Resenha: A Head Full of Dreams – Coldplay

Breve histórico: O quarteto britânico Coldplay lota estádios e estoura nas rádios, mas um grande número de pessoas torce o nariz para a maneira como trocaram um certo rock alternativo por algo não muito distante do pop. Fato é que já cravaram seu nome na história da música e são donos de um som que poucos se atreveriam a tentar copiar.

Reprodução da capa do álbum (© Parlophone)

Reprodução da capa do álbum (© Parlophone)

1,5 ano após lançar Ghost Stories, o fundo do poço de sua carreira (e resenhado neste blog), o Coldplay tinha a difícil missão de mostrar que não queria mais ser uma banda de música de elevador. Alguns diriam que recuperar a admiração dos fãs de rock também era uma missão, mas isso claramente não é mais um objetivo. Em primeiro lugar, porque o caminho que seguiram não tem volta. Ainda, se mesmo lançando uma compilação de canções de ninar eles continuam com estrondoso sucesso, por que voltar às raízes?

Que fique claro, houve sim uma mudança em A Head Full of Dreams: toda a positividade que marcou Mylo Xyloto, por exemplo (também resenhado aqui), está de volta. Se a faixa título e de abertura, juntamente a sua sucessora “Bird” e o single “Adventure of a Lifetime”, ditam uma tônica alegre, “Everglow” e “Amazing Day” já vão por um caminho mais lento e meloso. A densidade e o ritmo de “Army of One” lembram o sucesso “Paradise”, contrastando com sua sonolenta faixa escondida “X Marks the Spot”. O que não mudou foi a tendência do grupo a se distanciar do chamado “piano rock”.

Mantendo a tradição recente das parcerias, muitos nomes interessantes aparecem aqui. A participação de Beyoncé em “Hymn for the Weekend” levará os rockistas à loucura, mas é inofensiva se levarmos em conta o padrão musical que o Coldplay vem apresentando. Na verdade, ela é a única vocalista cujos talentos foram realmente aproveitados.

A sueca Tove Lo, bem como a estadunidense Merry Clayton, ficam restritas aos vocais de apoio. Barack Obama só emprestou partes de uma cantoria realizada durante um funeral para “Kaleidoscope”, algo muito menor do que o alarde na imprensa poderia sugerir – a narração do poeta estadunidense Coleman Barks e o piano da georgiana Khatia Buniatishvili deixam marcas maiores em nossos ouvidos. Dó mesmo a gente tem que ter da atriz e cantora Gwyneth Paltrow, ex-esposa do vocalista, pianista e violonista Chris Martin: limitou-se a três ou quatro “hey-hey”s em “Everglow”. Até a estrela do ex-Oasis Noel Gallagher brilha em “Up&Up”, mas você não ficará sabendo disso até consultar o encarte.

Fechando a lista de faixas, temos ainda o interlúdio “Colour Spectrum”, a balada motivacional “Up&Up” e, como faixa bônus, o single “Miracles”, lançado em dezembro de 2014 e parte da trilha do filme Invencível.

Dizer que o Coldplay não é mais rock a esta altura é chutar cachorro morto. Aliás, abandonar o rock não é nenhum crime hediondo como muitos consideram. O Coldplay nunca conquistou pelas guitarras, e sim pelo clima positivo de suas músicas, e é por isso que Ghost Stories foi tão decepcionante. E se este sexto disco do grupo não traz nenhum momento memorável dentro da densa discografia do quarteto, ele também não deixará os fãs em geral na mão.

Por outro lado, fica a pergunta: ainda é útil funcionar como quarteto em estúdio? O que o baterista Will Champion e o baixista Guy Berryman fazem que um computador não poderia fazer? Jonny Buckland e sua guitarra ainda conseguem marcar território, fazendo mais ou menos o que o japonês Tak Matsumoto fazia nos primeiros álbuns do B’z.

Nota = 7/10. Depois daquele susto em 2014, o Coldplay volta a fazer música que não faz o fã correr o risco de dormir ao volante. Sem nenhum tempero especial e esbanjando participações que raramente oferecem algo além dos próprios nomes, A Head Full of Dreams ao menos cumpre com sua obrigação de ser mais um item de estimação do fã e nos dá uma luz no fim do túnel quanto ao futuro da banda.

Abaixo, o vídeo de “Adventure of a Lifetime”:

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