Resenha: Burning Bridges – Bon Jovi

Breve histórico: uma das bandas mais importantes a emergir nos anos 80 dos Estados Unidos, o Bon Jovi lançou desde clássicos do rock até trabalhos de qualidade bem duvidosa, mas sem nunca parar de tocar. Hoje sem o guitarrista e fundador Richie Sambora, o grupo segue como trio + músicos contratados.

Reprodução da capa do álbum (© Mercury Records)

Reprodução da capa do álbum (© Mercury Records)

Separados de um membro importante e sem ganhar uma boa recepção da crítica há mais de dez anos (com efeito, o trabalho anterior agradou a poucos), o momento que o Bon Jovi vive não pareceria propício ao lançamento de um álbum. Mas o trio não pensou assim e resolveu criar, meio que na surdina, uma coletânea de “restos”.

O álbum é tão “errado” que fica até difícil decidir por onde começar. Primeiramente, é como se a banda sequer desejasse que os fãs o ouvissem. No Facebook oficial do grupo, não há uma única menção a ele nos últimos meses (a não ser que tenham feito postagens não-visualizáveis para brasileiros). A capa, por sua vez, não é menos simplória que um rabisco qualquer no caderno de um estudante entediado.

Falando da parte musical, são poucas as faixas que interessam realmente. “Who Woud You Die For” repete insistentemente a pergunta que lhe dá nome, e quando você menos espera, já está mentalmente formulando uma resposta. A faixa-título destoa com seu ritmo meio country e é precedida pelo máximo de rock que se verá aqui: “I’m Your Man”. “Fingerprints” dá sono, mas encerra-se com um solo que mostra a que veio o novo guitarrista da banda, Phil X que dá arrepios. Ao menos na escolha do primeiro single, eles acertaram em cheio: “We Don’t Run” uma das poucas recém-compostas.

De resto, é um amontoado de baladas sonolentas. Ao menos o lançamento foi bem definido como um “álbum de fã”. Até supera a vergonha que foi o lançamento anterior What About Now (resenhado neste blog), mas não consegue ser mais que um apanhado de curiosidades, um item de colecionador.

O maior problema, aliás, é que este trabalho mal tem cara de Bon Jovi. A ausência de Richie Sambora sozinha não explica isso, pois a banda já adotava um direcionamento mais pop há muito tempo, e as guitarras dele iam ficando mais discretas. Ser uma coletânea de sobras também não é desculpa, pois 100,000,000 Bon Jovi Fans Can’t Be Wrong também trazia um monte de raridades, só que bem mais interessantes.

Nota = 4,5. Vejam bem, ninguém está pedindo um novo Slippery When Wet (seria insanidade), mas peguemos The Circle, por exemplo. Não é lá um queridinho da crítica e dos fãs, mas faz jus ao legado da banda, encaixava-se na música de sua época e mantinha a relevância dos nova-jersianos. Burning Bridges, porém, apenas alimenta a fogueira dos que decretaram a morte da banda, deixando-os receosos quanto ao que está por vir em 2016, quando mais um álbum deles – este totalmente original – virá.

Abaixo, o lyric video de “We Don’t Run”:

ERRATA: Diferentemente do publicado anteriormente, Phil X não participou das gravações deste álbum. O Sinfonia de Ideias agradece aos leitores atentos que enviaram correções à versão desta resenha publicada no Whiplash.net – inclusive àqueles que enviaram a correção em meio a gentilíssimos adjetivos pela minha ousadia em falar mal do Bon Jovi. A estes, agradeço especialmente por ajudarem a elevar a contagem de acessos.

Anúncios

Uma resposta para “Resenha: Burning Bridges – Bon Jovi

  1. Pingback: Resenha: This House Is Not for Sale – Bon Jovi | Sinfonia de Ideias

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s