Resenha: 2polos – 2polos

Breve histórico: Oriundos de Natal, Rio Grande do Norte (terra do Far From Alaska, uma das bandas novas mais relevantes do rock nacional), 2polos apresenta uma sonoridade próxima ao post-grunge e ao rock alternativo, preenchendo assim aquela lacuna de bandas brasileiras e com letras em português que façam algo com forte inspiração em Alter Bridge e afins.

Reprodução da capa do álbum (© 2polos)

Reprodução da capa do álbum (© 2polos)

Após um álbum de estreia sem muito impacto e um EP acústico, a banda cravou seu nome definitivamente no rock nacional recente com um álbum autointitulado de 2013, que lhes rendeu elogios da crítica e mais atenção da imprensa especializada.

E não é por menos. O começo de 2polos já impressiona pelo peso e pela atitude do instrumental, mas as letras melosas farão os roqueiros mais conservadores levantarem uma sobrancelha. Se não forem impacientes demais, terão a oportunidade de ver a banda assumir um tom mais “sério” a partir da terceira faixa, “A Máquina”. Juntamente a “Efeito Colateral”, “Reino da Ilusão” e “Humaníase”, forma um grupo de canções com teores bem mais interessantes e politizados. Fazem, assim, algo parecido com o que o Hempadura faria mais tarde, em 2014 (veja mais aqui).

Mas mesmo as faixas mais melosas não chegam a ser um problema por si só. É verdade que é um tiro no pé tentar fazer rock no Brasil falando de amor – você pode ganhar um CD da Globo, mas terá o eterno desprezo dos tr00 666 from hell. Mas o 2polos explora o tema de maneira um pouco mais original, ajudados pelo peso nada romântico de suas guitarras. E mesmo faixas levinhas, como o encerramento “Outono”, conseguem contrastar com o resto do CD de maneira coerente, sem simplesmente “jogar” uma balada bonitinha como é costume.

Os vocais agressivos e cantados ocasionalmente em ritmo de rap dividem com os riffs de guitarra o posto de destaque no trabalho. Se na voz temos resquícios de Fresno, Raimundos e até Planet Hemp, no instrumental ouvimos desde os três citados até Creed, Adrenaline Mob e outros grupos que primam pela agressividade no instrumental.

Nota = 8,5. Uma banda que ainda não conquistou a atenção merecida (como tantas outras, é verdade), mas que mantém o rock brasileiro vivo. É gratificante ver que ainda há focos de peso e atitude numa cena abarrotada de músicos fazendo baladinhas simpáticas a programas televisivos de calouros.

Abaixo, o vídeo de “A Máquina”:

* O CD 2polos foi enviado ao autor do blog via correio pela assessoria de imprensa da banda e a resenha foi escrita por sugestão da mesma.

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