesmo tempo, seria desonesto colocar as expectativas tão lá embaixo só porque a fórmula mudou. Se você é fã de power metal com toques de hard e metal tradicional, este trabalho é um item interessante. Se você despertou de um coma ontem e acabou de ouvir falar em Avantasia, este com certeza não é o melhor ponto de partida para conhecê-lo.

Abaixo, o lyric video de “Ghostlights”:

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