Resenha: Erdentempel – Equilibrium

Breve histórico: os alemães do Equilibrium vêm lentamente se tornando uma banda cada vez mais admirada por sua musicalidade única dentro do folk metal. Também classificados como epic folk metal, blackened folk metal e até viking metal, fato é que eles combinam como ninguém riffs de power/black/symphonic metal com sons autênticos de música típica nórdica.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

A despeito do incontestável sucesso do Rammstein pelo mundo, não são todas as bandas alemãs de heavy metal e derivados que se atrevem a cantar em sua língua materna. Mas o Equilibrium nunca ligou muito para isso e já está deixando de ser um mero “nome promissor” da cena do folk metal para virar membro da linha de frente do estilo.

E é com Erdentempel, seu quarto álbum, que a banda coroa este processo. É verdade que ele vem em meio a um momento conturbado: no final de março, com o produto já pronto e recém-anunciado, os irmãos e membros fundadores Andreas Völkl (guitarra) e Sandra Van Eldik (baixo) resolveram deixar o grupo. A manobra pegou os outros integrantes de surpresa, mas eles seguiram firmes na divulgação do então vindouro trabalho. Uma pena os irmãos saírem justamente no momento em que o Equilibrium lança seu melhor álbum até hoje.

O trabalho começa muito bem com a introdução instrumental e sinfônica (convenientemente batizada de “Ankunft”, ou “chegada” em português), que não emenda na segunda faixa “Was Lange Währt” mas já dá o clima do disco. Sem grandes surpresas, vem a terceira faixa “Waldschrein”, já lançada anteriormente em um EP de mesmo nome de 2013. Aqui, ela recebe uma versão regravada, com um som mais polido e menos cru. O disco começa a apresentar aquilo que será sua marca registrada: flautas folk e ritmos cativantes alternados com épicas passagens sinfônicas.

Isto inclui “Wellengang” e “Stein Meiner Ahne”, com momentos que até lembram Nightwish; “Wirtshaus Gaudi”, onde as letras tipicamente épicas dão lugar a um trabalho alegre no ritmo, no clipe (veja abaixo) e no título (algo como “diversão de taverna”); “The Unknown Episode” primeiro trabalho deles em inglês (a sétima faixa “Heavy Chill” tem letras em alemão, apesar do nome); e a épica faixa bônus e de encerramento “Aufbruch”, a segunda mais longa já escrita pela banda. A detentora do título, coincidência ou não, também era um instrumental épico e servia como encerramento: “Mana”, do segundo disco Sagas.

Não é bem uma novidade ver o Equilibrium adotando elementos sinfônicos. Mas tudo aqui soa mais grandioso que nos três discos anteriores. Um álbum que empolga do começo ao fim, com espaço para todos os climas. Os riffs convidativos a uma sessão de headbanging (de autoria dos guitarristas René Berthiaume/Andreas e da baixista Sandra), os pedais duplos velozes (por Tuval Refaeli), os guturais rasgados de Robert Dahne e, é claro, as flautas e orquestras contribuem para tornar este trabalho um sério candidato à lista de melhores de 2014.

Nota: 8,5. Nada como uma banda que mistura black, folk e symphonic metal sem necessariamente cair em lugares comuns e, consequentemente, sem enjoar o fã. Ao mesmo tempo em que a atmosfera recria cenas fantasiosas e medievais, algo que nem todo headbanger está disposto a levar a sério, a instrumentalização profissional mostra que o Equilibrium sabe brincar em serviço. Bom para os fãs.

Abaixo, o vídeo de “Wirtshaus Gaudi”:

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