Resenha: Hot Streak – The Winery Dogs

Breve histórico: um supergrupo compacto, cujo número de integrantes não corresponde ao número de grandes álbuns dos quais já participaram. O baterista Mike Portnoy se junta ao guitarrista e vocalista Richie Kotzen e o baixista/backing vocalista Billy Sheehan para dar forma a uma das melhores bandas da década.

Reprodução da capa do álbum (© Three Dog Music LLC)

Reprodução da capa do álbum (© Three Dog Music LLC)

Embalados pelo sucesso do primeiro álbum (resenhado neste blog), que arrancou elogios da crítica e dos fãs, o The Winery Dogs marca presença no meio desta década com Hot Streak. Sem mexer na fórmula mais básica do rock and roll (guitarra/vocal, baixo e bateria), o trio estadunidense entrega mais uma série de interessantes peças de rock cru com alguma sofisticação.

O som básico do grupo permanece o mesmo aqui. Se você já era fã da banda, continuará sendo. Se não gostou do primeiro álbum, não perca seu tempo ouvindo este. Mas como nem todos podem se dar o luxo de ser um AC/DC, que nunca muda de fórmula e continua vendendo que é uma beleza, o trio resolveu mostrar que se preocupou em trazer algo de novo para o fã.

E isto será sentido ouvindo as faixas sem pressa, uma a uma. O início frenético da abertura “Oblivion” parece inspirado pelos tempos de Mike no Dream Theater. Já os riffs de “Captain Love” disparariam até o menos sensível detector de AC/DC – você jura que a qualquer momento Brian Johnson começará a cantar. “Spiral” traz uma linha hipnotizante no baixo. E por aí vai – cada canção com seu encanto. De resto, Hot Streak mantém a consistência que já é marca da banda.

Quando se tem uma formação tão econômica, não dá pra sair inventando muita frescura. Ao mesmo tempo, corre-se o risco de cair na repetitividade. O The Winery Dogs tirou isso de letra. Em primeiro lugar, porque soube evoluir sem perder a identidade construída no lançamento anterior. Ainda tem aquele som que você identifica imediatamente. Contudo, cada faixa traz um tempero que a torna diferente da anterior, algo que vai muito além do andamento e da ordem dos acordes.

Outro aspecto positivo do álbum é o espaço que foi dado a cada membro para se mostrar. Richie e Billy solam livremente, mas cada qual no seu momento, sem excessos. Mike mostra mais uma vez sua versatilidade com linhas das mais variadas complexidades.

Nota = 8,5. Tudo que o trio havia mostrado de bom em The Winery Dogs – crueza, coesão, versatilidade, atitude, virtuosismo – está de volta aqui, com alguns temperos a mais para ninguém poder dizer “bah, já ouvi isto antes”. A sensação que se tem é que tudo que envolve Mike Portnoy dá certo, mesmo que as propostas sejam abissalmente diferentes. Basta ver como o cru The Winery Dogs consegue estar no mesmo nível do denso Flying Colors.

Abaixo, a faixa “Oblivion”:

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