Resenha: Immortalis – sukekiyo

Breve histórico: sukekiyo é o projeto solo do cantor Kyo, vocalista do Dir en grey, uma das mais famosas bandas japonesas. Conta com dois ex-membros do Rentrer en Soi: Takumi (guitarra/piano) e Mika (bateria). Completam a formação o guitarrista Uta (ex-9Goats Black Out) e o baixista Yuchi (Kannivalism).

Reprodução da capa do álbum (© Firewall div.)

Reprodução da capa do álbum (© Firewall div.)

Talvez o membro mais popular do quinteto japonês, Kyo não é bem aquele frontman simpático e alegre que sai pulando e sorrindo pelo palco. Até pouco tempo atrás, os shows da banda eram marcados por seus atos de automutilação. Maquiagem corporal simulando queimaduras e esqueletos também não eram incomuns. Hoje, suas performances são um pouco mais leves, mas nem por isso menos sombrias.

Era de se esperar, portanto, que um lançamento solo de Kyo fosse um trabalho de bastante personalidade. Quem é fã de Dir en grey certamente simpatizará com Immortalis, primeiro lançamento solo do sukekiyo. O som é bastante influenciado pelos últimos dois álbuns da banda principal do vocalista: sombrio, melancólico e “deprê”. Mas sem muito peso – as guitarras, tímidas, não demonstram agressividade na maior parte das faixas. É como se Kyo, que já lançou livros de poesia, quisesse apenas criar uma atmosfera sonora para suas sempre criativas letras.

Uma atmosfera bem difícil de se classificar, diga-se de passagem, tal como é o som do Dir en grey. Para esses momentos de dificuldade, sobram sempre os rótulos fáceis como “rock/metal alternativo”.

Mas há algumas músicas mais “encorpadas” também. “Latour”, “Nine Melted Fiction” e “Hidden One” são exemplos. O time de instrumentistas, desconhecido para quem acompanha só de longe a cena japonesa do rock/metal, demonstrou competência e técnica para dar sustentação sonora à proposta do vocalista. São linhas “sérias”, sombrias, misteriosas.

Mas não foi apenas nas letras que Kyo demonstrou capacidade aqui. Quem acompanha o Dir en grey sabe bem que Kyo é um sujeito tecnicamente habilidoso. Do gutural aos agudos, passando por sussurros tenebrosos, gritos agoniantes e rosnados raivosos, o japonês aproveita o espaço que é só seu para mostrar por que tem tantos fãs por aí.

Nota: 8. Não chega a ser uma obra prima da música nipônica, mas sem sombra de dúvidas um trabalho bastante pessoal e marcante. É a primeira vez que um membro do Dir en grey se aventura num projeto solo, e se alguém tinha alguma dúvida da eficácia desta manobra, Kyo acaba de saná-la. Qualquer tentativa de se criar um segundo disco do sukekiyo será bem-vinda agora que já sabemos que o projeto tem brilho próprio.

Aqui, o vídeo de “Aftermath”, não disponível no YouTube.

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Uma resposta para “Resenha: Immortalis – sukekiyo

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