Resenha: My God-Given Right – Helloween

Breve histórico: considerados fundadores do power metal, o Helloween passou da marca dos 30 anos de carreira sobrevivendo a desafios como mudanças bruscas na formação e a estagnação do gênero. Hoje, são item obrigatório na biblioteca musical de qualquer um que se diga fã de heavy metal.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

Só existem duas unanimidades em meio aos fãs do Helloween: que os dois primeiros álbuns da série Keeper of the Seven Keys são os clássicos da banda, e que o Chameleon foi um desastre. Agora, quando se trata de comparar vocalistas, ou analisar os demais álbuns, aí temos opiniões das mais diversas.

Provavelmente, essa lógica se repetirá em My God-Given Right, décimo sexto álbum. A própria crítica já está dividida, com resenhas dando notas que vão de 2/5 a 9/10. E isso é perfeitamente compreensível, pois o sucessor de Straight Out of Hell (resenhado neste blog) despertará sentimentos opostos dependendo da maneira como se estuda a obra.

O álbum começa bem com “Heroes” e “Battle’s Won”. São faixas típicas do grupo – o solo de abertura da segunda é inconfundivelmente helloweeniano e tem aromas de “Twilight of the Gods”. A faixa título, que vem em seguida, não mantém o mesmo nível, mas é compensada por um vídeo inusitado com elementos de Guerra nas Estrelas e filmes pós-apocalípticos.

Seguindo a fórmula do lançamento anterior, as faixas mais comerciais e sem sal não foram as escolhidas para os clipes. Falo de “Stay Crazy” e “Like Everybody Else”, que provavelmente são meros “album fillers” – literalmente, “enchedores de álbum”, isto é, faixas criadas apenas para completar o espaço no CD.

“Lost in America” e “Living on the Edge” não estão entre as melhores, mas ficam muito mais interessantes quando acompanhamos as letras: a primeira conta a história real de um voo no qual os membros estavam e que teve de retornar ao aeroporto pois os pilotos não conseguiam se localizar – ficaram “perdidos na América”. Já a segunda acompanha a história de um elemento que não se encaixou na sociedade e teve de recorrer ao crime para sobreviver.

“Russian Roulé” e “Swing of a Fallen World” revivem elementos do The Dark Ride e do 7 Sinners, álbuns sombrios da discografia do quinteto. “Creatures of Heaven”, “Claws” (não por um acaso, ambas escritas pelo guitarrista Michael Weikath) e “If God Loves Rock ‘n’ Roll” fazem o oposto e trazem elementos do chamado “Happy Happy Helloween”. Esta última resgata uma dose de bom humor que faltou nos álbuns anteriores, com direito a um trecho que parece dialogar com “Let There Be Rock”, do AC/DC.

Encerrando a edição regular, a melhor: “You, Still of War”. A única letra “séria” do disco, abordando as questões mais relevantes que foram comuns no álbum anterior. Aqui, uma bomba nuclear desperta após uma guerra e constata que a vida no mundo foi dizimada e ela é a única sobrevivente de sua espécie. A história é contada em meio a um trabalho empolgante da parte instrumental.

Como faixas bônus da edição digital, My God-Given Right traz as boas “I Wish I Were There”, “Wicked Game” e “Free World”, que devem fazer parte do grupo “comuns demais para constarem no álbum, boas demais para ficarem de fora”. Lembrando que o Helloween compôs mais de 30 canções para o disco.

Em entrevistas, os membros da banda afirmaram que o álbum tinha duas propostas – mas o que eles não parecem ter percebido é que ambas não poderiam conviver. De um lado, queriam “voltar às raízes” – deste objetivo, eles passaram longe. A segunda missão era agradar a três gerações de fãs – grosso modo, os fãs dos anos 80-90, os dos anos 90-2000 e os mais recentes. Essa sim, eles cumpriram, mesmo que de forma desequilibrada.

My God-Given Right soa como uma mistura de tudo o que a banda fez a partir de Better Than Raw, com maior dosagem de alguns álbuns, menor de outras. A sensação é a de um Straight Out of Hell mais sombrio, mas longe de ser um 7 Sinners. Em termos de arte gráfica, My God-Given Right traz não só possivelmente a capa mais bela da discografia do grupo, mas também um encarte criativo, com ilustrações bem-humoradas para cada letra, assinadas pelo brasileiro Marcos Moura.

Nota = 7,5. A não ser que você seja um fã do Helloween que veste muito a camisa – ou melhor, a abóbora – da banda, pode ser que leve tempo para gostar do álbum. Ele não supera seu antecessor e, como já disse Tim Jones do All About The Rock, se você ainda não conhece o Helloween, existem álbuns melhores para começar. Mas My God-Given Right tem seu valor e faz por merecer o nome que carrega no canto superior esquerdo de sua capa.

Abaixo, o lyric video de “Battle’s Won”:

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