Resenha: Shadowmaker – Apocalyptica

Breve histórico: numa época em que ainda não era moda apostar no inusitado para se destacar no mar de bandas novas de heavy metal, quatro jovens num festival apresentavam covers do Metallica tocados apenas no violoncelo – alguém ligado a uma gravadora os ouviu e apostou na ideia de transformar isso em disco. 20 anos depois, o Apocalyptica segue na estrada arranhando seus arcos com agressividade e delicadeza bem combinadas e são um dos vários motivos musicais que os finlandeses têm para se orgulhar.

Reprodução da capa do álbum (© Better Noise)

Reprodução da capa do álbum (© Better Noise)

Após 4,5 anos sem um álbum de inéditas, o quarteto pioneiro do cello metal lança um álbum apostando em uma nova fórmula: em vez de convidar vários vocalistas, ficaram com apenas um: o estadunidense Franky Pérez, que já cantou com vários artistas consagrados (Slash, Scars on Broadway e outros) e tem também três álbuns solo.

Ele não é considerado membro oficial, mas trabalhou com a banda desde o início das gravações, auxiliando inclusive nos arranjos. A escolha de um único vocalista torna as coias mais práticas, especialmente quando se fala em uma turnê, mais sua integração ao disco não fica muito acima de projetos com vários convidados diferentes e não-compromissados com a banda, como os próprios álbuns anteriores do Apocalyptica. Mas talvez seja questão de tempo, caso eles decidam manter a parceria nos próximos lançamentos.

Lembrando que isso não quer dizer que ele não seja bom vocalista, muito pelo contrário. Eicca Toppinen, um dos violoncelistas, disse que a voz dele era perfeita para a banda por ser bem dinâmica, o que é essencial para se encaixar na variada lista de composições do quarteto.

O curioso de Shadowmaker é que as faixas instrumentais continuam sendo as melhores. A própria faixa título fica muito mais interessante devido ao interlúdio instrumental. “Reign of Fear” (não disponível na edição regular) e “Riot Lights” se juntam a este grupo de instrumentais competentes.

Mas não pensem que o álbum é um 8 ou 80. O nível geral é bom. Das faixas com vocal, os singles “Shadowmaker” e “Cold Blood”, juntamente a “House of Chains” ajudam a tornar este um exemplar digno na discografia da banda. Mas a melhor faixa com vocal é, sem dúvidas, o encerramento “Dead Man’s Eye”, cuja primeira metade termina com uma linha melódica quase tão tocante quanto o encerramento de “Farewell”, do Apocalyptica, antecedendo um longo encerramento que revisa os principais riffs das outras faixas.

Nota = 8. Os 4,5 anos de espera certamente fizeram a ansiedade acumular nos fãs, e o resultados final é, no mínimo, satisfatório. A escolha do vocalista único agrada, mas pode talvez melhorar com lançamentos posteriores. Um agrupamento de boas peças de cello metal – o que mais esperar dos fundadores do estilo?

Abaixo, o vídeo de “Shadowmaker”:

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