Resenha: Skills in Pills – Lindemann

Breve histórico: Lindemann é um projeto que une o vocalista e letrista alemão Til Lindemann, do Rammstein, e o multi-instrumentista e compositor sueco Peter Tägtgren, do PAIN e do Hypocrisy. Embora os dois tenham se conhecido na virada do século, foi só em 2013 que começaram a falar “sério” sobre um projeto em conjunto.

Reprodução da capa do álbum (© Warner Music)

Reprodução da capa do álbum (© Warner Music)

À primeira ouvida, o álbum de estreia do projeto, Skills in Pills, não difere muito do que o Rammstein faz. Depois da segunda ou terceira audição, esta impressão vai diminuindo, sem chegar a sumir. É que a foz de Til Lindemann é marcante demais, e o próprio som da dupla não fica longe do Neue Deutsche Härte que consagrou o sexteto alemão.

Disseram ambos os componentes do grupo que tinham com o álbum o objetivo de “chocar”. De fato, as letras não são indicadas para membros da “família tradicional defensora da moral e dos bons costumes”. Mas, para quem conhece o Rammstein, elas soam normais, ficando apenas um pouco mais engraçadas por serem cantadas em inglês e ficando assim mais acessíveis ao público em geral. Quem compreende alemão ou já usou o Google Tradutor sabe que o Rammstein sempre abordou esses temas mais tenebrosos de forma espontânea – “Pussy” que o diga.

E falando na faixa que ganhou um video clipe pornô, o álbum todo soa como uma extensão dela, como se ela tivesse sido um prelúdio ao que Til faria futuramente fora do sexteto. A diferença é que, enquanto “Pussy” falava de sexo de forma genérica e convencional, Skills in Pills explora fetiches e desejos obscuros.

O álbum começa bem com a faixa-título, uma bate-cabeça que cumpre o papel de cartão de visitas. “Ladyboy”, a primeira escrita pela dupla, segue na mesma velocidade, mas já desacelera nos seus refrãos. “Fat”, permeada por um riff erudito que lembra a “Tocata e Fuga em Ré Menor” de Bach, deixa clara sua mensagem já no seu título curto e – sem trocadilhos – grosso. Um elogio à adiposidade, com direito a conselhos “fofos” como: “Pessoas rindo do seu tamanho… podemos fodê-las em suas batatas fritas”. Com resquícios de “Sonne”, de Rammstein, o álbum desacelera um pouco com “Children of the Sun”, para então dar lugar à primeira balada, por assim dizer: “Home Sweet Home”.

“Golden Shower”, como o nome indica, aborda a tara por urina, conhecida popularmente como “chuva dourada” em português. “Praise Abort”, a primeira a ser divulgada, resume bem a tônica do disco, ficando acima da média quando se trata do elemento “choque”. Um verdadeiro ode ao ódio, se me permitem o trocadilho: “eu odeio minha vida, e eu odeio você. Eu odeio minha esposa e o namorado dela também. Eu odeio odiar e eu odeio isso. Odeio muito minha vida. Eu odeio meus filhos”. E o que dizer do verso “Sem filhos, a vida é muito melhor”? Uma escolha ousada para o single e clipe, que já está provocando reações polarizadas nas redes sociais. Uns pedem mais, outros detonam. “Fish On”, “Yukon”, “Cowboy” e “That’s My Heart” completam a lista de faixas.

Em termos de trabalho instrumental, Skill in Pills faz um equilíbrio perfeito entre “isso parece Rammstein” e “isso é um trabalho diferente”. Explicando melhor: você vai ficar o tempo todo imaginando os outros cinco membros tocando junto a Til, sem lembrar que é quase tudo feito por Peter. Isso é natural, uma vez que a voz do cantor é marcante e quase nunca foi ouvida fora da banda. Mas há uma evidente diferença na maneira de trabalhar os riffs e a dosagem dos elementos eletrônicos, e o fato de quase tudo isso ter ficado sob responsabilidade de Peter é uma amostra da capacidade criativa dele.

Nota: 8,5. Pode soar grotesco para alguns, mas heavy metal e suas subdivisões nunca foram para os fracos, de qualquer forma. Skills and Pills serve como aperitivo até que o Rammstein lance o seu tão aguardado sétimo álbum, que deve começar a ser desenvolvido no próximo semestre, segundo o próprio Peter.

Abaixo, o vídeo de “Praise Abort”.

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