Resenha: Eternal – Stratovarius

Breve histórico: Lendas vivas do power metal, o Stratovarius atravessou três décadas marcadas por trocas de membros, crises e clássicos do estilo. Hoje, com integrantes que vão dos quase 30 aos 50 e poucos anos, podem dizer que envelhecem e rejuvenescem ao mesmo tempo.

Reprodução da capa do álbum (© earMusic)

Reprodução da capa do álbum (© earMusic)

O Stratovarius deixa sua marca em 2015 com seu décimo quinto álbum de estúdio, Eternal, reafirmando sua sina de discos com títulos de sete letras. A obra foi anunciada com base num estranho discurso de “estamos há muito tempo sem lançar nada”, mesmo que ele venha só um pouco depois do intervalo médio de um trabalho a cada dois anos, regularidade mantida desde a entrada do guitarrista Matias Kupiainen.

Eternal marca o segundo disco consecutivo em que o ex-guitarrista do Sonata Arctica, Jani Liimatainen, participa do processo de criação. Desta vez, sua contribuição foi tamanha – coescreveu todas as letras e três das faixas – que eu me pergunto por que não o chamam logo para ser o segundo guitarrista da banda.

O grupo sabiamente escolheu “My Eternal Dream” como faixa de abertura, e, mais sabiamente ainda, escolheu-a também para receber um vídeo (veja abaixo). Foi a melhor opção porque é uma canção que resume bem a proposta do álbum, que é recuperar de vez aquela energia dos anos 1990 e misturar com toda a modernidade apresentada nos últimos anos. Tal direcionamento foi provavelmente adotado após a banda fazer alguns shows especiais do clássico Visions (1997) – com efeito, anotações no encarte do disco dão conta que a resposta do público às apresentações foram a faísca que precisavam para entrarem no estúdio.

As demais faixas apresentam aquela variabilidade típica dos trabalhos do quinteto. Lauri Porra deixa sua marca com a lenta “Lost Without a Trace”, com seus já característicos riffs marchantes. O começo até lembra um pouco “Fantasy”, do Nemesis (resenhado neste blog), também criada pelo baixista. As destoantes “Man in the Mirror” e “Fire in Your Eyes” deixam claro que são composições da lenda dos teclados Jens Johansson. O encerramento “The Lost Saga”, com mais de 11 minutos, não deve muito para outras épicas como “Visions”, “Infinity” e “Elysium”, fechando tudo com chave de ouro.

Ou quase tudo: como faixas bônus, temos ainda mais duas contribuições de Jens: “Giants”, um típico trabalho de power metal que não merecia absolutamente estar fora da lista de faixas regular; e “Endless Forest” – esta sim exótica demais, tocada aparentemente por Jens sozinho, e que ficaria mais apropriada num lançamento solo do tecladista sueco do que aqui, como bônus.

Salvo “The Lost Saga”, que trata de vikings e batalhas, as letras de Eternal não trazem nada de muito surpreendente. Temas como a influência da mídia e a destruição da natureza são evocados novamente em “Rise About It” e “Feeding the Fire”, assuntos já bem clichês, mas que deixam a banda bem à vontade. Angústias e fortes emoções passam por “Shine in the Dark”, “Lost Without a Trace” e “In My Line of Work”.

Como um todo, Eternal parece uma continuação natural de Stormcrow, do Cain’s Offering (resenhado neste blog), lançado no último mês de maio. Nada a se estranhar, uma vez que Jens, Jani e o vocalista Timo Kotipelto também trabalharam nele. Temos aqui a mesma atmosfera bombástica e épica que fez daquele um dos melhores lançamentos do ano, como podemos constatar em “Shine in the Dark”, “In My Line of Work” e “Few Are Those”, coassinadas pela dupla Kotipelto/Liimatainen. “My Eternal Dream” é obra de Matias, mas parece ter bebido bastante da influência de Stormcrow também.

Tudo isso faz de Eternal o melhor produto da era Kupiainen. Sem desmerecer seus três antecessores, é claro; eles não só trazem faixas excelentes, como foram essenciais para moldar esse novo som que o quinteto vem fazendo para se adaptar às guitarras do jovem Matias. A verdade é que eles evoluíram de lançamento em lançamento, recuperando-se totalmente da saída do líder Timo Tolkki.

Nota = 8,5. Não há motivos para não achar este um bom álbum. Isso nem precisa entrar no mérito da chatice da guerra Tolkkietes vs não-Tolkkietes, é questão apenas de saber apreciar cada uma das doze canções e entender que o quinteto cumpre seu papel e entrega aquilo (ou até mais) que a média dos fãs esperaria.

Abaixo, o vídeo de “My Eternal Dream”:

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