Resenha: Arche – Dir en grey

Breve histórico: o Dir en grey é um dos poucos grupos japoneses a gozar de um sucesso razoável fora do arquipélago asiático mesmo cantando em sua língua materna – ainda que os vocais de Kyo tenham em alguns momentos se tornado ininteligíveis, especialmente quando se atreve a cantar em inglês, o que gerou o termo humorístico “Kyogrish” (Kyo + English). Com uma formação constante desde a fundação em 1997, o grupo passou por transformações inegáveis em sua música e em seu visual, tornando-se assim um dos conjuntos mais importantes do Japão.

Reprodução da capa do álbum (© Firewall Div.)

Reprodução da capa do álbum (© Firewall Div.)

Quem acompanha a trajetória do Dir en grey sabe que eles fogem de rótulos como o diabo foge da cruz. Não apenas porque sua música sempre foi extremamente particular, mas também porque eles nunca se contentaram com um estilo – foram pulando de galho em galho, sem nunca sair do universo do rock/metal.

A única coisa que pode ser dita sem sombra de dúvidas é que, em um gráfico tempo x peso, os álbuns da banda descrevem uma reta ascendente. Partindo de uma espécie de rock alternativo no álbum de estreia Gauze, a banda chegou ao metal mais extremo em Dum Spiro Spero (resenhado neste blog), e parece ter encontrado um denominador comum aí.

Porque Arche, nono álbum de inéditas do Dir en grey, soa como uma continuação de Dum Spiro Spero. A passagem do oitavo para o nono álbum mostra-se uma das menos impactantes da inconstante discografia do quinteto. É verdade que Dum Spiro Spero é uma verdadeira obra prima do metal extremo, e este disco não chega ao mesmo nível. Mas está quase lá. Como o Dir en grey fez nos últimos dez anos, consegue-se aqui combinar vocais guturais escarrados com cantorios serenos, além de riffs agressivos e rápidos com solos melódicos. Só que o lado sereno está muito mais proeminente aqui.

Lembrando, é claro, que leveza não significa necessariamente positividade. Aquele clima pesado, tenso e sombrio da banda está mais vivo do que nunca aqui – talvez por influência de Immortalis, disco de estreia de sukekiyo, projeto solo do vocalista Kyo (resenhado neste blog). Na verdade, é este clima geral que se sobressai, mais até do que o trabalho instrumental isolado dos integrantes.

Como o Helloween fez com 7 Sinners e Straight Out of Hell; como o Ayreon fez em Universal Migrator: The Dream Sequencer e Flight of the Migrator; e como o The Gentle Storm fará com The Diary; o Dir en grey parece ter lançado um álbum duplo com dois climas distintos. Dum Spiro Spero é o álbum pesado, agressivo, gutural. Arche é o álbum lento e melancólico.

Mas assim como seu antecessor tinha momentos mais leves, Arche também apresenta passagens mais agressivas, daquelas que gerarão rodas punk em shows. “Cause of Fickleness”, “Midwife”, “Behind a Vacant Image” e “The Inferno”, por exemplo.

Nota = 8,0. Arche parece até um álbum conceitual, tão nítida é a sua coesão. Não atinge a maturidade e a energia de seu antecessor, é verdade, mas a alta qualidade média está garantida. Agora, mais do que nunca, está difícil classificar o que é o Dir en grey. Mas desde quando isso é essencial? O que interessa é que o quinteto segue sendo um dos nomes mais relevante do metal japonês atualmente, e merecidamente.

Abaixo, o vídeo de “Sustain the Untruth”:

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2 Respostas para “Resenha: Arche – Dir en grey

  1. Olá!! Acho que neste trecho referiu-se à “Revelation of Mankind” ao invés da “Behind a Vacant Image”.

    “Mas assim como seu antecessor tinha momentos mais leves, Arche também apresenta passagens mais agressivas, daquelas que gerarão rodas punk em shows. “Cause of Fickleness”, “Midwife”, “Behind a Vacant Image” e “The Inferno”, por exemplo.”

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