Resenha: Mandatory Fun – “Weird Al” Yankovic

Breve histórico: Na ativa desde os anos 80, “Weird Al” Yankovic (nome artístico de Alfred Matthew Yankovic) consagrou-se como um dos maiores artistas de música humorística dos Estados Unidos e talvez do mundo. Com sagacidade, ele faz desde paródias diretas a grandes clássicos da música mundial até composições próprias – sempre com letras humorísticas (veja aqui post especial que fiz para o Whiplash!). O mais legal é que ele pode “atacar” qualquer estilo, desde o rock até o hip hop.

Reprodução da capa do álbum (© RCA Records)

Reprodução da capa do álbum (© RCA Records)

Analisar um disco do “Weird Al” Yankovic é sempre uma tarefa complicada. Menos da metade de suas músicas são trabalhos originais: boa parte são paródias diretas de uma canção ou genéricas de um estilo ou de uma banda. Logo, a análise sempre tende a ser mais voltada para o lado visual de seus sempre engraçados vídeos e também para as letras sempre certeiras. O lado musical acaba ficando um pouco de lado – o que não quer dizer, evidentemente, que o trabalho instrumental esteja sendo desmerecido.

Enfim, a resenha começa elogiando o trabalho visual do disco. Embora as letras não necessariamente dialoguem com o conceito, a sátira de “Weird Al” às ditaduras comunistas/socialistas faz do encarte um produto bem pensado, com referências a Mao, Stalin, Che Guevara e outros personagens da propaganda socialista.

Ao longo das faixas, temos o de sempre: paródias diretas de canções famosas e paródias genéricas de artistas diversos. Mas não temos as canções originais, aquelas que “Weird Al” escreve do zero sem necessariamente se inspirar por alguém específico. O que é uma pena, porque talento para isto ele tem de sobra.

“contemporâneo” é uma palavra que descreve bem este disco. Na verdade, todos os discos dele são, de certa forma, reflexo da cultura que reina na época de lançamento, mas este aqui está bem preciso. Seja na aula de gramática e ortografia anglófona em “Word Crimes”, paródia de “Blurred Lines”, de Robin Thicke, e reflexo do espírito “grammar nazi” do músico-comediante; ou na sátira à linguagem executiva cheia de jargões e verbos estranhos (“Mission Statement”, paródia de Crosby, Stills & Nash), “Weird Al” mantém seu refinadíssimo humor e mostra porque é tão querido pelos fãs.

Outras faixas que podemos destacar são “Inactive” (paródia de “Radioactive”, do Imagine Dragons) e “Foil” (paródia de “Royals”, da Lorde), que capturam a essência musical dos hits e trocam as letras por algo descabidamente engraçado; e “First World Problems”, onde um instrumental chupado dos Pixies dá o fundo musical para uma letra cheia de desabafos sobre os problemas dos ricos – sim, aqueles que vivem poluindo sua linha do tempo nas redes sociais.

Nota = 8,0. Mantendo seu humor afiado e jovial, “Weird Al” segue na linha de frente da música humorística mundial. Mesmo que menos da metade de sua carreira seja 100% original, a maneira como ele retrabalha conceitos e atmosferas para entregar sátiras inteligentes do mundo que nos cerca mostra que ele é, realmente, um dos poucos músicos vivos que merecem ser chamados de gênio – algo que é preciso ser para fazer por tanto tempo um humor equilibrado o suficiente para não provocar meros esboços de sorrisos, ao mesmo tempo em que não descamba para a esculhambação apelativa.

Abaixo, o vídeo de “Foil”:

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