Resenha: Emmerson Nogueira – Emmerson Nogueira

Breve histórico: mais conhecido pelos inúmeros discos de regravações, Emmerson Nogueira é um violonista mineiro que construiu uma sólida base de fãs pelo Brasil todo com excelentes versões acústicas dos clássicos do rock internacional, acompanhado de sua banda que leva o esclarecedor nome Versão Acústica.

Reprodução da capa do álbum (© Sony Music)

Reprodução da capa do álbum (© Sony Music)

Não é sempre que um artista cover resolve arriscar trabalhos autorais, e o produto final pode ir do fraco ao surpreendente. Felizmente, no caso deste músico de São João Nepomuceno, o resultado foi positivo. Não é a primeira vez que Emmerson lança material próprio, vale lembrar. Em 2008 e 2009 ele incluiu as faixas “La Viola” e “Nucleus” nos álbuns Dreamer e Versão Acústica 4, respectivamente.

Neste que é seu oitavo (e autointitulado) trabalho de estúdio, Emmerson passeia por influências – não só musicais, mas também geográficas. Do ode a Minas Gerais em “A Nova Canção da Rosa” à homenagem a Portugal em “Herança Lusitana”, fica claro que o violão estava apontado em uma direção específica na hora de compor os acordes.

Impossível rotular de imediato este trabalho. Rock acústico não diz muito, MPB também soa genérico. Há pouco do rock clássico a que ele está acostumado, e muita brasilidade apesar dos poucos instrumentos. O site oficial do músico fala em “energia do rock progressivo” – mas não espere nada perto de Pink Floyd, Yes ou Rush. Se muito, lembra trabalhos acústicos como “Life’s a Long Song”, do Jethro Tull.

Emmerson Nogueira foi gravado num estúdio em meio às serras mineiras, o que explica o tempero regional do trabalho. E, mais importante, todos os instrumentos foram tocados pelo próprio Emmerson, o que faz desse um disco solo em todos os sentidos – ou quase, como explicado no parágrafo abaixo. Cercado pela mais exuberante natureza sudestina, o cantor se deixa levar pela inspiração que veio “da vida, da alma, dos amores perdidos e conquistados, do vento, do perfume da serra e de tudo que a vida nos reserva de surpresa todos os dias” e cria um disco recheado de sentimentalidades.

São canções sinceras esboçadas e guardadas pacientemente até o momento certo. E haja espera: algumas dessas peças foram compostas entre os anos 1970-80 por seu amigo Paulinho Cri (também violonista, falecido em 2012) em noites musicais com Emmerson, segundo o próprio. Já as outras foram compostas por ele mesmo nos anos 1990, na época em que participou de festivais mineiros. É praticamente uma coletânea de música antiga nunca antes lançada oficialmente.

Nota = 9. Um trabalho esforçado e muito bem-vindo na discografia do violonista. Que sirva de estímulo para outros músicos covers se arriscarem no imprevisível mundo autoral. Motorocker fez isso e deu certo. Trick or Treat fez isso e deu certo. Agora foi a vez de Emmerson se juntar ao time. Resta saber se isso foi um caso isolado ou se ele pretende puxar sua carreira para um lado mais próprio ou continuar regravando os clássicos.

Abaixo, o vídeo de “Feeling Blue” e “Na Cabeça Encantada”:

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