Resenha: Mercado da Morte – Hempadura

Breve histórico: Hempadura é um quarteto gaúcho de rock/metal formado em 2013. Sua proposta, segundo o perfil oficial no Facebook, é “fazer um rock nacional de qualidade […] com um som diferente do que anda sendo veiculado nas rádios e na cena underground.”

Reprodução da capa do álbum (© Hempadura)

Reprodução da capa do álbum (© Hempadura)

Novas bandas de rock nacional existem aos montes por aí, graças ao deus metal, apesar de boa parte não demonstrar uma qualidade lá muito alta. Nem todas se enveredam pelo caminho das letras politizadas, e quando o fazem, a maioria vem com um discurso vazio, fácil e previsível.

Felizmente, não é o caso desses gaúchos. Sem anestesia, o grupo manda uma porrada atrás da outra, tanto nas letras quanto na instrumentação, em seu disco de estreia Mercado da Morte, financiado por meio de uma campanha no Catarse. Os riffs de heavy metal puxado pro hardcore aliados às letras francas e necessárias fazem deste um lançamento forte que deveria ser colocado ao lado de Nheengatu (resenhado neste blog), modeHuman (idem) e outros como melhores do rock nacional em 2014 (ainda que o Hempadura mostre um pezinho mais pro metal do que pro rock). Meu sensor de Raimundos apitou durante toda a audição, chegando a explodir em “Cabra Cega”, que tem uma pegada mais punk.

O sample de um comentário do jornalista Paulo Eduardo Martins contra o governo Dilma Rousseff em “Palanque de Mentiras” (uma das mais fortes do disco) é um exemplo claro da intenção crítica do trabalho. Em “Zombie D.S”, há outro sample: uma fala da versão em espanhol de um episódio dos Simpsons (“Presidente por Acidente”). Uma introdução humorística que contrasta com o resto da faixa, que de brincadeira não tem nada.

Chega a ser até um pouco incômodo ouvir o álbum inteiro de uma vez só. É muita crítica direta e sem firulas líricas. Até o Calle 13, um dos mais enérgicos grupos da música latino-americana atual, faz “respiros” entre uma porrada e outra. Aqui, não. O que começou forte na faixa-título se mantém assim até o último acorde.

Nota = 9. Para ouvir Hempadura, além de ouvidos apurados, é preciso ter estômago. Se você quer uma banda de música pesada para ouvir a velha historinha manjada do cara que foi no bar tomar cerveja até cair e se engraçou com a loira da noite, esqueça. O papo aqui é mais maduro. Hempadura ainda não conseguiu a atenção de outras bandas novíssimas do rock nacional como o Far From Alaska, mas talvez seja só questão de tempo.

Abaixo, o vídeo de “Mercado da Morte”:

PS: Esta resenha marca o 100º post do Sinfonia de Ideias! \m/

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3 Respostas para “Resenha: Mercado da Morte – Hempadura

  1. Pingback: Resenha: 2polos – 2polos | Sinfonia de Ideias

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